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| Foto: Divulgação |
Para homenagear a imensurável
torcida corinthiana, o Blog Sucesso
entrevistou com exclusividade um de seus maiores ídolos... O carismático,
incomparável, gentil e bem-humorado Ronaldo
Giovaneli, ex-goleiro do Timão e atual
comentarista da Rede Bandeirantes. Ronaldo é tão “gente boa” que atrai mais
simpatizantes para o seu fã-clube a cada ano, independente ao time que torcem. Apaixonado
pela família, o craque fala sobre a superação da doença, a paixão pelo rock e
revela grandes aspectos de sua relação com o futebol. Confira!
SL: Ronaldo, como foi o seu início no futebol?
RG: Comecei fazendo peneiras no Corinthians aos 13 anos de idade. Permaneci
quase um ano até entrar na equipe. Continuei fazendo testes e, depois de dois
anos, ingressei no time profissional. Passei por momentos difíceis, mas não me
arrependo de nada e faria tudo novamente, porque também foi uma época muito
legal na minha vida.
SL: Por que você tinha fama de ‘encrenqueiro’?
RG: Ahhh... Eu tinha essa fama porque o pessoal falava que eu não parava de
gritar em campo (risos). Não é que eu queria ganhar no grito e à força, mas eu
tinha o direito e a incumbência de posicionar minha defesa, o meio-de-campo,
enfim, orientar a equipe. Eu acabava irritando os adversários, mas os
torcedores gostavam da minha atitude. Não me importava se o jogo ainda tivesse
90 minutos, eu sempre jogava como se fosse o último.
SL: Apesar de passar por outros times, você é considerado como
um dos maiores ídolos da história do Corinthians. O que mais te marcou durante
a época em que vestia a camisa Corinthiana?
RG: Todos os sete títulos que eu conquistei no Corinthians foram marcantes
para mim. Dentre eles, a Copa do Brasil
e o Campeonato Brasileiro, títulos
inéditos para um time paulista praticamente invicto, além da Copa Ramon de Carranza em 1996. A conquista marca
porque você se dedica à pré-temporada, viaja, fica longe da família e todo este
empenho se torna frustrante se você não consegue levar o seu time ao título. E
eu tive o prazer de fazer parte deste grupo de guerreiros e campeões. Todo este
tempo em que permaneci no Corinthians, adquiri carinho, respeito e muito
reconhecimento do público. Afinal, eu entrei no time ainda menino e saí com
trinta anos. E só depois eu passei por outros clubes, mas sempre carreguei esse
rótulo de “goleiro do Corinthians”, mesmo defendendo outros times. Fui o cara
que mais vestiu a camisa número 1, então você cria esta identidade com o
torcedor. É uma honra ser lembrado por
tantas vezes, acho que não há nada melhor do que ser reconhecido pelo seu
trabalho.
SL: Hoje, na visão de
torcedor e comentarista, qual é a avaliação sobre seu time do coração?
RG: Sinceramente, hoje vejo uma equipe sem vontade, sem fome, ou seja, uma
equipe que ganhou tudo e agora perdeu a vontade de vencer. Porque dezesseis
empates no campeonato - onde dez partidas ficaram no zero a zero - mostram uma
equipe que já passou da hora da mudança. Como torcedor e analista de futebol, reconheço
a saída do Tite, mas acabo não atribuindo toda a culpa ao técnico. Um elenco
motivado também faz a diferença.
SL: Quem foi seu grande ídolo no esporte?
RG: Tive vários ídolos e a sorte de trabalhar junto com eles. Na época em
que comecei a jogar no time profissional, o Carlos e o Waldir Peres eram os
goleiros da seleção brasileira - e os dois estavam no Corinthians. O Aguinaldo
Moreira era meu treinador e meu grande mestre, que também foi goleiro do Santos
na era do Pelé. O Goiano era um cara espetacular para lidar com o grupo e o
Cabeção foi outro goleiro fantástico do Corinthians. Quer dizer, a minha escola
dentro do Corinthians foi uma das melhores! Eu só não iria aprender alguma
coisa se eu realmente não quisesse... (risos)
SL: Em sua opinião, quais são as dores e as alegrias na
profissão de um goleiro?
