domingo, 22 de junho de 2014

PALMAS & REVERÊNCIAS


Foto: Susana Lima



Senhoras e senhores, abram alas para o locutor Dudu Braga, da Nativa FM! Muito além de ser considerado como o “Filho do Rei”- título recebido com muito orgulho - veja na entrevista exclusiva concedida ao Blog Sucesso® quais as razões pelas quais Dudu é reconhecido como ídolo e um grande símbolo de força, superação, simpatia, amor e vida.




SL: Seu nome de batismo é Roberto Carlos Braga II. Quando e como se originaram os apelidos “Segundinho” e “Dudu”?
DB: O apelido Segundinho se originou do meu próprio nome, porque ostenta algo de realeza, uma vez que meu pai é considerado como rei. Mas eu prefiro o apelido Dudu, que surgiu quando eu tinha apenas três anos de idade. Minha tia Vera cantava para mim todos os dias a música “O Sorriso do Dudu” do cantor Eduardo Araújo e, como a pronúncia era simples, eu gostei muito deste apelido, que acabou se tornando meu nome artístico posteriormente.

SL: Quando você descobriu a paixão pelo surf?
DB: A paixão pelo surf surgiu por volta dos meus doze anos. Eu adoro futebol, mas nunca joguei bem. Por isso, alguns amigos do colégio me apresentaram ao surf, esporte que é considerado como uma filosofia de vida porque está inteiramente conectado à natureza e à questão ecológica. E essa sensação de liberdade me permite permanecer no surf até hoje.

SL: Após enfrentar inúmeras dificuldades e cirurgias exaustivas em decorrência da doença do glaucoma, o que provocou o descolamento da retina em seus olhos? Houve algum acidente significativo que ocasionasse o seu problema na visão?
DB: Na verdade, não. Eu nasci com glaucoma e isso me fazia evitar atividades com risco de impacto, pois poderia provocar descolamento de retina. Sendo assim, os meus cuidados sempre foram redobrados. Mas quando eu completei 22 anos, aconteceu esse problema em decorrência do próprio glaucoma.

SL: Dudu, você é apresentador de TV, locutor, produtor musical, empresário e formado em publicidade. Adora cantar e tocar bateria. E com este vasto currículo, podemos dizer que as limitações provocadas pela deficiência visual não prejudicaram as suas conquistas. Qual foi o impacto desta adversidade em sua vida?
DB: O impacto foi grande. Na fase da adaptação, não houve tanta mudança em relação à minha personalidade ou maneira de ser, porque eu sempre cultivei e preservei a humildade. Mas minha vida mudou radicalmente na questão da locomoção, do acesso à informação, da percepção quanto à importância do envolvimento das pessoas nas questões sociais e, principalmente, da dependência de outras pessoas nas tarefas rotineiras mais simples. Conhecendo as minhas limitações, aprendi a optar por áreas profissionais mais viáveis e possíveis para quem não pode enxergar.

SL: E como você lida com esta experiência atualmente? Qual é a sua maior dificuldade no dia-a-dia?
DB: A minha maior dificuldade atual é convencer a minha esposa de que eu não quero ir ao oftalmologista (risos). Para ser sincero, a minha questão visual não interfere em meus problemas. Voltar a enxergar deixou de ser meu objetivo de vida, faz parte dos meus anseios do passado. Encarando e aceitando os fatos, a minha dificuldade hoje é lidar com os problemas familiares, pagar as contas, ou seja, a adversidade é a mesma de qualquer outra pessoa.

SL: Nos dias de hoje, você acha que os deficientes visuais encontram muitos problemas no convívio em sociedade? Existe algum tipo de preconceito?
DB: Infelizmente sim. Muitas vezes, o preconceito aparece de uma forma nem tão explícita ou agressiva, mas ele persiste. Posso afirmar que, inclusive, algumas pessoas deficientes também são preconceituosas e não conseguem interagir em sociedade.  Mas a melhor maneira de combater o preconceito é a propagação da informação. É integrar crianças com variados tipos de deficiência em escolas regulares, por exemplo. Embora a caminhada do deficiente seja mais difícil, atualmente existem ferramentas que possibilitam certa independência e capacidade.

SL: Sua marca registrada é, de fato, a alegria. Como manter sempre este alto-astral?
DB: Eu sempre fui uma pessoa extremamente feliz e de bem com a vida. Não posso negar que a alegria é algo que me ajuda. Eu já tenho uma barreira que é a própria deficiência, geralmente as pessoas tendem a se afastar porque não sabem como agir, não querem magoar ou cometer gafes com determinados tipos de comentários. Por essa razão, o meu sorriso tenta ultrapassar restrições ou zelos excessivos. Gosto de fazer piada com o meu próprio problema. Abrindo os caminhos, tudo se torna mais fácil para mim mesmo.

SL: Quais os programas que você já apresentou no rádio e na televisão?
DB: Há quatorze anos eu apresento “As Canções que Você Fez Para Mim” na Nativa FM. Quanto à televisão, apresentei os programas “Vida em Movimento” na TV Cultura, “Ressoar” na TV Record, além do programa “É Preciso Saber Viver” no horário nobre da Rede Globo.

SL: Em seu programa atual “As canções que você fez para mim” que encanta os ouvintes da rádio Nativa FM em todas as manhãs, você apresenta os maiores sucessos da carreira do seu pai, o Rei Roberto Carlos. Qual é a sua música preferida?
DB: Dentre as românticas, a que eu mais gosto é “Olha”. Mas “As flores do jardim da nossa casa”, Todos estão surdos” e “Nossa Senhora” são músicas especiais para mim, porque marcaram momentos, ocasiões e lembranças boas em minha vida.

