| Foto: Susana Lima |
Senhoras
e senhores, abram alas para o locutor Dudu Braga, da Nativa FM! Muito além de ser considerado
como o “Filho do Rei”- título recebido com muito orgulho - veja na entrevista
exclusiva concedida ao Blog Sucesso® quais as razões pelas quais Dudu
é reconhecido como ídolo e um grande símbolo de força, superação, simpatia,
amor e vida.
SL: Seu nome de batismo é
Roberto Carlos Braga II. Quando e como se originaram os apelidos “Segundinho” e
“Dudu”?
DB: O apelido Segundinho se originou
do meu próprio nome, porque ostenta algo de realeza, uma vez que meu pai é
considerado como rei. Mas eu prefiro o apelido Dudu, que surgiu quando eu tinha
apenas três anos de idade. Minha tia Vera cantava para mim todos os dias a música
“O Sorriso do Dudu” do cantor Eduardo Araújo e, como a pronúncia era simples, eu
gostei muito deste apelido, que acabou se tornando meu nome artístico
posteriormente.
SL: Quando você descobriu
a paixão pelo surf?
DB: A paixão pelo surf surgiu por volta dos meus doze anos. Eu adoro
futebol, mas nunca joguei bem. Por isso, alguns amigos do colégio me
apresentaram ao surf, esporte que é considerado como uma filosofia de vida
porque está inteiramente conectado à natureza e à questão ecológica. E essa
sensação de liberdade me permite permanecer no surf até hoje.
SL: Após enfrentar inúmeras
dificuldades e cirurgias exaustivas em decorrência da doença do glaucoma, o que
provocou o descolamento da retina em seus olhos? Houve algum acidente
significativo que ocasionasse o seu problema na visão?
DB: Na verdade, não. Eu nasci com glaucoma e isso me fazia evitar atividades
com risco de impacto, pois poderia provocar descolamento de retina. Sendo assim,
os meus cuidados sempre foram redobrados. Mas quando eu completei 22 anos, aconteceu
esse problema em decorrência do próprio glaucoma.
SL: Dudu, você é
apresentador de TV, locutor, produtor musical, empresário e formado em publicidade. Adora
cantar e tocar bateria. E com este vasto currículo, podemos dizer que as
limitações provocadas pela deficiência visual não prejudicaram as suas
conquistas. Qual foi o impacto desta adversidade em sua vida?
DB: O impacto foi grande. Na fase da adaptação, não houve tanta mudança em
relação à minha personalidade ou maneira de ser, porque eu sempre cultivei e preservei
a humildade. Mas minha vida mudou radicalmente na questão da locomoção, do
acesso à informação, da percepção quanto à importância do envolvimento das
pessoas nas questões sociais e, principalmente, da dependência de outras pessoas
nas tarefas rotineiras mais simples. Conhecendo as minhas limitações, aprendi a
optar por áreas profissionais mais viáveis e possíveis para quem não pode
enxergar.
SL: E como você lida com
esta experiência atualmente? Qual é a sua maior dificuldade no dia-a-dia?
DB: A minha maior dificuldade atual é convencer a minha esposa de que eu não
quero ir ao oftalmologista (risos). Para ser sincero, a minha questão visual
não interfere em meus problemas. Voltar a enxergar deixou de ser meu objetivo
de vida, faz parte dos meus anseios do passado. Encarando e aceitando os fatos,
a minha dificuldade hoje é lidar com os problemas familiares, pagar as contas,
ou seja, a adversidade é a mesma de qualquer outra pessoa.
SL: Nos dias de hoje,
você acha que os deficientes visuais encontram muitos problemas no convívio em
sociedade? Existe algum tipo de preconceito?
DB: Infelizmente sim. Muitas vezes, o preconceito aparece de uma forma nem
tão explícita ou agressiva, mas ele persiste. Posso afirmar que, inclusive, algumas
pessoas deficientes também são preconceituosas e não conseguem interagir em sociedade. Mas a melhor maneira de
combater o preconceito é a propagação da informação. É integrar crianças com
variados tipos de deficiência em escolas regulares, por exemplo. Embora a caminhada
do deficiente seja mais difícil, atualmente existem ferramentas que
possibilitam certa independência e capacidade.
SL: Sua marca registrada
é, de fato, a alegria. Como manter sempre este alto-astral?
DB: Eu sempre fui uma pessoa extremamente feliz e de bem com a vida. Não
posso negar que a alegria é algo que me ajuda. Eu já tenho uma barreira que é a
própria deficiência, geralmente as pessoas tendem a se afastar porque não sabem
como agir, não querem magoar ou cometer gafes com determinados tipos de
comentários. Por essa razão, o meu sorriso tenta ultrapassar restrições ou
zelos excessivos. Gosto de fazer piada com o meu próprio problema. Abrindo os
caminhos, tudo se torna mais fácil para mim mesmo.
SL: Quais os programas
que você já apresentou no rádio e na televisão?
DB: Há quatorze anos eu apresento “As Canções que Você Fez Para Mim” na
Nativa FM. Quanto à televisão, apresentei os programas “Vida em Movimento” na
TV Cultura, “Ressoar” na TV Record, além do programa “É Preciso Saber Viver” no
horário nobre da Rede Globo.
SL: Em seu programa
atual “As canções que você fez para mim” que encanta os ouvintes da rádio
Nativa FM em todas as manhãs, você apresenta os maiores sucessos da carreira do
seu pai, o Rei Roberto Carlos. Qual é a sua música preferida?
DB: Dentre as românticas, a que eu mais gosto é “Olha”. Mas “As flores do
jardim da nossa casa”, “Todos estão
surdos” e “Nossa Senhora” são músicas especiais para mim, porque marcaram momentos,
ocasiões e lembranças boas em minha vida.
