Um rock que veio da Bahia...
Como resumir a vida de um gênio em tão poucas palavras? Se você ainda não se
rendeu aos encantos musicais do lendário Raul Seixas é porque você ainda não conheceu
todo o legado que ele deixou para a música... Ele ganhou o título de “Pai do
Rock Brasileiro”, devido ao seu pioneirismo e sua grande contribuição para o
rock nacional da época. Ele foi o primeiro cantor, compositor, produtor e
multi-instrumentista brasileiro que misturou o rock com o baião nordestino (com
fortes influências de Elvis Presley, Jovem Guarda e Luiz Gonzaga).
Seu figurino e sua presença
de palco eram tão fortes e marcantes que até mesmo o seu nome era pronunciado
como um rosnado ou um uivo (Rauuuuul). Sua obra musical é composta por dezessete discos lançados durante os 26
anos de carreira. Seu estilo musical é tradicionalmente classificado como rock e baião, unindo ambos os gêneros em
músicas como “Let me Sing, Let me Sing”. Sua ideia era
fazer músicas de fácil comunicação, para atingir todos os gêneros e classes
sociais.
Seu álbum de estreia - Raulzito e os Panteras (1968)
- foi produzido quando integrava o grupo homônimo, mas só ganhou
notoriedade crítica e de público com músicas como “Ouro de Tolo, Mosca na Sopa e Metamorfose Ambulante”, do álbum Krig-ha,
Bandolo!, de 1973.
Após conhecer seu parceiro
musical Paulo Coelho, Raul Seixas passou a adotar um estilo musical que era
chamado de "contestador e místico". Isso se deve aos ideais que ele
defendia (antes como ateu, depois como membro da Sociedade
Alternativa apresentada no álbum ‘Gita’,
lançado em 1974, influenciado por figuras como o satanista britânico Aleister
Crowley, mentor de outros famosos como os Beatles). A Sociedade Alternativa chegou a anunciar
a aquisição de um terreno em Minas Gerais
para a construção da “Cidade das Estrelas”, uma comunidade onde a única
lei era: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei.” Em todos os seus shows,
Raul divulgava a Sociedade Alternativa.
A obsessão de Raul Seixas e
Paulo Coelho em construir “uma verdadeira civilização thelêmica”, evidentemente,
trouxe muitos problemas com a censura. A
letra da música "Como Vovó já Dizia" teve de ser mudada.
Logo no show de lançamento, a polícia apreendeu o gibi / manifesto "A
Fundação de Krig-Ha" e o queimou como material subversivo. A Ditadura,
então, através do DOPS (Departamento
de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade
Alternativa fosse um movimento armado contra o governo.
Depois de torturados, Raul e
Paulo foram exilados para os Estados Unidos,
com suas respectivas esposas, Edith Wisner e Adalgisa Rios. Muitas histórias
são contadas sobre a estadia de Raul Seixas nos Estados Unidos, como seu possível
encontro com John
Lennon, mas ninguém sabe ao certo se são verdadeiras. No
entanto, o LP Gita (gravado poucos meses antes) fez
tanto sucesso que forçou a Ditadura a trazê-los de volta para o Brasil. O
álbum Gita rendeu ao Raul um disco de ouro,
após vender 600.000 cópias, sendo considerado o LP de maior sucesso de sua
carreira. Ainda neste ano, Raul separa-se de Edith, que decide voltar para os Estados Unidos com
a filha do casal, Simone.
Raul se interessava por filosofia (principalmente metafísica e ontologia), psicologia, história, literatura e latim. Algumas ideias dessas correntes foram muito aproveitadas em suas obras. Raul prosseguia
participando de vários festivais como Hollywood Rock (em 1975) e colecionando
inúmeros prêmios pelas vendas de seus álbuns.
