domingo, 23 de novembro de 2014

PALMAS & REVERÊNCIAS



Foto: Roberto Nemani / Divulgação


Nosso entrevistado de hoje é considerado um “Show Man”. Formado em Marketing e pós-graduado em Psicodrama, ele também é ator, professor e diretor de improvisação teatral, humorista, comediante, apresentador de televisão, palestrante, mestre de cerimônias e especialista na linguagem de palhaço. Ufa! Quantas qualificações profissionais, sem contar todas as suas qualidades pessoais como: simpatia, humildade, honestidade, versatilidade, competência e solidariedade. É... Todos esses atributos tornam o aniversariante do mês Marcio Ballas um artista ímpar e admirado por todos! Confira a entrevista exclusiva concedida ao Blog Sucesso®.





SL: Marcio, como foi o início da sua carreira?
MB: Minha carreira artística começou por volta dos 27 anos. Após me formar em Marketing, comecei a estudar teatro e, paralelamente, fiz um curso de clown – palhaço. Fiquei encantado com esse universo e larguei tudo aqui no Brasil para estudar em Nova Iorque. Posteriormente, fui a Paris aprimorar meus conhecimentos na Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq, referência no assunto e pioneiro em trazer essa linguagem do palhaço ao teatro. Estudei, pesquisei e trabalhei muito por lá durante três anos. E conheci o projeto dos Palhaços sem Fronteiras, uma organização muito especial que fazia expedições em locais de guerra e regiões de conflito. Fiquei um ano em Madagascar, depois visitei os campos de refugiados no Kosovo, enfim, obtive grandes experiências. Quando retornei ao Brasil, passei a integrar a equipe dos Doutores da Alegria, onde permaneci por quatro anos. Iniciei uma grande parceria com o César Gouvêa que, mais tarde, me ajudou na criação do espetáculo Jogando no Quintal - um dos mais antigos do Brasil e que começou bem despretensioso, mas que foi crescendo e se tornando comercial ao longo dos anos. Esse foi o ponto de partida para nos motivar ainda mais a aprofundar nossos estudos, buscar outros espetáculos e prosseguir pesquisando a linguagem do improviso sem propriamente a figura do palhaço. Começamos a participar de Festivais de Improviso na Argentina, Chile, Colômbia, Espanha, Peru e Uruguai. A partir daí, comecei a contar a minha historinha de vida.
  
SL: É verdade que você participou do movimento juvenil judaico Habonim Dror? Como foi a sua preparação e as experiências profissionais que você adquiriu em diversos países do mundo?
MB: Sim. Quando eu era pequeno fiz parte desse movimento, uma espécie de acampamento que realizava práticas de jogos, brincadeiras e iniciação ao teatro. Foi uma oportunidade excelente, porque eu era muito tímido e precisava me soltar mais. Desde então comecei a me interessar pelo teatro, mas considerava apenas como uma atividade paralela... Até o momento em que eu entrei para a turma de teatro da faculdade ESPM - aceitando o convite do ator Dan Stulbach que era o diretor da peça na época – e me encantei pelas artes. Posso dizer que todas essas experiências foram muito gratificantes e me conduziram para um direcionamento profissional. Viajar é uma boa forma de praticar uma língua estrangeira, descobrir grupos que fazem Improviso fora do Brasil e trocar informações. Conhecendo outros talentos, organizamos o Improfest - Festival Internacional de Improviso – reunindo aqui as melhores seleções de improviso do mundo. Eles mostravam novos formatos de improviso e se encantavam com as nossas técnicas do palhaço, do lúdico, algo que ainda não tinham visto antes, pois somos pioneiros. Assim conseguimos abrir a porta do mercado internacional e participar de vários festivais ao redor do mundo. E fomos campeões na Colômbia, o que nos proporcionou um grande reconhecimento. Essa troca de culturas é sempre muito valiosa.
  
