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| Foto: Divulgação |
Ao adentrar uma loja, você já reparou a música ou o aroma do
ambiente? Muitas vezes, o que está por trás
disso é a aplicação do Marketing Sensorial,
uma estratégia do Marketing Varejista que visa despertar os cinco
sentidos do consumidor para um único objetivo: aumento das vendas. Esse tipo de
ação, por exemplo, faz o cliente associar determinada marca a uma sensação boa,
confortável, o que o motiva a permanecer mais tempo nas compras. Com a
experiência adquirida ao longo dos anos, os varejistas perceberam o quanto a
ferramenta do Marketing poderia ser rentável aos negócios. E passaram a adotar
muitos princípios dessa estratégia nos pontos de venda convencionais, atraindo bons
lucros e obtendo verdadeiros resultados de sucesso! Quer saber mais sobre o
assunto? Então confira o bate-papo exclusivo com o empresário e consultor Roberto Padilha, especialista em “Marketing de Varejo”, palestrante e
professor de uma das maiores instituições de ensino em SP.
SL: Roberto,
agradecemos por nos conceder esta entrevista, com extrema relevância ao mundo
dos negócios. Primeiramente, conte-nos um pouco desta experiência que você
adquiriu no meio corporativo?
RP: Agradeço o
convite. Olha, o que pude perceber nesse tempo todo em que atuo no mercado é
que as empresas que tem um olhar mais direcionado para o cliente, que procuram
desenvolver estratégias de marketing constantemente, tem muito mais chance de
sucesso com seu público-alvo. O inverso também é verdadeiro, aquelas empresas
que não tem se preocupado com ações focadas na satisfação de seus clientes, vem
perdendo mercado.
SL: Como
você definiria o papel do Marketing no mercado competitivo atual?
RP: Defino como essencial para a sobrevivência de qualquer empresa, ou
até mesmo, profissional. Agora temos que tomar cuidado, pois muitos acham que
marketing é apenas uma simples propaganda ou um anúncio no jornal do bairro.
Não é isso. Marketing é a tarefa de entender os meus clientes e procurar
atender suas principais necessidades e desejos com o meu produto ou serviço.
SL: Quais
os pilares de uma boa gestão de negócios no varejo?
RP: Acho que os principais pilares, na maioria das vezes, são deixados
de lado. Entre eles o bom planejamento, que tem por objetivo pensar de forma
antecipada ao negócio. Por incrível que pareça ainda existe muito empresário
que “queima” essa etapa, pensando que tem experiência suficiente para não ter
que planejar. Erro infantil. Outro pilar é o foco no imediatismo do mercado, ou
seja, nas tendências que o cliente busca no varejo. Estar antenado a essas
tendências fará com que o seu varejo desenvolva uma imagem de dinamismo aos
olhos do cliente.
SL: Quais
as principais estratégias que um varejista deve aplicar em seus negócios?
RP: Podemos citar três. A primeira é criar atrativos que façam o cliente
associar seu varejo a algo do cotidiano do cliente. O segundo é trazer
novidades constantemente ao cliente. O terceiro, em minha opinião, é o mais
importante: treinar e reciclar os colaboradores. Penso que é a melhor
estratégia para cativar, segurar ou manter o seu cliente. Mais uma vez, muitos
empresários acreditam que treinamento é despesa. Na verdade, é um investimento.
Só será despesa se o foco do treinamento não estiver muito claro.
SL:
Basicamente, você acha que o foco do varejista deveria estar no corte de custos
ou na definição de preços estratégicos oferecidos aos clientes?
RP: Eu acho perigosa essa ideia de cortar custos, até porque chega uma
hora que não tem o que cortar e, a partir daí, o comerciante passa a reduzir
margens para fazer tudo muito baratinho. Essa história de tudo muito baratinho
me assusta. Você acostuma o cliente que ele não precisa pagar pelo bom serviço
que o varejo oferece. O correto é termos preços que possam estar de acordo com
a qualidade e o nível de serviço que o varejo oferece.
