domingo, 16 de fevereiro de 2014

BOAS NOVAS!


Foto: Divulgação
Em 2014, os fãs do grupo Ultraje a Rigor estão com motivos de sobra para comemorar... Além da banda planejar álbum inédito e bem diversificado – com canções que marcaram época – e ser cotada pelos principais festivais de música do país devido aos 30 anos de carreira, a chegada do novo programa “The Noite com Danilo Gentili” – com estreia prevista para o próximo mês - promete agitar a programação do SBT. E o Blog Sucesso® não perdeu a oportunidade de conversar com os músicos, para saber como estão os preparativos para este ano tão promissor! Quem bateu um papo bem descontraído conosco foi o vocalista Roger, que explicou as razões do Ultraje ser considerado como a primeira grande banda de rock nacional dos anos 80. Exclusivo!



SL: Roger, quando e como surgiu o grupo Ultraje a Rigor?
RO: O Ultraje surgiu no final de 1981. Inicialmente, a gente se reunia em tom de brincadeira, mas tudo acabou dando certo e começamos a tocar em festinhas. Foi muito legal, porque depois a gente começou a procurar estabelecimentos comerciais para se apresentar como banda cover. Eu tinha muita vontade de tocar em bares da cidade, mas com o cenário musical da época, quem tocava na noite não tinha a menor possibilidade de fazer sucesso. Nós apenas começamos a compor canções após interagir com outras bandas e músicos. Foi um processo natural, fizemos a coisa certa, na hora certa.

SL: Em 1985, o Ultraje a Rigor ficou nacionalmente conhecido pelo álbum ‘Nós Vamos Invadir Sua Praia’, que trouxe o primeiro disco de ouro e platina para o rock nacional. O mesmo álbum, mais tarde, acabou sendo consagrado como o "melhor álbum de rock nacional" pela Revista MTV, tornando a banda como um grande marco no cenário da música brasileira. Em sua opinião, a que se deve este sucesso?
RO: Posso dizer que a gente “quebrou um tabu”. Normalmente, o artista que fazia muito sucesso logo no disco de estreia, depois acabava sumindo da mídia de forma muito rápida. Mas com a gente foi diferente, emplacamos vários álbuns seguidos graças à nossa simpatia (risos). Na verdade, o Ultraje é meio “antena” e conseguiu ser porta-voz de uma geração, nunca de maneira panfletária, mas de um jeito debochado e implicante. Com um pouco de prática e experiência, a gente conseguia colocar todo o público do barzinho para dançar, sendo mais um forte atrativo, além da bebida e da boa conversa que eles encontravam por lá. Para conquistar o público, a gente fazia praticamente de tudo e até descia do palco (risos). Sinto falta disso nos dias de hoje, porque há muita vaidade no meio artístico atual. Em minha opinião, o artista tem que ser o cara que gosta de servir, agradar e viver do aplauso. Não basta ter beleza física, ele precisa ter praticamente as características de um DJ, ou seja, ficar atento ao que o público gosta e ser flexível às novas tendências, se adequando às mudanças que forem necessárias.

SL: Algumas canções polêmicas como “O Chiclete” e “Volta Comigo” foram censuradas na época de lançamento. Nos dias atuais, você acha que a censura ainda prevalece no Brasil?
RO: Sim, ela ainda prevalece, só que de forma diferente - uma espécie de censura de esquerda. Aquela que impõe que todos precisam pensar, falar, agir e ser igual, uns aos outros. Não admite contrariedades ou controvérsias. Atualmente, muitas piadas ainda são discriminadas por serem associadas ao preconceito de raça, cor, etnia, nível social, religião, orientação sexual ou características físicas, mas em muitos casos, não tem nada a ver com isso. E nem precisa partir necessariamente de um órgão de censura, a própria pressão da sociedade ou do governo são suficientes. O Ultraje surgiu em 1981, a ditadura militar terminou em 1985, mas a censura só acabou oficialmente em 1988. E a gente resolveu lançar a canção “Filha da Puta” para ver se realmente tinha acabado, mas houve polêmica. A gente enfrentou a censura “dos bons costumes”, vamos dizer assim. A própria rádio tirava o palavrão da música, mesmo não se importando com o conteúdo ideológico da letra, por exemplo. Acho que hoje em dia é ainda pior, pois se não podem utilizar alguma lei específica, eles arrumam qualquer outra forma de censura.

