domingo, 10 de novembro de 2013

PALMAS & REVERÊNCIAS



Foto: Divulgação
Muito mais do que um craque, ele sempre será considerado como um ídolo que marcou sua geração... E essa admiração que ele conquistou, entre torcedores dos mais diversos times de todo o país, permanece até os dias atuais. Com muito talento, inteligência, simpatia e irreverência, o inesquecível ex-jogador Denílson, conhecido como Denílson Show, se destaca pela qualidade de suas opiniões, tornando-se um exímio apresentador e comentarista esportivo na Rede Bandeirantes. Foi uma honra inigualável preparar o post de hoje, um bate-papo com este sinônimo de sucesso nos campos e nos palcos. Confira!
  
SL: Denílson, como foi o início da sua carreira no futebol?
DE: Como a maioria dos grandes jogadores, comecei aos nove anos de idade jogando em times de várzea. Cresci em Diadema, entrei para o São Bernardo F.C. - uma equipe de porte maior - e participei de um torneio em Caraguatatuba, onde recebi um convite do treinador para entrar no São Paulo Futebol Clube. Aceitei a proposta no ano seguinte, em 1991, e fiquei praticamente toda a minha categoria de base no São Paulo. Foram quatro anos como amador e acabei subindo para o futebol profissional muito cedo, aos dezesseis anos.
  
SL: Logo em seu primeiro ano no futebol profissional, você começou a colecionar títulos e já se projetou para a seleção brasileira. E com atuações notáveis, foi eleito o melhor jogador da Copa das Confederações em 1997. De todos os times que você participou, em sua opinião, qual foi aquele que verdadeiramente consagrou a sua carreira?
DE: Eu passei por diversos times, mas não posso deixar de citar aqui o São Paulo F.C., onde tudo começou. Joguei no São Paulo desde os meus onze anos de idade, e aos dezenove, fui para a Espanha jogar no Real Betis da Sevilla, outro time que também sou muito grato. Não é fácil jogar tanto tempo no mesmo clube. E, na maioria das temporadas, jogando como titular. Todos me tratavam com muito carinho e respeito. Posso dizer que o São Paulo me projetou para o futebol e o Real Betis me proporcionou à independência financeira. A seleção brasileira dispensa comentários, pois acho que é o auge na carreira de qualquer jogador e todos sonham com esta oportunidade. E também cito o Palmeiras, a equipe que me abriu as portas quando voltei ao Brasil.
  
SL: Qual o melhor técnico e/ou treinador com quem você já trabalhou?
DE: Na verdade, são vários os treinadores que me apoiaram e me incentivaram ao longo da carreira. Aqui no Brasil posso citar Nelsinho Baptista, Muricy Ramalho, Felipão, Zagallo, Carlos Alberto Parreira e o saudoso Telê Santana.  E o espanhol Juande Ramos, um treinador de grande experiência e que me ajudou muito no momento em que eu estava com dificuldades de adaptação no futebol europeu.
  
SL: Como foi a sua passagem pelo futebol europeu?
DE: Eu analiso como maravilhosa! Fui para uma equipe considerada como modesta no futebol europeu, que dificilmente luta por títulos, mas a paixão desses torcedores é incrível! Uma torcida que apóia e vibra no estádio, independente da situação do seu time no campeonato. Muitas pessoas me questionam sobre a possibilidade de ter ido para outra equipe e obter maior reconhecimento na época, mas eu não me arrependo. Meu único arrependimento foi não ter renovado meu contrato com o Bordeaux da França, que me tratava com muito respeito e admiração, mas infelizmente permaneci somente um ano no futebol francês. E um episódio triste que aconteceu comigo quando eu estava jogando no Betis... Após dois anos de temporada, descobri que meu empresário havia me roubado. Eu ainda tinha oito anos de contrato pela frente. Mas nesse momento, eu nem me importava com a questão financeira, o que me deixou realmente triste foi a traição da nossa amizade e da minha confiança. Eu conversava com ele sobre coisas que eu só compartilhava com meu pai e com meu irmão. É difícil continuar trabalhando e mantendo um bom relacionamento profissional com quem você já não confia mais. Acabei perdendo o contato com ele posteriormente, mas minha família me apoiou e me fortaleceu para superar tudo isso. Com fé em Deus, dei a volta por cima.