SL: Em
relação à qualidade no atendimento, qual a importância na gestão empresarial?
RP: Total, não consigo acreditar que a qualidade no atendimento não seja
a principal estratégia de um varejo. A competitividade, principalmente de
preço, leva o cliente a buscar outros diferenciais no varejo. E o principal
diferencial é o atendimento de qualidade. Mas, para isso, é preciso investir em
formação, em treinamento.
SL: E a
motivação da equipe? Como estabelecer um bom clima de trabalho apesar da
determinação de prazos e metas para os colaboradores?
RP: Durante esses anos que atuo no mercado, já vi situações em que os
prazos eram extremamente apertados, mas os colaboradores não se importaram com
isso e cumpriram suas metas. A primeira tarefa para conseguir isso é realizar o
processo e seleção dos colaboradores com foco em atrair profissionais que
realmente gostem de desafios e de gente. Depois devemos implementar um plano
motivacional agressivo para despertar nessa equipe a vontade de perseguir
metas. Por último, honrar o que se prometeu. O que vejo é muita empresa
prometendo mundos e fundos para as equipes atingirem os resultados e depois não
querem cumprir as promessas. É um tiro no pé.
SL: Qual a
importância do investimento em propagandas e estratégias de marketing nos
pontos de venda – PDV?
RP: Sempre uso o exemplo da Coca-Cola. Se essa empresa faz propaganda
até hoje em todos os canais de comunicação, imagina um pequeno varejo
desconhecido pelo grande público! Agora só a propaganda, no caso do varejo, não
consegue bons resultados. É preciso investir em ações dentro do ponto de venda,
muitos clientes decidem comprar boa parte dos seus produtos na hora, motivados
por ações realizadas dentro do varejo. Consomem por impulso.
SL: Como perdurar
as vendas de produtos considerados “sazonais”?
RP: Criando hábitos. Disponibilizando esses produtos durante um período
não sazonal. Vejamos o exemplo da indústria de panetone, a venda dele está
focada no Natal, mas com o tempo percebeu-se que muita gente queria comer esse
produto em outras épocas do ano. Atualmente é muito comum encontrarmos panetone
à venda em todos os meses do ano.
SL: Você
acha que é possível desenvolver alguma estratégia de Marketing que traga bons
resultados com escassez de recursos? O pequeno varejista consegue competir com
as grandes redes?
RP: Sem dúvida alguma. A melhor estratégia de marketing e sem custo é o
bom atendimento. As grandes redes estão mecanizadas, não conseguem atender o
cliente individualmente, suas estratégias são direcionadas para a massa. O pequeno varejista
deve utilizar da estratégia de atendimento, de relacionamento, ou seja, ele
deve se aproximar do seu cliente, conhecê-lo pelo nome. Isso faz toda a
diferença nos tempos atuais e - com um detalhe muito importante - não custa
quase nada. Muitas vezes, apenas um sorriso.
SL:
Existem diferenças regionais no estilo de gestão comercial?
RP: Por via de regra, não. O que existe são estilos de atendimento
diferenciado de acordo com a cultura local. Quanto à gestão, é aquela máxima - pão é pão, pedra é pedra. O que pode mudar são os valores envolvidos, mas a
preocupação com uma boa gestão comercial é a mesma. Precisamos derrubar o mito de que um varejo em uma determinada região tem que ser gerenciado de forma
diferente.
SL: Atualmente,
qual é a maior referência no varejo nacional?
RP: Na realidade essas referências se classificam por segmento. Por
exemplo, se pensarmos em redes de hipermercados temos o Extra e o Carrefour. Se
pensarmos em redes de supermercados de bairro temos a rede DIA. No segmento de
eletrônicos, Casas Bahia e Magazine Luiza. No segmento de Magazine, C&A e
Riachuelo, enfim, de acordo com o segmento temos as referências. Um exemplo que
eu gosto de usar, nesse caso, é o das Casas Bahia, onde o preço à vista não é o
melhor, mas eles vendem o conceito de parcelamento - o que reduz o impacto do
preço à vista mais alto.
