Das sombras às cores!
Confira, com exclusividade, a entrevista realizada com o
tatuador Moreno Simões, o profissional que vem desenvolvendo um trabalho bem
interessante, prático e de formação de novos profissionais, com o estilo de
tatuagem New School.
Para os amantes da ‘arte na pele’, ou para quem ainda está se decidindo
apaixonar pela ideia...
SL: Moreno, você
começou a tatuar com 15 anos. Houve tempo de se dedicar à outra profissão além
de tatuador?
MS: Antes
de ser tatuador, eu era apenas amante de desenhos e praticava bastante, mas
apenas como diversão. Nunca quis ser outra coisa depois que entrei para essa
área de tatuagem.
SL: O que você acha
da lei estadual de n.º 9.828 - de autoria do deputado estadual Campos Machado
(PTB) - que proíbe que se faça tatuagem ou piercing
em menores de idade desde 1997?
MS: Acho a lei cabível, pois
antes de completar a maior idade, nós mudamos muitas vezes de opinião. Acho que
uma boa idade para começar a se tatuar é com 18 anos, as ideias estão mais
convictas na cabeça.
SL: Você considera obrigatório o conhecimento em técnicas
de desenho para se tornar um bom tatuador?
MS: Acho indispensável, na vida
de um tatuador, alguns conhecimentos sobre desenho. Quando se estuda uma obra
no papel, se pré-estabelece segurança e conhecimento no momento de realizar o
trabalho na pele.
SL: Qual a sua
opinião sobre as convenções de tatuagem?
MS: Acho muito positivas,
quando feitas com critérios justos de avaliação, para que assim não exista um
favorecimento a artistas já renomados e que novos talentos possam ser
descobertos e prestigiados com o simbolismo de um prêmio. Sou prova viva
da importância de uma convenção na vida de um tatuador. Foi por intermédio
delas que venho aprendendo muito todos os dias e tive o reconhecimento que hoje
me possibilita ter o prazer de participar dessa entrevista. Além de outras
portas que se abrem também.
SL: Para você, toda
tatuagem é vista como peça de arte e todo tatuador é um artista?
MS: Sim, com certeza. A tattoo
é a maior expressão que conheço de arte na atualidade, onde sua obra é exposta
nos mais diversos públicos e tem as mais diversas opiniões sobre seu trabalho.
Encaro, sim, todo tatuador como um artista quando se tem uma entrega grande ao
que se propõe fazer. Fato que hoje existem artistas e, também, tatueiros (risos).
SL: Você inicialmente
era bastante focado no trabalho black
and grey e influenciado pelo trabalho de Bob Tyrrell, Robert Hernandes e Paul
Booth. Conte-nos um pouco sobre essa sua fase. Como foi essa influência na
sua vida?
MS: Nessa fase da carreira eu
era fortemente influenciado pelas capas dos discos de Death e Thrash
Metal das décadas de 80 e 90. Levei isso comigo durante dez anos de
carreira, até descobrir com o New
School que, na verdade, meus trabalhos de sombra eram apenas decorados
com sombras, mas elas não eram colocadas onde deveriam estar. O contato com
o New School me trouxe
total visão do que se trata de iluminação em uma obra, trazendo hoje para o meu
trabalho também o preto e o branco, a sensação de relevos e profundidades reais,
mas não como nas antigas obras, onde decorava o trabalho com o preto sem
critério algum. Hoje entendo que eu não tive destaque com esse estilo antes por
falta de conhecimento e de estudos do mesmo.
SL: Em 2010, você passa
a investir no estilo New School... Como
foi essa transição? Quais foram as suas principais dificuldades na época?
MS: Acho
que a principal dificuldade foi a não aceitação dos demais artistas do New em ter outro sujeito se
desenvolvendo em tal estilo. Aí pintaram as críticas, os desafios e as chacotas
que só me motivaram a buscar, cada vez mais, renovar o estilo para que assim eu
deixasse a minha marca nesse tão amplo cenário da arte. Meu estilo, no final
das contas, acabou se tornando uma referência nacional de New School após conseguir, por três
anos consecutivos, aproximadamente 30 prêmios nessa categoria, tornando os
critérios avaliados em eventos baseados no meu estilo de trabalho e, assim, conquistando
o tão sonhado reconhecimento artístico. Hoje, tudo o que eu faço leva elementos
do New School, dando um
toque especial até mesmo nos trabalhos comerciais ou de outras culturas.