SL: Quem criou o divertido palhaço “João Grandão”? Quais os principais ensinamentos que você obteve ao integrar a equipe dos Doutores da Alegria?
MB: O nome foi criação minha. Mas, na verdade, costumamos dizer que o palhaço não é um personagem. Posso dizer que o João seria eu mesmo em um estado mais livre, sem barreiras e sem filtros. Desde o meu primeiro curso de palhaço, percebi o quanto isso me fascinava e resolvi me especializar e aprimorar as técnicas a cada dia, até determinar que este seria o meu objetivo de vida. Após o surgimento do João Grandão, comecei a me profissionalizar nesta linguagem do palhaço. Quando entrei para a equipe dos Doutores da Alegria, recebi ensinamentos que carrego comigo até os dias atuais... Principalmente o exercício do aqui agora, a importância de estar no momento presente, ou seja, lidar com tudo o que está acontecendo naquele instante. Por exemplo: no hospital você tem a dificuldade de interagir com os pais, a enfermeira e a criança ao mesmo tempo; se a criança chorar você precisa dar um passo para trás; se ela sorrir você se aproxima novamente. Além da bagagem do controle emocional, indispensável para lidar com determinadas situações daquelas crianças já bem debilitadas por algumas doenças. É muito gratificante receber este feedback imediato e trabalhar a resposta das pessoas através de um sorriso, levando um pouco de alegria para todos.
  
SL: Quais Festivais de Improvisação Teatral que mais marcaram ao longo da sua carreira?
MB: É difícil mencionar os mais marcantes, porque cada um teve a sua intensidade e a sua devida importância. Afinal, são aprendizagens diferentes. Mas posso destacar o primeiro festival que participamos lá na Colômbia, porque era o maior festival de teatro do mundo. Além de conhecer muita gente de vários países envolvidos, o fato de vencermos foi motivador e nos incentivou a prosseguir nesse mesmo caminho.  
  
SL: Quando está no palco em seus espetáculos, você segue algum roteiro ou é tudo improviso?
MB: Todos costumam me perguntar isso... (risos) Sim, posso garantir que é tudo improviso. Exceto nos programas de TV, onde normalmente tudo é roteirizado. Mas a graça do improviso é exatamente essa, não repetir a mesma cena, mas sim, criar algo inovador sempre. É este o nosso trabalho, treinar, estudar, pesquisar e estar livre, pronto, vivendo o momento presente... Dizer sim, aceitar ideias e criar naquele instante, para o público presenciar essa criação acontecendo durante o espetáculo.
  
SL: Em sua opinião, que tipo de humor o brasileiro mais curte?
MB: Não sei se há um tipo específico atualmente. Acho que é uma questão mais pessoal. Tem gente que gosta mais de pastelão, existem aqueles que curtem Stand-Up, alguns preferem o Improviso, outros preferem o humor de personagem, ou seja, não existe nada em especial que agrade mais ao brasileiro. Mas acho que a aceitação do Improviso no Brasil é um aspecto considerável. Isso porque o Improviso traz frescor ao espetáculo e as pessoas assistem algo que só vai acontecer ali, naquele exato momento. O público aprecia a cena que deu certo e também se diverte com uma cena que deu errado... Acho que esse é, de fato, o grande diferencial do Improviso.

SL: Atualmente, qual é o maior sonho de Marcio Ballas?
MB: Permanecer para sempre no ramo do Improviso, do palhaço e do lúdico. É morrer nos palcos, improvisando até o último minuto de vida (risos).
  
SL: O programa “É Tudo Improviso”, na TV Bandeirantes, deixou saudades?
MB: Sim, muitas. Fiquei feliz em saber que o Canal TBS está reapresentando os episódios do programa. Por ser o nosso primeiro em TV aberta, ele foi muito marcante para todos os integrantes. Era um projeto que nós próprios criamos e pudemos perceber que deu certo, diante da repercussão pública e dos comentários positivos da crítica.
  
