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| Foto: Divulgação |
Muito mais do que um
craque, ele sempre será considerado como um ídolo que marcou sua geração... E
essa admiração que ele conquistou, entre torcedores dos mais diversos times de
todo o país, permanece até os dias atuais. Com muito talento, inteligência,
simpatia e irreverência, o inesquecível ex-jogador Denílson, conhecido como Denílson Show,
se destaca pela qualidade de suas opiniões, tornando-se um
exímio apresentador e comentarista esportivo na Rede Bandeirantes. Foi uma
honra inigualável preparar o post de hoje, um bate-papo com este sinônimo de
sucesso nos campos e nos palcos. Confira!
SL: Denílson, como foi o
início da sua carreira no futebol?
DE: Como a maioria dos grandes jogadores, comecei aos nove anos de idade jogando
em times de várzea. Cresci em Diadema, entrei para o São Bernardo F.C. - uma
equipe de porte maior - e participei de um torneio em Caraguatatuba, onde
recebi um convite do treinador para entrar no São Paulo Futebol Clube. Aceitei
a proposta no ano seguinte, em 1991, e fiquei praticamente toda a minha
categoria de base no São Paulo. Foram quatro anos como amador e acabei subindo
para o futebol profissional muito cedo, aos dezesseis anos.
SL: Logo em seu primeiro
ano no futebol profissional, você começou a colecionar títulos e já se projetou
para a seleção brasileira. E com atuações notáveis, foi eleito o melhor jogador
da Copa das Confederações em 1997. De todos os times que você participou, em
sua opinião, qual foi aquele que verdadeiramente consagrou a sua carreira?
DE: Eu passei por diversos times, mas não posso deixar de citar aqui o São
Paulo F.C., onde tudo começou. Joguei no São Paulo desde os meus onze anos de
idade, e aos dezenove, fui para a Espanha jogar no Real Betis da Sevilla, outro
time que também sou muito grato. Não é fácil jogar tanto tempo no mesmo clube.
E, na maioria das temporadas, jogando como titular. Todos me tratavam com muito
carinho e respeito. Posso dizer que o São Paulo me projetou para o futebol e o Real
Betis me proporcionou à independência financeira. A seleção brasileira dispensa
comentários, pois acho que é o auge na carreira de qualquer jogador e todos
sonham com esta oportunidade. E também cito o Palmeiras, a equipe que me abriu
as portas quando voltei ao Brasil.
SL: Qual o melhor técnico
e/ou treinador com quem você já trabalhou?
DE: Na verdade, são vários os treinadores que me apoiaram e me incentivaram
ao longo da carreira. Aqui no Brasil posso citar Nelsinho Baptista, Muricy
Ramalho, Felipão, Zagallo, Carlos Alberto Parreira e o saudoso Telê Santana. E o espanhol Juande Ramos, um treinador
de grande experiência e que me ajudou muito no momento em que eu estava com
dificuldades de adaptação no futebol europeu.
SL: Como foi a sua
passagem pelo futebol europeu?
DE: Eu analiso como maravilhosa! Fui para uma equipe considerada como modesta
no futebol europeu, que dificilmente luta por títulos, mas a paixão desses
torcedores é incrível! Uma torcida que apóia e vibra no estádio, independente
da situação do seu time no campeonato. Muitas pessoas me questionam sobre a
possibilidade de ter ido para outra equipe e obter maior reconhecimento na
época, mas eu não me arrependo. Meu único arrependimento foi não ter renovado
meu contrato com o Bordeaux da França, que me tratava com muito respeito e
admiração, mas infelizmente permaneci somente um ano no futebol francês. E um
episódio triste que aconteceu comigo quando eu estava jogando no Betis... Após
dois anos de temporada, descobri que meu empresário havia me roubado. Eu ainda
tinha oito anos de contrato pela frente. Mas nesse momento, eu nem me importava
com a questão financeira, o que me deixou realmente triste foi a traição da nossa
amizade e da minha confiança. Eu conversava com ele sobre coisas que eu só
compartilhava com meu pai e com meu irmão. É difícil continuar trabalhando e
mantendo um bom relacionamento profissional com quem você já não confia mais. Acabei
perdendo o contato com ele posteriormente, mas minha família me apoiou e me
fortaleceu para superar tudo isso. Com fé em Deus, dei a volta por cima.
SL: Adversários, cobranças,
lesões, rivalidades, separação da família durante as concentrações, golpes e decepções...
Um atleta passa por muitos momentos de superação ao longo de sua trajetória?