SL: Várias músicas do Ultraje já foram selecionadas como trilhas de novelas ou temas de personagens, assim como a canção “Pelado” - tema de abertura da novela global “Brega & Chique” exibida em 1987. Recentemente, a música “Nada a Declarar” foi escolhida como trilha de abertura do programa “Junto & Misturado” da Rede Globo. Geralmente, como é realizado este tipo de seleção?
RO: Com relação à música ‘Pelado’, a gente soube ao ver o anúncio na tevê (risos). Houve grande surpresa para todo o grupo – olha, é a nossa música que está tocando na televisão! (risos). Nós adoramos a homenagem, mas nunca fizemos nada específico para a novela. “Inútil” também entrou como trilha, mas sem muita repercussão, porque não era o tema do protagonista principal. “Nada a Declarar” também já foi utilizada anteriormente na novela ‘Malhação’. Trilha de abertura de novela é sempre um posto cobiçadíssimo, porque a música fica muito conhecida ao ser reproduzida nas rádios com maior freqüência. Mas no caso do Ultraje, tudo aconteceu ao contrário. O grupo já estava bem famoso e as canções foram escolhidas justamente pelo sucesso que já tinham alcançado. Reconheço que isso ajudou a divulgar o nosso trabalho no exterior, nos países que compraram tal novela para exibição. Somos muito gratos a isso, pois assim podemos atingir um público bem maior e diversificado. No caso do programa “Junto & Misturado”, o Bruno Mazzeo conversou diretamente com a gente e pediu autorização de uso da música.  E nós autorizamos, com o maior prazer, dentro dos procedimentos legais dos direitos autorais. Eu, particularmente, fico muito feliz em saber que as pessoas queiram utilizar as nossas canções ou fazem novas versões em ritmos diferentes. Para ser bem sincero, são estilos que muitas vezes eu não curto, mas acho que esta é uma forma de reconhecimento do nosso trabalho e fico muito satisfeito.

SL: A biografia “Nós Vamos Invadir sua Praia” foi lançada em 2011 pela Editora Belas Letras, trazendo histórias, fotos, depoimentos e curiosidades sobre o Ultraje a Rigor. Para a banda, como foi a repercussão após o lançamento do livro?
RO: Inicialmente, a jornalista Andréa Ascenção estava pesquisando a nossa história de vida e fez um projeto para o TCC da faculdade. Alguns anos depois, ela me procurou novamente para dizer que incrementou o projeto, fato que resultou em um livro muito bacana e que ela pretendia promover seu lançamento. Mas na verdade, o Ultraje não teve nenhum envolvimento direto com este livro, ou seja, fomos apenas homenageados. Recentemente, sugeri que ela lançasse a obra em formato digital – e-book – porque esta seria a nossa única biografia completa e oficial até o momento, nós gostamos desta tecnologia e o acesso ou divulgação se tornam mais fáceis via internet. Nós também recebemos várias menções em determinados livros como “Brock” - de Arthur Dapieve – e “Dias de Luta: O Rock e o Brasil nos Anos 80” – de Ricardo Alexandre. A repercussão é sempre positiva, quando retratada com verdade, respeito e de forma a elevar o nome da banda no mercado da música. Nós agradecemos este carinho com o nosso trabalho.

SL: O grupo Ultraje a Rigor fez parte do elenco fixo do programa “Agora é Tarde”, comandado pelo talentoso apresentador Danilo Gentili e exibido pela TV Bandeirantes. Recentemente, se prepara para um novo desafio ao lado do apresentador, devido à mudança de emissora. Como está sendo esta experiência na televisão?
 
RO: Está sendo maravilhosa! O Danilo Gentili me procurou pessoalmente em 2010, dizendo que queria fazer este tipo de programa ‘talk-show’. Como eu sempre fui fã dos apresentadores norte-americanos David Letterman e Johnny Carson, eu sabia exatamente o que teria que fazer na atração e fiquei muito animado com o projeto. O Ultraje sempre teve esta personalidade divertida e debochada, onde um ficava tirando sarro do outro o tempo inteiro (risos). Praticamente, posso dizer que eu nasci junto com o rock, em 1956. Acabei vivenciando todas as variações do rock ao longo dos anos. E todas estas vertentes foram influências para a formação do Ultraje. A gente curtia música de filme antigo, desenho animado, comercial, enfim, a gente ampliou a nossa bagagem cultural e aprendeu a tocar um pouco de tudo, fatores que se encaixaram perfeitamente com o repertório do programa, se adequando à determinada situação com agilidade e improviso. Logo de início, houve uma interação muito boa com toda a equipe de produção, comediantes e roteiristas. Minha única preocupação era não conseguir me acostumar com um vínculo de trabalho fixo, porque há mais de 30 anos que eu não vivia essa experiência. Mas é um horário muito tranqüilo e que nos permite continuar fazendo shows e participando de festivais, paralelamente. Apesar de ter diminuído o ritmo das turnês - por conta da difícil disponibilidade para viagens constantes ao longo do país - tocar é algo que a gente realmente gosta de fazer. Aspectos do novo programa no SBT eu ainda não posso revelar, mas aguardem boas risadas! (risos). Esta experiência na televisão está sendo sensacional...