SL: Marcio, você apresentou recentemente o programa “Cante se Puder” no SBT, ao lado da filha de Silvio Santos, um ícone da TV brasileira. Como foi essa experiência?
MB: Foi muito legal também. Era um programa diferente de tudo o que eu já tinha feito antes. Era extremamente divertido, entretenimento puro... E o desafio de se fazer algo novo, pois agora eu me tornaria um apresentador de televisão, não era improvisador. Estava à frente de um programa que não era meu, no sentido de que era outro idealizador. E eu pegaria esse formato já pronto, com um roteiro a ser seguido. Tive a sorte de entrar em um projeto que deu certo, ficou um ano e meio no ar e conquistou o carisma dos telespectadores.
  
SL: No comando do “Esse Artista Sou Eu” no SBT, atração que vem conquistando a liderança de audiência nas noites de segunda-feira, em sua opinião, qual é o aspecto mais gratificante do programa?
MB: Estou muito satisfeito em comandar esse programa em todos os aspectos. Os cantores gostam do desafio de interpretar a cada semana um artista diferente. Aprecio a caracterização, a maquiagem, o figurino, cada detalhe minucioso do show, pois tudo se aproxima da perfeição. A cada programa, a gente se surpreende mais, parece que o próprio artista homenageado está no palco. E todos se divertem muito durante as gravações. Às vezes, a galera fica mais agitada porque, pela regra do programa, as notas consistem em escalas de 4 a 10. Sendo assim, aquele artista que não conseguiu uma boa colocação no ranking - após longos ensaios e treinos exaustivos - fica desapontado mesmo, é natural. E isso torna o clima mais competitivo, mas faz parte do jogo. É gratificante fazer um programa leve, familiar, divertido e descontraído. E saber que ele está alcançando grandes índices de audiência, o que significa uma boa aceitação por parte das pessoas.   
  
SL: Além da televisão, quais são os seus projetos atuais?
MB: Estou em cartaz há três anos no Comedians Club, dirigindo e atuando no espetáculo "Noite de Improviso" realizado todas as noites fixas de quarta-feira. Sou diretor artístico e ministro aulas na Casa do Humor, espaço de cursos de Improviso, Palhaço e Stand-Up. É importante ressaltar que esses cursos são de curta duração e abertos para qualquer pessoa maior de 16 anos, pois são cursos para iniciantes, ou seja, seus participantes não são propriamente atores e qualquer pessoa está apta a acompanhar as aulas. O intuito é conhecer, brincar, se soltar e se divertir. Além disso, faço apresentações como mestre de cerimônias e shows empresariais. Essa participação no mundo corporativo é interessante porque é uma maneira de descontrair a galera durante todos os tipos de evento.
  
SL: E o que ainda vem pela frente?
MB: A temporada do programa “Esse Artista Sou Eu” acabou se estendendo, porém, já está acabando. Inicialmente, nós iríamos gravar 13 programas, mas agora gravaremos 18 devido à reciprocidade do público. Gostaria de agradecer este carinho das pessoas. Acho que o programa tem uma qualidade artística muito boa e, por isso, existe uma grande possibilidade de produzirmos uma segunda temporada no próximo ano. Aguardem novidades na telinha!
  
SL: Para saber mais a respeito de Marcio Ballas?
MB: Basta acessar www.marcioballas.com.br, Casa do Humor - www.casadohumor.com.br, Noite de Improviso no Comedians Clubwww.comedians.com.br. Esperamos por vocês!
  
SL: Para finalizar, qual a mensagem que você deixaria aos novos humoristas ou comediantes que buscam uma oportunidade no meio artístico?
MB: Acho que o humor, assim como qualquer outra atividade, tem que ser estudado e constantemente aprimorado. Algumas pessoas até desmerecem a profissão, porque pensam que basta ter uma ideia engraçada ou sair por aí fazendo piadinhas e já é o suficiente. Na verdade, é preciso estudar, pesquisar, assistir referências, fazer cursos - em outras palavras - é preciso se especializar. Errar e aprender para se tornar melhor a cada dia. 











2 comentários:

  1. NAUNM PERCO ESSE PROGRAMA POR NADA, PARABENS PRA VC MARCIO BALAS

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  2. amo o Crhistian Chavez ❤ e estou torcendo pra ele no esse artista sou eu

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