DE: Com certeza, um atleta passa por muitos momentos de superação. O
amadurecimento, os obstáculos, a decisão de parar de jogar, tudo é muito
difícil. Você sempre se lembra de coisas que viveu como jogador. Mas o futebol
é assim mesmo, somente 5% dos jogadores conseguem fazer sucesso e manter
independência financeira. Alguns conseguem independência financeira, mas não
conseguem reconhecimento. Por exemplo, eu joguei fora do país e encontrei por
lá muitos jogadores vindos do Brasil, mas que a população brasileira não
conhece. Financeiramente os meninos são bem resolvidos, mas infelizmente não
conseguiram obter o prestígio que merecem em seu país de origem. Felizmente, eu
consegui alcançar ambos, a questão financeira com a minha ida ao Betis - que
foi uma transação muito cara - e o prestígio que eu conquistei na seleção
brasileira. Ser reconhecido mundialmente é uma satisfação ímpar. Minha atual
experiência é diferente, porque as pessoas me reconhecem também pela televisão
e pelo trabalho que eu estou desempenhando como comentarista. Posso dizer que a
minha carreira foi muito bem-sucedida, graças a Deus.
SL: E a emoção da conquista
do penta-campeonato vestindo a camisa da Seleção Brasileira em 2002, no Japão /
Coréia do Sul? Qual a lição mais importante que você aprendeu com a “Família
Scolari”?
DE: É indescritível. Você não consegue reproduzir a emoção daquele momento. Todo
atleta deseja a oportunidade de participar, mas nem todos conseguem disputar
uma Copa do Mundo. Mais uma vez, sinto-me privilegiado por ter disputado duas
Copas, praticamente dez anos jogando pela seleção brasileira – o que não é
fácil, porque a cada dia surge um novo jogador como revelação. E aquele elenco que
consegue ganhar o campeonato ainda merece mais mérito e escreve seu nome na
história do futebol. Em 1998, nós jogamos a final contra a França e perdemos. Até
então, eu nem imaginava que seria novamente convocado para outra Copa do Mundo.
Mas em 2002, nós vencemos a Alemanha e conquistamos o título. O Felipão tem aquele
lado “paizão” dele e uma estratégia motivacional muito boa, que consegue absorver
a melhor característica de cada jogador. Acho que um bom treinador deve saber trabalhar
o lado emocional, pois isso vai muito além do salário de cada jogador.
SL: Está otimista com a
Copa do Mundo de 2014 no Brasil? A atual seleção do técnico Felipão tem lhe
agradado?
DE: Hoje estou otimista, mas confesso que não estava na época do Mano
Menezes. Pelo contrário, estava até desconfiado com o desempenho da seleção
brasileira, porque a gente não conseguia ver uma equipe com padrão de jogo ou
analisar a escalação do time. Entendo, em partes, a posição do Mano Menezes
porque ele pegou uma equipe que estava em processos de reformulação. Mas no
futebol brasileiro você não tem esse tempo, a cobrança é muito grande e a
imprensa é cruel em determinadas situações. O Felipão é fiel às escolhas dele e
já conseguiu formar uma seleção mais estruturada. O grupo que vai jogar a Copa
do Mundo é praticamente o mesmo que jogou a Copa das Confederações e que
desempenhou um belíssimo trabalho, pois o Brasil ganhou praticamente todos os
jogos e foi um sucesso, tendo o Neymar como a grande revelação. E para a Copa
do Mundo, espero não ser diferente.
SL: O que mais te marcou
durante a época em que era jogador? O que o futebol representa hoje para você?
DE: Meu primeiro gol contra o Sporting Cristal - aquele que você nunca
esquece, a primeira vez que eu fui convocado para a seleção brasileira, minha
primeira Copa do Mundo, a conquista do título, a ida para o futebol europeu, enfim,
todos os bons momentos de novas experiências permanecem em nossa memória. O
futebol é a base de tudo para mim. Quando eu percebi que a minha carreira como
jogador estava chegando ao final, pensei em estudar Gestão do
Esporte porque eu queria permanecer neste ramo e ser o elo de ligação entre
diretoria e jogador. Mas como eu tenho certa facilidade na comunicação, recebi
a proposta para trabalhar na televisão como comentarista. Comecei no programa
“Band Mania” e permaneço na TV até hoje.
SL: Em sua opinião, quem
são os craques da atualidade?
DE: Além do Neymar, gosto muito do futebol do Lucas, jogador que também passou
por uma fase de difícil adaptação no futebol europeu. Eu entendo muito bem,
porque também vivi esta experiência e sei a dificuldade que ele está
enfrentando atualmente.
SL: Ser comentarista
também é uma grande responsabilidade, pois são necessárias interpretações
pertinentes com conteúdos relevantes, onde as críticas fazem parte da
profissão. Você se inspira em alguém para moldar sua linha de comentários na
TV?