SL: Outras novidades para 2014?
RO: Além da nossa estreia no SBT com grandes perspectivas, o Ultraje tem recebido muitos pedidos de fãs incentivando a gravação das músicas alternativas que tocam no programa. O mais gratificante é poder mostrar os grandes clássicos do rock para essa nova geração de jovens. A gente acompanha a repercussão no Twitter, as pessoas pedem várias informações sobre as músicas porque realmente não as conhecem. O rock não é apenas atitude, mas um gênero muito variado que sofre constantes modificações ao longo dos anos, onde cada década expressa e representa um estilo musical bem distinto. Hoje em dia, é a mesma realidade, mas o rock está perdendo todo este marketing, sendo representado por artistas muito vaidosos e preocupados excessivamente com visual, clipes e propaganda... A música, de fato, fica faltando. Por isso, a gente acha interessante divulgar a qualidade do rock entre os anos 50 e 90. Basicamente, este seria o nosso foco, o resgate do bom e velho ‘rock and roll’.

SL: E para saber mais sobre a banda Ultraje a Rigor?
RO: Nós adoramos dispor das redes sociais como base para medir o nível de satisfação dos fãs. É um ótimo canal de comunicação com quem prestigia o nosso trabalho. Nós disponibilizamos o Site - www.ultraje.com, Twitter - @Roxmo, @Mingaubass, @bacalhas, @MarcosKleine, @UltrajeOficial, Myspace, Orkut, Facebook, Instagram e ainda temos até aquelas redes que ninguém usa mais (risos).

SL: Para finalizar, qual a dica que você deixaria para as novas bandas de rock que estão surgindo no Brasil?
RO: As novas bandas de rock precisam conhecer todas as vertentes da música. Não basta copiar aquilo que você gosta, pois o processo de formação da maior parte das bandas que alcançaram seus objetivos não foi baseado em cópia de algo. Eles conseguiram criar a sua própria identidade, um estilo único e inovador e, por isso, são merecedores do sucesso. Na década de 80, por exemplo, cada banda que a gente admirava tinha seu próprio estilo como: Titãs, Ira, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, enfim, atualmente a gente vê um monte de banda igual porque uma copia a outra... E isso é lamentável. Então, o músico precisa gostar muito da sua profissão, porque precisa praticar bastante. O reconhecimento só pode vir do público e não existem as famosas “indicações” no mundo da música. O artista só consegue a realização se realmente for bom naquilo que faz. É um bom parâmetro para você refletir se está na carreira certa ou não. A minha dica para os músicos individuais é experimentar todas as possibilidades. Se você ainda não conseguiu montar seu próprio grupo, pode tentar integrar bandas de determinado programa de televisão, montar banda cover, gravar em estúdio independente, tocar em barzinhos, acompanhar cantores em outros segmentos musicais – músicos de apoio - entre outras formas. O importante é tentar permanecer no meio, persistir aos desafios, fazer contatos e se sustentar pela música, rumo à carreira paralela. Em outras palavras, vida de músico é só para quem realmente gosta muito. Se você optou somente por questões de vaidade, é melhor procurar outra ocupação para recomeçar. Que tal ser modelo fotográfico? (risos). 



4 comentários:

  1. Parabénsssss por mais uma entrevista espetacular!!!Eles são incríveis,tocam um excelente rock e suas músicas são bem ousadas!!!É disso que o Brasil precisa, de pessoas, que de uma forma ou de outra conseguem contribuir para que diminuam cada vez mais os preconceitos.Além dessas músicas polêmicas que eles cantaram e que algumas foram até proibidas na época, é deles também a música EU GOSTO DE MULHER, também cantada na voz da maravilhosa Ana Carolina.

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  2. Ultraje a Rigor....
    Lembro quando foi em um teatro, não lembro o nome dele, só lembro que era na Al.Nothman em um horario alternativo, 0h00. Poucas pessoas conhecia suas musicas.
    Esta banda fez parte da minha juventude e foi bom demais ler esta reportagem... resgatou várias lembranças...
    Obrigado Susana pela oportunidade...

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  3. ANSIOSA PRA VER A ESTRÉIA NO SBT ELES SÃO DEMAIS >>>> D.J.

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  4. Muito boa a entrevista com esse ícone do rock'n'roll brazuca. Roger é simplesmente uma pessoa inteligentíssima. Com certeza, posso afirmar que será a melhor entrevista do ano. Prabéns ao blog SUCESSO. Pedro Garfunkel (Empresário, Técnico em Segurança do Trabalho e Supervisor de Segurança Patrimonial e de equipes de Bombeiros)

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