SL: Adversários, cobranças, lesões, rivalidades, separação da família durante as concentrações, golpes e decepções... Um atleta passa por muitos momentos de superação ao longo de sua trajetória?
DE: Com certeza, um atleta passa por muitos momentos de superação. O amadurecimento, os obstáculos, a decisão de parar de jogar, tudo é muito difícil. Você sempre se lembra de coisas que viveu como jogador. Mas o futebol é assim mesmo, somente 5% dos jogadores conseguem fazer sucesso e manter independência financeira. Alguns conseguem independência financeira, mas não conseguem reconhecimento. Por exemplo, eu joguei fora do país e encontrei por lá muitos jogadores vindos do Brasil, mas que a população brasileira não conhece. Financeiramente os meninos são bem resolvidos, mas infelizmente não conseguiram obter o prestígio que merecem em seu país de origem. Felizmente, eu consegui alcançar ambos, a questão financeira com a minha ida ao Betis - que foi uma transação muito cara - e o prestígio que eu conquistei na seleção brasileira. Ser reconhecido mundialmente é uma satisfação ímpar. Minha atual experiência é diferente, porque as pessoas me reconhecem também pela televisão e pelo trabalho que eu estou desempenhando como comentarista. Posso dizer que a minha carreira foi muito bem-sucedida, graças a Deus.
  
SL: E a emoção da conquista do penta-campeonato vestindo a camisa da Seleção Brasileira em 2002, no Japão / Coréia do Sul? Qual a lição mais importante que você aprendeu com a “Família Scolari”?
DE: É indescritível. Você não consegue reproduzir a emoção daquele momento. Todo atleta deseja a oportunidade de participar, mas nem todos conseguem disputar uma Copa do Mundo. Mais uma vez, sinto-me privilegiado por ter disputado duas Copas, praticamente dez anos jogando pela seleção brasileira – o que não é fácil, porque a cada dia surge um novo jogador como revelação. E aquele elenco que consegue ganhar o campeonato ainda merece mais mérito e escreve seu nome na história do futebol. Em 1998, nós jogamos a final contra a França e perdemos. Até então, eu nem imaginava que seria novamente convocado para outra Copa do Mundo. Mas em 2002, nós vencemos a Alemanha e conquistamos o título. O Felipão tem aquele lado “paizão” dele e uma estratégia motivacional muito boa, que consegue absorver a melhor característica de cada jogador. Acho que um bom treinador deve saber trabalhar o lado emocional, pois isso vai muito além do salário de cada jogador.
  
SL: Está otimista com a Copa do Mundo de 2014 no Brasil? A atual seleção do técnico Felipão tem lhe agradado?
DE: Hoje estou otimista, mas confesso que não estava na época do Mano Menezes. Pelo contrário, estava até desconfiado com o desempenho da seleção brasileira, porque a gente não conseguia ver uma equipe com padrão de jogo ou analisar a escalação do time. Entendo, em partes, a posição do Mano Menezes porque ele pegou uma equipe que estava em processos de reformulação. Mas no futebol brasileiro você não tem esse tempo, a cobrança é muito grande e a imprensa é cruel em determinadas situações. O Felipão é fiel às escolhas dele e já conseguiu formar uma seleção mais estruturada. O grupo que vai jogar a Copa do Mundo é praticamente o mesmo que jogou a Copa das Confederações e que desempenhou um belíssimo trabalho, pois o Brasil ganhou praticamente todos os jogos e foi um sucesso, tendo o Neymar como a grande revelação. E para a Copa do Mundo, espero não ser diferente.
  
SL: O que mais te marcou durante a época em que era jogador? O que o futebol representa hoje para você?
DE: Meu primeiro gol contra o Sporting Cristal - aquele que você nunca esquece, a primeira vez que eu fui convocado para a seleção brasileira, minha primeira Copa do Mundo, a conquista do título, a ida para o futebol europeu, enfim, todos os bons momentos de novas experiências permanecem em nossa memória. O futebol é a base de tudo para mim. Quando eu percebi que a minha carreira como jogador estava chegando ao final, pensei em estudar Gestão do Esporte porque eu queria permanecer neste ramo e ser o elo de ligação entre diretoria e jogador. Mas como eu tenho certa facilidade na comunicação, recebi a proposta para trabalhar na televisão como comentarista. Comecei no programa “Band Mania” e permaneço na TV até hoje.
  
SL: Em sua opinião, quem são os craques da atualidade?
DE: Além do Neymar, gosto muito do futebol do Lucas, jogador que também passou por uma fase de difícil adaptação no futebol europeu. Eu entendo muito bem, porque também vivi esta experiência e sei a dificuldade que ele está enfrentando atualmente.
  
SL: Ser comentarista também é uma grande responsabilidade, pois são necessárias interpretações pertinentes com conteúdos relevantes, onde as críticas fazem parte da profissão. Você se inspira em alguém para moldar sua linha de comentários na TV?
DE: À princípio, as minhas participações no programa seriam curtas e eu faria somente a Copa do Mundo durante um mês. Mas a partir do momento em que eu tomei a decisão de me tornar um comentarista esportivo – com o incentivo da minha esposa e dos meus amigos, assinei um contrato sério e me adaptei à nova rotina, com máxima dedicação a esta nova função. Afinal, agora eu não seria apenas um convidado do programa... A minha opinião passa a ser mais direta e ter mais conteúdo, com credibilidade capaz de influenciar na opinião das pessoas que estão assistindo em casa. Hoje eu trabalho com grandes profissionais na emissora e tenho algumas referências na Band, mas sem fugir do meu jeito de ser, deste meu lado espontâneo da irreverência. Posso discernir o momento de falar sério, o momento de fazer brincadeiras e acabo me inspirando até em outros apresentadores como o Luciano Hulk e o Rodrigo Faro, por exemplo. Acho que esta mistura está dando certo, pois estou quase completando três anos como comentarista (risos).
  