O New School entrou na veia
e não sai, acrescenta demais para todos os estilos de tatuagem.
SL: E quais os
artistas que já registraram sua pele?
MS: Na
minha pele coleciono trabalhos do mestre Mauro Nunes, Chambinho (Tattoo Maniax),
Nareba, Renata Gianoni, Nonho Tattoo, Pena, Diego Nunes e também do meu amigo e
companheiro de estudos Monkey Tattoo, artista que revolucionou o cenário da
tattoo com técnicas para lá de avançadas.
SL: Qual a
parte mais prazerosa da sua profissão?
MS: Primeiramente, a entrega da
pele de um ser humano em suas mãos para a realização de um procedimento tão
cauteloso e de grande responsabilidade. Depois disso, a satisfação de estar
trabalhando com algo que eu faço a vida toda com muito prazer, que é desenhar e
poder provar para as demais culturas pouco evoluídas e preconceituosas o quanto
se pode fazer isso bem. E com higiene, sem riscos à saúde. E, também, viver
dessa arte desacreditada por tantos... Tenho imenso prazer em acordar todos os
dias e saber que sou um tatuador.
SL: E quais são as
principais características que um bom tatuador deve ter?
MS: Em minha opinião,
inclinações para arte desde sempre e interesse em buscar conhecimento de forma constante. Resumindo,
em poucas palavras, é preciso estudar arte sem limite e sem esquecer que já que
se trata de arte na pele não basta só estudar papel, lápis de cor, tipos de
tinta e pincéis... Não se deve esquecer que o nosso “papel” é a pele das
pessoas. Por isso, é preciso estudar a constituição celular, o sentido correto
de aplicação de tinta e outros milhões de fatores que se somam para um
resultado excelente de tatuagem.
SL: Qual a sua
visão sobre o cenário da tatuagem no Brasil?
MS: Um cenário que só cresce ano a
ano. A prova disso é o destaque dos nossos artistas em outros países. Isso sem
falar que os nossos trabalhos não perdem em nada para os gringos, apesar da
superioridade que eles tem lá fora. Mas, mesmo assim, ainda conseguimos driblar
as dificuldades e executar trabalhos tão bons ou até melhores que os artistas
internacionais - que possuem material de primeira linha e apoio cultural do
governo. Hoje em dia você vê muita gente interessada no assunto, de todas as
classes sociais, de diferentes culturas, idades, sem contar que a tatuagem hoje
também faz seu trabalho social com pessoas que sofrem de câncer e desejam
reconstruir alguma parte do corpo com arte. A gente sempre espera que o
preconceito diminua mais a cada dia. A tatuagem, que antes era mal vista e
classificada equivocadamente como coisa de bandido, agora se tornou acessível a
todos.
SL: Quais estúdios
você já trabalhou em SP?
MS: A grande maioria do tempo de profissão, eu trabalhei em minhas
próprias lojas, mas passei por alguns estúdios onde só vou citar quem merece
(risos), como a Baca Tattoo Studio, Tattoo Art Show, Skin Tattoo, Tribo do
Piercing, entre outros.
SL: Para saber outras
informações sobre os seus projetos e portfólios, como entrar em contato?
MS: Agendamentos pelo
telefone (11) 2737.4988. Ou na página do Facebook – https://www.facebook.com/MorenoSimoes. Disponham.
SL: E como você
gostaria de encerrar esta entrevista?
MS: Deixando um recado para todos os
tatuadores do Brasil... Prepare sua base artística buscando conhecimentos
de desenho, artes em geral e conhecimentos sobre pele, pigmentos, equipamentos
e todos os assuntos relacionados ao tema. Hoje em dia tem muita novidade
chegando no mercado, tatuagens 3D, técnicas novas de remoção a laser, entre
outras. Tenham zelo pelos seus clientes, tem cada tatuagem mal feita que a
gente vê por aí que revolta e mancha toda uma classe de tatuadores sérios e
dedicados. Ainda bem que esses ‘ditos profissionais’ ainda são minoria, mas o
consumidor também tem que fazer a sua parte e só procurar tatuadores que
utilizem materiais descartáveis e com boas referências no mercado. E não fazer
nada por impulso, não se esqueça de que a remoção é mais dolorida do que a
aplicação... Então repense o desenho, o local do corpo que deseja fazer, essas
coisas. Saiba usar a tatuagem como forma de expressão e seja feliz.


show essa tatoo s2
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