SL: E como é a relação
com seu pai? O que a família significa para você?
DB: Família é o berço de tudo. Minha mãe era extremamente protetora, mas
quando tive meu problema de visão, ela já havia falecido. Sendo assim, meu pai
me apoiava em dobro. Ele
sempre foi muito rígido, porém compreensivo e presente em todos os momentos. Ele
pode até ter influenciado indiretamente a minha busca pela área musical, mas eu
tinha liberdade para escolher o caminho que eu queria percorrer. Eu também sou
pai e sei que cuidar dos filhos é uma tarefa complicada hoje em dia. Mas a família é
realmente essencial nesse processo de educação dos filhos, muito além das
responsabilidades adquiridas pela escola.
SL: Qual é o seu maior
ídolo?
DB: Além do meu pai, meu maior ídolo é o John Bonham, ex-baterista do Led Zeppelin, que infelizmente já faleceu. Admiro também a garra e
o talento do surfista santista Picuruta Salazar, campeão inúmeras vezes por
suas habilidades bem radicais. E como um bom corinthiano que sou, meu ídolo no
futebol é o Neto que, posteriormente, acabou se tornando meu companheiro de
trabalho com muita honra.
SL: Além do surf, quais são as
suas outras paixões?
DB: Eu gosto de tocar bateria e fazer ginástica para extravasar as energias
(risos).
SL: E o que não te faz
feliz?
DB: Mentira, falsidade e oportunismo. Embora reconheça que o oportunismo
pode até ser oportuno em determinados casos... Em outras palavras, muitas
pessoas que me procuram apenas para facilitar o acesso ao meu pai podem, de fato,
ser interessantes para mim também. Primeiramente, eu costumo ouvir a todos e
não recuso nenhuma proposta. Acredito que podem surgir grandes ideias de onde
você menos imagina!
SL: Qual foi a
repercussão pública durante a sua participação na novela “América”, exibida na
Rede Globo?
DB: Foi sensacional! Inicialmente seria apenas uma entrevista, uma espécie
de participação exclusiva e única na novela, porque é um assunto complexo para
se colocar na grade de programação. Mas tudo deu tão certo que a autora Glória Perez
resolveu incluir o programa “É preciso saber viver” nos episódios de toda a trama
e conseguiu unir histórias reais com ficção de uma forma brilhante! Foi uma
experiência maravilhosa porque eu não sou ator, mas vivenciava o meu próprio
personagem. E eu tinha total liberdade para dizer o que eu queria.
SL: O que você sente ao
conviver com o sucesso e ser considerado como um exemplo de superação para
tantas pessoas?
DB: Sinto-me lisonjeado em ser um vencedor, admirado e reconhecido pelo meu
trabalho ou filosofia de vida. Mas é preciso ressaltar que a mídia mitifica e
desumaniza a pessoa, infelizmente. Sou contra qualquer tipo de idolatria
exagerada. Sou uma pessoa normal, com qualidades e defeitos iguais a todas as
outras.
SL: Em sua opinião, qual
a principal lição de vida que podemos transmitir ao próximo?
DB: Manter expectativas compatíveis com a nossa realidade, evitando
frustrações. Você pode sonhar em ser cantor, mas não deveria almejar ser o Roberto
Carlos, por exemplo. Costumo juntar uma frase do Che Guevara com uma frase do
meu pai que diz assim: “A gente tem que endurecer sem perder a ternura” e,
respectivamente, “Quem espera que a vida seja feita de ilusão, pode até ficar
maluco ou morrer na solidão”. E eu concordo plenamente com ambas as afirmações,
porque temos que perder a ilusão sem perder a esperança.
SL: No âmbito
profissional, quais são os seus novos projetos para os próximos anos?
DB: Pretendo continuar palestrando sobre o rei Roberto e as minhas vivências
pessoais, pois adoro realizar palestras motivacionais. Tenho uma coluna
cultural de novidades e lançamentos artísticos na Revista TiTiTi. Afinal, todo
mundo gosta de uma boa fofoca, não é verdade? (risos) Na Nativa FM, meu
programa matinal é um sucesso, graças a Deus! Sou extremamente apaixonado pelo
rádio... Já pensei em escrever um livro relatando a minha história de vida ou,
de preferência, uma biografia belíssima sobre a minha mãe. E, além disso, estou
em fase de negociação com algumas emissoras de televisão sobre propostas de
possíveis programas de entretenimento. Vem novidades por aí...
SL: E para saber mais a
respeito de Dudu Braga?
DB: Meu site ainda está em fase de construção, mas deixo o e-mail de contato
do programa - ascancoes@nativa.com.br. Recebemos
todos os recadinhos com o maior carinho.
SL: Dudu, agradecemos
esta honrada entrevista concedida e desejamos muito sucesso, hoje e sempre, em
sua vida. Poderia deixar uma mensagem aos nossos leitores?
DB: Muito obrigada a toda equipe do Blog Sucesso®. Costumo falar
diariamente em meu programa “um beijo no coração de todos e muito obrigada pelo
carinho que meu pai e eu recebemos a cada dia”. É um sentimento grandioso fazer
parte da vida das pessoas. E para quem quiser seguir carreira na música, a palavra-chave
é persistência. Tudo acontece no tempo certo. Então não desanime, persista!
Parabénssss !!!Como sempre você postando cada dia que passa ótimas matérias com pessoas incríveis....Ele é um exemplo de pessoa,principalmente em uma sociedade tao preconceituosa como a nossa e que apesar de estar evoluindo na inclusão social ainda falta muito para atingir seus objetivos.
ResponderExcluirbonita estoria de vida
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