DE: À princípio, as minhas participações no programa seriam curtas e eu
faria somente a Copa do Mundo durante um mês. Mas a partir do momento em que eu tomei a decisão de me tornar um
comentarista esportivo – com o incentivo da minha esposa e dos meus amigos, assinei
um contrato sério e me adaptei à nova rotina, com máxima dedicação a esta nova
função. Afinal, agora eu não seria apenas um convidado do programa... A minha
opinião passa a ser mais direta e ter mais conteúdo, com credibilidade capaz de
influenciar na opinião das pessoas que estão assistindo em casa. Hoje eu trabalho
com grandes profissionais na emissora e tenho algumas referências na Band, mas
sem fugir do meu jeito de ser, deste meu lado espontâneo da irreverência. Posso
discernir o momento de falar sério, o momento de fazer brincadeiras e acabo me
inspirando até em outros apresentadores como o Luciano Hulk e o Rodrigo Faro,
por exemplo. Acho que esta mistura está dando certo, pois estou quase
completando três anos como comentarista (risos).
SL: Durante as
transmissões, você divide a bancada com excelentes profissionais como Nivaldo
Prieto. Qual é a experiência de trabalhar ao lado de jornalistas tão
consagrados?
DE: O Nivaldo Prieto é o profissional que eu trabalho mais tempo e um
companheiro que me ajuda desde o início. Eu já o conhecia antes, porque nós
éramos vizinhos de apartamento. Por ironia do destino, hoje a gente trabalha
junto e ele me auxilia muito em todos os sentidos. Recebo orientação em tudo o
que você pode imaginar, inclusive na pronúncia, dicção, colocação ou correção.
Inclusive, ele incentivou a minha vinda à televisão e sou muito grato a
ele.
SL: O programa “Deu Olé”
deixou saudades?
DE: Muitas, porque o “Deu Olé” foi uma escola para mim. Era praticamente uma
responsabilidade minha, da Paloma Tocci e do Felipe Andreoli, parceiros que eu
admiro. E foi praticamente a minha primeira experiência como apresentador. Era
um programa descontraído que unia futebol e bom humor, uma das características
que o Tiago Leifert implementou nos programas esportivos. Em minha opinião, o
futebol tem que trazer um pouco de alegria para as pessoas, sempre!
SL: Você e o Neto mostram
boa e humorada sintonia no programa “Os Donos da Bola”. Como é a sua relação
com ele fora dos estúdios? Vocês discutem sobre futebol nos estádios? Cada um
defende o seu time do coração?
DE: Na verdade, acho que me relaciono bem com todos da Band, sem distinção.
Estabeleci uma boa relação de amizade e respeito com todos, assim como o Neto. A
minha filosofia de trabalho é em prol de todo o Grupo Bandeirantes, pois acho
que há espaço para todo mundo. Devido à correria do dia-a-dia, eu acabo tendo
pouco contato com estes profissionais na minha vida pessoal, sem dúvida, meu
contato maior é dentro da emissora.
SL: No comando de Renata
Fan, o Programa “Jogo Aberto” continua líder absoluto de audiência nas manhãs
da TV Bandeirantes, trazendo notícias e debates apimentados e divertidos com
especialistas no esporte como Dr. Osmar, Mauro Beting, Ulisses Costa, Ronaldo
Giovaneli, Edmundo e convidados. Para você, qual é o aspecto mais gratificante
no programa?
DE: O aspecto mais gratificante é o reconhecimento das pessoas com o
programa. Percebi que há um considerável público-alvo infantil e me surpreendi
nas ruas da cidade. Muitas crianças não me conhecem como jogador, mas
acompanham meu trabalho atual na televisão. Fico muito feliz ao ser abordado
pelas crianças.
SL: Um sonho que almeja
realizar?
DE: Desejo permanecer longos anos nesta profissão e talvez, futuramente,
ter o meu próprio programa de televisão. Sei que não é tão simples conduzir um
programa, requer habilidade e dinamismo, mas pretendo me preparar para isso.
SL: E para saber mais a
respeito de Denílson Show?
DE: Basta acessar as minhas redes sociais: no Instagram e no Twitter - @denilsonshow - e no Facebook – Denílson Show. Na medida do possível,
tento responder a todos! Tenho bastante seguidores, recebo críticas
construtivas, gosto muito e aprendo com estas redes sociais.
SL: Para finalizar, qual
mensagem ou conselho você deixaria para quem deseja ingressar no futebol?
DE: Para ser bem sincero, é muito difícil você dar um conselho em cima de
um sonho de alguma pessoa. É muito complicado, porque é um objetivo que aquela
pessoa deseja alcançar e o futebol é o ‘carro-chefe’ dos esportes em todo o país.
Eu diria para aquelas crianças que querem jogar futebol, que tentem utilizá-lo
como uma válvula de escape, uma brincadeira, divirtam-se acima de tudo! Não
tenham o futebol como uma responsabilidade quando criança - eu vivi desta forma
até a época em que decidi me profissionalizar. E nunca deixem os estudos, pois a
formação acadêmica é fundamental para se direcionar na vida. Acho que o caminho
é este... Muito obrigado.

Denilson é uma pessoa fantástica... Uma delicia ver ele na TV e esta reportagem foi maravilhosa...
ResponderExcluirParabéns Susana
ESSE É O CARA.... D.J.
ResponderExcluirgostei da materia, idolo do brasil
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