SL: Roberto,
pela sua experiência, quais são as maiores dificuldades dos lojistas no Brasil?
RP: Vejamos algumas... A concorrência desleal dos produtos comercializados
sem Nota Fiscal, onde enquanto um varejista tenta trabalhar dentro da lei, o outro
busca artifícios para fugir dela. Outra dificuldade é a visão imediatista, onde
o varejista quer resolver o seu problema de vendas - sempre em curto prazo – e não
faz um planejamento de médio e longo prazo. Em resumo, vendem o almoço para
comprar a janta. Por fim, muitos varejistas não conseguem identificar
diferenciais para reter os seus clientes, fazendo a venda de uma vez só. Eles têm dificuldades em fidelizar seus clientes e, por consequência, precisam gastar
muito dinheiro para atrair novos clientes.
SL: Apesar
da crise atual, você acha que a economia brasileira se apresenta mais favorável
aos investimentos de Marketing nos dias de hoje?
RP: Favorecendo ou não, o varejista não pode administrar o seu negócio
de acordo com o humor da economia brasileira. Independente da situação do país,
investimento é investimento. E investir em marketing pode ser a solução para
que o varejo consiga sobreviver em um momento de turbulência financeira. Vale
lembrar que a maioria dos empresários reduzem investimentos em marketing quando
a situação econômica do país não está bem.
Aquele que fizer o contrário, ou seja, investir no marketing -dentro das possiblidades - se
destacará na multidão.
SL: Como a
tecnologia e a internet estão afetando o varejo? Mesmo que uma loja não venda artigos
pela internet, é importante que a empresa mantenha uma presença digital?
RP: Sempre. Cada vez mais os consumidores estão recorrendo à internet,
não necessariamente para comprar, mas para buscarem informações sobre a compra
que pretendem fazer. Se a empresa não estiver presente nesse mundo digital,
será cada vez mais esquecida pelo consumidor. Vale lembrar que o mundo digital
não é só internet. Temos os celulares que se transformaram em pequenos
computadores. Também está chegando ao Brasil uma tecnologia, via Bluetooth, que
interage com o cliente dentro do ponto de venda, no momento da compra. Uma
coisa revolucionária na interação varejo X consumidor.
SL: E com
relação ao comércio eletrônico, há grandes mudanças nas estratégias de Marketing?
Quais seriam as principais táticas aplicadas?
RP: No começo do comércio eletrônico, muita gente acreditou que seus
problemas de espaço físico acabaram. Puro engano. O comércio eletrônico é uma
ferramenta de vendas, de relacionamento e ponto. Todo o resto é físico, o
produto, a entrega, o colaborador etc. A grande mudança é justamente integrar
o mundo físico ao virtual sem perda de competitividade. As principais táticas
aplicadas são justamente aquelas que captam informações antecipadas do cliente
para que o varejo programe as vendas e a operação da entrega rápida. Vejamos o
exemplo: um cliente entra todo final de semana em uma determinada loja virtual
para pesquisar o preço de um aparelho celular. O varejo que estiver
monitorando essas informações será capaz de organizar ofertas direcionadas para
esse cliente, aumentando as suas chances de conquistar essa venda.
SL: Para
finalizar, como as pessoas poderiam adquirir uma profissionalização na gestão
do varejo? Quais dicas você deixaria aos futuros empreendedores?
RP: Aqui vou usar minha veia de professor: estudando, pesquisando e acompanhando
as tendências do mercado varejista. Temos diversos cursos de formação. Cursos livres, cursos técnicos, superiores de curta duração, pós graduação e EAD (ensino à distância). Enfim,
buscar informações antes de se aventurar nesse segmento. E quem tiver interesse
em outras informações, envie um e-mail para contato@padilhaconsultoria.com. Obrigado.


nossa uma verdadeira aula parabens ao blog sucesso
ResponderExcluirMATERIA INTELIGENTE COMO A JORNALISTA
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