SL: E como é a relação com seu pai? O que a família significa para você?
DB: Família é o berço de tudo. Minha mãe era extremamente protetora, mas quando tive meu problema de visão, ela já havia falecido. Sendo assim, meu pai me apoiava em dobro. Ele sempre foi muito rígido, porém compreensivo e presente em todos os momentos. Ele pode até ter influenciado indiretamente a minha busca pela área musical, mas eu tinha liberdade para escolher o caminho que eu queria percorrer. Eu também sou pai e sei que cuidar dos filhos é uma tarefa complicada hoje em dia. Mas a família é realmente essencial nesse processo de educação dos filhos, muito além das responsabilidades adquiridas pela escola.

SL: Qual é o seu maior ídolo?
DB: Além do meu pai, meu maior ídolo é o John Bonham, ex-baterista do Led Zeppelin, que infelizmente já faleceu. Admiro também a garra e o talento do surfista santista Picuruta Salazar, campeão inúmeras vezes por suas habilidades bem radicais. E como um bom corinthiano que sou, meu ídolo no futebol é o Neto que, posteriormente, acabou se tornando meu companheiro de trabalho com muita honra.

SL: Além do surf, quais são as suas outras paixões?
DB: Eu gosto de tocar bateria e fazer ginástica para extravasar as energias (risos).

SL: E o que não te faz feliz?
DB: Mentira, falsidade e oportunismo. Embora reconheça que o oportunismo pode até ser oportuno em determinados casos... Em outras palavras, muitas pessoas que me procuram apenas para facilitar o acesso ao meu pai podem, de fato, ser interessantes para mim também. Primeiramente, eu costumo ouvir a todos e não recuso nenhuma proposta. Acredito que podem surgir grandes ideias de onde você menos imagina!

SL: Qual foi a repercussão pública durante a sua participação na novela “América”, exibida na Rede Globo?
DB: Foi sensacional! Inicialmente seria apenas uma entrevista, uma espécie de participação exclusiva e única na novela, porque é um assunto complexo para se colocar na grade de programação. Mas tudo deu tão certo que a autora Glória Perez resolveu incluir o programa “É preciso saber viver” nos episódios de toda a trama e conseguiu unir histórias reais com ficção de uma forma brilhante! Foi uma experiência maravilhosa porque eu não sou ator, mas vivenciava o meu próprio personagem. E eu tinha total liberdade para dizer o que eu queria.

SL: O que você sente ao conviver com o sucesso e ser considerado como um exemplo de superação para tantas pessoas?
DB: Sinto-me lisonjeado em ser um vencedor, admirado e reconhecido pelo meu trabalho ou filosofia de vida. Mas é preciso ressaltar que a mídia mitifica e desumaniza a pessoa, infelizmente. Sou contra qualquer tipo de idolatria exagerada. Sou uma pessoa normal, com qualidades e defeitos iguais a todas as outras.

SL: Em sua opinião, qual a principal lição de vida que podemos transmitir ao próximo?
DB: Manter expectativas compatíveis com a nossa realidade, evitando frustrações. Você pode sonhar em ser cantor, mas não deveria almejar ser o Roberto Carlos, por exemplo. Costumo juntar uma frase do Che Guevara com uma frase do meu pai que diz assim: “A gente tem que endurecer sem perder a ternura” e, respectivamente, “Quem espera que a vida seja feita de ilusão, pode até ficar maluco ou morrer na solidão”. E eu concordo plenamente com ambas as afirmações, porque temos que perder a ilusão sem perder a esperança.
  
SL: No âmbito profissional, quais são os seus novos projetos para os próximos anos?
DB: Pretendo continuar palestrando sobre o rei Roberto e as minhas vivências pessoais, pois adoro realizar palestras motivacionais. Tenho uma coluna cultural de novidades e lançamentos artísticos na Revista TiTiTi. Afinal, todo mundo gosta de uma boa fofoca, não é verdade? (risos) Na Nativa FM, meu programa matinal é um sucesso, graças a Deus! Sou extremamente apaixonado pelo rádio... Já pensei em escrever um livro relatando a minha história de vida ou, de preferência, uma biografia belíssima sobre a minha mãe. E, além disso, estou em fase de negociação com algumas emissoras de televisão sobre propostas de possíveis programas de entretenimento. Vem novidades por aí...

SL: E para saber mais a respeito de Dudu Braga?
DB: Meu site ainda está em fase de construção, mas deixo o e-mail de contato do programa - ascancoes@nativa.com.br. Recebemos todos os recadinhos com o maior carinho.

SL: Dudu, agradecemos esta honrada entrevista concedida e desejamos muito sucesso, hoje e sempre, em sua vida. Poderia deixar uma mensagem aos nossos leitores?
DB: Muito obrigada a toda equipe do Blog Sucesso®. Costumo falar diariamente em meu programa “um beijo no coração de todos e muito obrigada pelo carinho que meu pai e eu recebemos a cada dia”. É um sentimento grandioso fazer parte da vida das pessoas. E para quem quiser seguir carreira na música, a palavra-chave é persistência. Tudo acontece no tempo certo. Então não desanime, persista! 

2 comentários:

  1. Parabénssss !!!Como sempre você postando cada dia que passa ótimas matérias com pessoas incríveis....Ele é um exemplo de pessoa,principalmente em uma sociedade tao preconceituosa como a nossa e que apesar de estar evoluindo na inclusão social ainda falta muito para atingir seus objetivos.

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