RG: Creio que na vitória, muitas vezes, as pessoas esquecem o seu trabalho,
mas na derrota você será lembrado para sempre. Afinal, você acabou tomando o
gol e seu time perdeu. Mas na realidade, o goleiro nunca está sozinho, pois
existe um trabalho em conjunto até no momento das cobranças de pênaltis. Acho
que você conta um pouco com a sorte e com o trabalho realizado durante a semana
junto ao treinador, ao outro goleiro que trabalha com você e toda a equipe. Você
treina explosão, os cantos que você vai pular, enfim, é preciso ter
tranqüilidade para compreender os erros e fazer uma auto-análise do seu
trabalho. São aspectos que você precisa aprender a conviver no dia-a-dia,
inclusive, com as dores físicas. Isso porque o treinamento é intensivo e,
muitas vezes, te leva à exaustão e às contusões. Um goleiro precisa ter toda a
performance de um jogador, além da habilidade e da agilidade que a própria
função exige. Sendo assim, ele precisa ter o desempenho dos outros atletas,
aliado ao treinamento com bola, o que é um fator desgastante. Mas as alegrias
são inúmeras também. O bom é que você aprende a lidar com estes temores.
SL: E quando você descobriu que estava doente? Qual é a doença?
RG: Descobri a doença há uns três anos, quando estava dirigindo e notei que
não tinha pêlos na minha mão. O nome da doença é Alopécia Areata e pode ser transmitida por fator hereditário ou
ocasionada por problemas na tireóide.
SL: Você realiza algum tipo de tratamento? Como se sente agora?
RG: Esta doença é indolor, não tem cura e, tampouco, tratamento específico.
Ela pode ser controlada e voltar posteriormente, ou não voltar nunca mais. É
agressiva no sentido de potencializar outras doenças mais graves – como o
câncer, por exemplo. Mas quando você não desencadeia nenhum destes quadros
clínicos, ela ataca e elimina os pêlos do corpo, como se fossem algo ruim para
o organismo. Para as crianças, principalmente, eu indico um bom trabalho
psicológico além das vitaminas, porque geralmente os coleguinhas não entendem o
que está acontecendo e tiram sarro na escola. No começo foi muito difícil para
mim, mas sempre tive o apoio da minha família. Eu sofri porque adorava meu
cavanhaque, as costeletas, enfim, acabei sentindo a perda do meu cabelo na
época. Mas hoje estou muito bem, pois
percebi que não preciso perder mais tempo de manhã. Eu lavo meu rosto e vou
embora, não preciso mais arrumar meu cabelo e, na hora do banho, ainda
economizo shampoo (risos). O importante é não esquentar a cabeça com esta
doença, devemos aprender a conviver com ela. Eu amo a minha esposa, meus filhos
e não tenho motivos para não ser um cara feliz. Agradeço a Deus, todos os dias,
por ter uma vida plena, cheia de vitórias e alegrias.
SL: E a paixão pelo rock? Como surgiu a idéia de criar o grupo
“Ronaldo e os Impedidos”?
RG: Ahhh... Essa é a minha terapia agora, pois eu adoro cantar! Gosto de
Elvis, Deep Purple, Iron Maiden, Raul Seixas, Megadeth, resumindo, o bom e
velho Rock ´n Roll. O rock entrou na minha vida quando eu ainda estava na
faculdade. Juntei meus amigos e decidimos formar uma banda, que permanece nos
palcos até hoje e está completando 20 anos de carreira. Estamos preparando um álbum acústico
comemorativo, com lançamento previsto para o ano que vem. Já estamos
finalizando... Aguardem!
SL: Ronaldo, você atuou como comentarista esportivo dos
programas “Bola na Rede”, “Rede TV! Esporte” - e dos atuais - “Jogo Aberto” e
“Os Donos da Bola”, ambos da TV Bandeirantes, com participações no “Baita
Amigos” e “Encontro de Craques” do canal Bandsports e em programas na Rádio
Transamérica de SP. Como está sendo esta experiência?