SL: Durante as transmissões, você divide a bancada com excelentes profissionais como Nivaldo Prieto. Qual é a experiência de trabalhar ao lado de jornalistas tão consagrados?
DE: O Nivaldo Prieto é o profissional que eu trabalho mais tempo e um companheiro que me ajuda desde o início. Eu já o conhecia antes, porque nós éramos vizinhos de apartamento. Por ironia do destino, hoje a gente trabalha junto e ele me auxilia muito em todos os sentidos. Recebo orientação em tudo o que você pode imaginar, inclusive na pronúncia, dicção, colocação ou correção. Inclusive, ele incentivou a minha vinda à televisão e sou muito grato a ele.
  
SL: O programa “Deu Olé” deixou saudades?
DE: Muitas, porque o “Deu Olé” foi uma escola para mim. Era praticamente uma responsabilidade minha, da Paloma Tocci e do Felipe Andreoli, parceiros que eu admiro. E foi praticamente a minha primeira experiência como apresentador. Era um programa descontraído que unia futebol e bom humor, uma das características que o Tiago Leifert implementou nos programas esportivos. Em minha opinião, o futebol tem que trazer um pouco de alegria para as pessoas, sempre!

SL: Você e o Neto mostram boa e humorada sintonia no programa “Os Donos da Bola”. Como é a sua relação com ele fora dos estúdios? Vocês discutem sobre futebol nos estádios? Cada um defende o seu time do coração?
DE: Na verdade, acho que me relaciono bem com todos da Band, sem distinção. Estabeleci uma boa relação de amizade e respeito com todos, assim como o Neto. A minha filosofia de trabalho é em prol de todo o Grupo Bandeirantes, pois acho que há espaço para todo mundo. Devido à correria do dia-a-dia, eu acabo tendo pouco contato com estes profissionais na minha vida pessoal, sem dúvida, meu contato maior é dentro da emissora.
  
SL: No comando de Renata Fan, o Programa “Jogo Aberto” continua líder absoluto de audiência nas manhãs da TV Bandeirantes, trazendo notícias e debates apimentados e divertidos com especialistas no esporte como Dr. Osmar, Mauro Beting, Ulisses Costa, Ronaldo Giovaneli, Edmundo e convidados. Para você, qual é o aspecto mais gratificante no programa?
DE: O aspecto mais gratificante é o reconhecimento das pessoas com o programa. Percebi que há um considerável público-alvo infantil e me surpreendi nas ruas da cidade. Muitas crianças não me conhecem como jogador, mas acompanham meu trabalho atual na televisão. Fico muito feliz ao ser abordado pelas crianças.
  
SL: Um sonho que almeja realizar?
DE: Desejo permanecer longos anos nesta profissão e talvez, futuramente, ter o meu próprio programa de televisão. Sei que não é tão simples conduzir um programa, requer habilidade e dinamismo, mas pretendo me preparar para isso.
  
SL: E para saber mais a respeito de Denílson Show?
DE: Basta acessar as minhas redes sociais: no Instagram e no Twitter - @denilsonshow - e no Facebook – Denílson Show. Na medida do possível, tento responder a todos! Tenho bastante seguidores, recebo críticas construtivas, gosto muito e aprendo com estas redes sociais.
  
SL: Para finalizar, qual mensagem ou conselho você deixaria para quem deseja ingressar no futebol?
DE: Para ser bem sincero, é muito difícil você dar um conselho em cima de um sonho de alguma pessoa. É muito complicado, porque é um objetivo que aquela pessoa deseja alcançar e o futebol é o ‘carro-chefe’ dos esportes em todo o país. Eu diria para aquelas crianças que querem jogar futebol, que tentem utilizá-lo como uma válvula de escape, uma brincadeira, divirtam-se acima de tudo! Não tenham o futebol como uma responsabilidade quando criança - eu vivi desta forma até a época em que decidi me profissionalizar. E nunca deixem os estudos, pois a formação acadêmica é fundamental para se direcionar na vida. Acho que o caminho é este... Muito obrigado. 

3 comentários:

  1. Denilson é uma pessoa fantástica... Uma delicia ver ele na TV e esta reportagem foi maravilhosa...
    Parabéns Susana

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