Mas naquele final de década,
as coisas começaram a ficar ruins para Raul. A partir do ano de 1978,
começa a ter problemas de saúde devido ao alcoolismo (que causou a perda de 1/3
do seu pâncreas). Raul passa alguns meses em uma fazenda na Bahia para se
recuperar da pancreatite. Em sua vida pessoal, ele se envolveu com outras
mulheres, entre companheiras e amantes, teve outras filhas, mas as drogas
também prejudicaram todos estes relacionamentos.
Nos anos 80,
continuou produzindo álbuns que venderam bem - como Abre-te Sésamo (1980), Raul Seixas (1983), Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (1987)
e A Panela do Diabo (1989) - esse último
em parceria com o também baiano e amigo Marcelo Nova.
Após altos e baixos na
carreira, shows alcoolizados, descumprimento de compromissos, brigas com
gravadoras e mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas. No ano
de 1989,
faz uma turnê com Marcelo Nova,
agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil.
Durante os shows, Raul mostra-se debilitado. Tanto que só participa de metade
do show, a primeira metade é feita somente por Marcelo Nova. Essas
apresentações resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por
Raul Seixas. Em agosto de 1989, Raul foi encontrado morto sobre a cama, em seu
apartamento de SP, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo,
agravado pelo fato de ser diabético e pela
ausência de insulina, causaram-lhe
uma pancreatite aguda
fulminante.
Depois de sua morte, Raul
permaneceu entre as paradas de sucesso. Sua
obra musical tem aumentado continuamente na medida em que seus discos
(principalmente álbuns
póstumos) continuam a ser vendidos, tornando-o um símbolo
do rock do país e um dos artistas mais cultuados e queridos entre os
fãs nos últimos anos.
Raul conseguia emplacar um hit após o outro e muitas canções
viraram grandes clássicos da nossa música, como por exemplo: Tente Outra Vez,
Há Dez Mil Anos Atrás, Maluco Beleza, O Dia Em Que a Terra Parou, Sapato 36,
Rock das Aranha, Aluga-se, Carimbador Maluco, Cowboy Fora da Lei, O Trem das 7,
entre várias outras.
Em outubro de 2008, a
revista Rolling Stone promoveu
a Lista dos “Cem
Maiores Artistas da Música Brasileira”, cujo resultado colocou
Raul Seixas na 19.ª posição, superando nomes como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Heitor Villa-Lobos e outros.
No ano anterior, a mesma revista
promoveu a Lista dos “Cem
Maiores Discos da Música Brasileira”, onde dois de seus álbuns
apareceram: Krig-ha, Bandolo!, (na 12.ª posição) e Novo Aeon (na
53.ª posição).
Em 2013, o cantor
americano Bruce Springsteen cantou "Sociedade
Alternativa" na abertura de seu show no Rock in Rio 2013. Outras
homenagens foram realizadas no teatro e na televisão, assim como o filme “Raul
– O Início, o fim e o meio” lançado em 2012.
A canção Metamorfose
Ambulante foi lançada no álbum Krig-ha,
Bandolo!, em 1973. Raul afirmou em uma entrevista que ele fez o rascunho
desta canção na parede de seu quarto, ainda na época de sua adolescência. Os backing vocals da introdução foram
claramente inspirados pela versão de Joe Cocker para With a Little Help From My Friends,
dos Beatles. A
letra é dotada de uma sabedoria ímpar, que faz uma crítica ao fanatismo e à
intolerância de qualquer espécie (perfeitamente aplicados a aspectos
religiosos, políticos e sociais nos dias de hoje). É uma canção atemporal, que
você confere agora, aqui no Blog Sucesso. Toca Rauuul...
Gratidão por seu feedback, Gugu!!
ResponderExcluirAproveito para agradecer a todos que enviam mensagens, a opinião de vocês é muito importante para nosso aperfeiçoamento a cada dia. Se a sua banda favorita ainda não foi homenageada aqui, conta pra gente!! :-)
Toca Rauuuul!
ResponderExcluir