RG: Já estou neste ramo há sete anos. Comecei na Rede TV! com o Terence
Paiva, uma pessoa que me orientou bastante no momento em que eu estava parando
de jogar. A partir daí, dei início à minha preparação como comentarista. Na
função de goleiro, tinha o campo todo à minha frente e podia analisar as
jogadas. Então não foi muito difícil me moldar como comentarista, pois eu
acabava trazendo o que eu já fazia no dia-a-dia. É por isso que eu me adaptei
rapidamente e me identifiquei neste novo ramo, porque quando você faz aquilo
que gosta, não vê o tempo passar e nem precisa inventar conversa fiada...
Muitas vezes, eu escutei certas pessoas falarem de futebol ou da vida de algum
jogador sem um mínimo de noção e bom-senso. E os jogadores ficavam à mercê destes
comentários vazios. Ainda bem que hoje você pode assistir um ex-jogador
comentar algo com fundamento nos programas de televisão. Ele pode até não
conseguir se expressar com palavras mais sofisticadas, mas tem opinião formada,
suas críticas são baseadas em conhecimentos técnicos e suas experiências foram adquiridas
dentro de campo.
SL: Com relação ao Showbol, algum momento inesquecível?
RG: Atualmente eu não participo mais. E não recomendo o Showbol para
ex-goleiros (risos). A bola não sai de campo e você toma bolada a toda hora. Os
lances são muito rápidos e, desta forma, é difícil permanecer durante todo o
campeonato. O Showbol é mais cultuado e ovacionado lá fora, trazendo grandes
jogadores de expressão como Diego Maradona. Aqui no Brasil eu também joguei com
Zetti, Dunga, Bebeto, Romário, ou seja, grandes nomes do futebol brasileiro. Um
momento inesquecível ocorreu em 2006, com a conquista de um torneio mundial - o
Showbol Europeu. Passamos quase quarenta dias na Europa disputando com países
bem tradicionais como Argentina e Itália, mas vencemos a final contra a
Holanda. Este título eu vou guardar para sempre na memória.
SL: E para saber mais a respeito de Ronaldo Giovaneli, eterno ídolo
da Fiel?
RG: Basta acessar meu blog da Band - http://blogs.band.com.br/ronaldogiovaneli
- ou seguir as redes sociais como Instagram - @ronaldogiovaneli,
Facebook - Ronaldo
Soares Giovaneli, ou Twitter - @ronaldo601
– em homenagem ao número de jogos que eu fiz com a camisa corinthiana. Espero
por vocês!
SL: Para finalizar com seu estilo de bom-humor, você se lembra
de alguma situação engraçada dos tempos de jogador?
RG: Nossa, eu lembro de muitas histórias engraçadas que comentavam no
vestiário e alguns amigos - como o Gilmar e o Dinei - que adoravam contar
piadas. Uma vez a gente estava no ônibus do Corinthians e, do fundo do ônibus,
eu vi surgir uma discussão. O Mirandinha estava brigando com o Cris, eu nem
sabia qual era o motivo, mas durante a confusão o Mirandinha lançou uma frase
assim: “Eu sei, mas você não jogou fora
do mundo (...)”. Quer dizer, ao invés de falar que ele nunca jogou em outro
país, ele se atrapalhou e falou besteira (risos). Mas aí eu não agüentei e
entrei no meio, dizendo: “Só se ele fosse
um astronauta, né?” (risos). Depois
todo mundo começou a rir e parou a briga. Essa turminha é demais!

Sou torcedor do São Paulo, por este motivo nunca gostei do Ronaldo como jogador... o cara fechava o gol!!! Muita sacanagem...
ResponderExcluirGosto do Ronaldo como comentarista, pois fala o que tem que falar e isso é muito bom para nós que amamos o futebol...
Bela reportagem....
DA LHE CURINTIAAAAA D.J.
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