domingo, 4 de agosto de 2013

MKT LAB

Com GERALDO SILVA

Foto: Divulgação
A política é uma das formas mais eficazes de interferirmos na realidade e construirmos uma nova sociedade. Cada vez que somos chamados às urnas, reafirmamos nosso ponto de vista acima de qualquer obrigação como cidadãos. Se não nos interessarmos pela política, ela acaba sendo usada por pessoas que não se preocupam com o bem comum, mas com seus interesses particulares, o que inevitavelmente gera corrupção... E o que estamos vendo ultimamente? Após anos e décadas de letargia, o povo brasileiro está saindo às ruas para protestar. Não falo aqui dos protestos que terminam em vandalismo, mas sim, dos protestos contra uma série de situações que não estão agradando a população. As manifestações e protestos, quando pacíficos e com fundamento, são legítimos e importantes para o futuro de uma sociedade, pois o país não pode permanecer na estagnação. É fato que o povo está exigindo mudança em diferentes áreas e assuntos relacionados ao governo e à política brasileira. Para compreender melhor este universo, o polêmico consultor Geraldo Silva faz uma reflexão de todo este novo contexto social e revela, em entrevista exclusiva para o Blog Sucesso, os segredos de uma política dotada dos conceitos de comunicação, imagem, divulgação e marketing, de forma a apresentar o candidato (produto) mais preparado aos olhos do eleitor (consumidor). Afinal, assim como o sucesso, a Política também é para todos!

SL: Geraldo, quando e como ocorreu a sua iniciação no ramo da política?
GS: Tudo começou em meados de 1980, com a minha participação em movimentos sociais. Por intermédio destes movimentos, percebi as falhas que despertaram meus desejos de mudança política. Criei projetos partindo de meus próprios ideais, no sentido de servir o coletivo, jamais aos interesses próprios. Nunca busquei na política um meio de sobrevivência, sempre busquei uma causa maior.

SL: Existem critérios e/ou pré-requisitos para se candidatar a algum cargo político?
GS: Apesar de ser um direito de qualquer cidadão, posso dizer que existem alguns critérios básicos para se candidatar a um cargo político. O futuro candidato precisa ter nacionalidade brasileira, ser alfabetizado e ter atingido a maioridade. Isso se procede independente do sexo e da classe social. Basta que ele conheça o âmbito político ao qual pretende se candidatar e tenha o desejo de mudar uma realidade. Ele não precisa ser uma celebridade, nem estar na mídia. A formação acadêmica também não é exigida. Entretanto, é exigência do Partido e da Justiça Eleitoral a apresentação do comprovante de voto nas eleições anteriores, bem como os demais documentos de identificação do interessado.

SL: Como é feita a escolha / afiliação do partido?
GS: Primeiramente, o candidato deve participar de reuniões no partido ao qual ele perceba que possui interesses comuns. O militante precisa conhecer todo o estatuto do partido coerente aos seus ideais políticos. É importante saber se o partido agrega imagem positiva ao candidato e vice-versa. Se você gosta de política, procurar um partido para se afiliar é o primeiro passo, seja na esfera municipal, estadual ou federal. Infelizmente, no processo de afiliação, não é exigida a apresentação de uma proposta política. Na ficha de afiliação o candidato deve apenas mencionar quais são as suas pretensões, para que possam ser avaliadas pelo partido. Porém, nunca presenciei nenhum caso de recusa de afiliação até os dias atuais.
  
SL: Como um candidato planeja formalmente a sua estratégia de campanha?
GS: Em minha opinião, o candidato deve planejar sua estratégia de campanha por intermédio de reuniões e palestras diretas com o seu eleitorado para divulgar seus projetos sociais, além de identificar os principais problemas da população. Essa é, de fato, a melhor estratégia.

SL: Resumidamente, como funciona o Marketing Político durante as campanhas eleitorais?
GS: Marketing Político é a propaganda feita de um político para garantir-lhe uma boa imagem pública. Mas o candidato precisa dispor de recursos para investir em imagem e divulgação. Para um político de pequeno porte isso é muito difícil porque ele não tem uma estrutura para montar uma logística de Marketing, com assessores e secretários que possam auxiliá-lo na elaboração de seus discursos e demais atividades. Ele sozinho precisa se organizar e defender o seu projeto diante da comunidade, uma vez que seus orçamentos sejam limitados. Já o candidato que possui uma melhor estrutura financeira tem a possibilidade de montar toda esta equipe funcional, incluindo inclusive as agências de publicidade.

SL: Quais os princípios básicos para o sucesso de uma campanha eleitoral?
GS: O princípio básico é a verdade sobre aquilo que você defende. Mas nunca deter a verdade absoluta, apenas apresentar um projeto real à população, que possa ser cumprido e honrado posteriormente. Ter transparência, honestidade, ética, lealdade e caráter. Essas qualidades são primordiais ao candidato e, consequentemente, ao sucesso de sua campanha.

SL: Em sua opinião, como as propagandas eleitorais poderiam ser mais objetivas e coerentes na divulgação das propostas políticas de cada candidato?
GS: Primeiramente, os candidatos devem se conscientizar que: tumultuar a mente do eleitor ou se focar em agressões morais aos seus adversários não são atitudes favoráveis durante as propagandas eleitorais. Acho também que a Justiça Eleitoral deveria manter um maior controle do conteúdo das propagandas, pois presenciei casos onde candidatos ao cargo de vereador estavam realizando promessas sem fundamento, correspondentes às esferas estaduais e federais. Ou seja, eles enganam os eleitores com promessas que jamais serão cumpridas! E isso reflete negativamente à imagem de todos os outros candidatos. Deveria haver um regulamento com critérios a serem respeitados por todos, permitindo apenas as informações concretas e objetivas de cada proposta de governo.

SL: Quem determina o tempo individual de cada candidato durante o Horário Eleitoral veiculado nas emissoras de televisão? Como é estimulada a relação da concorrência entre os candidatos e partidos?
GS: Se o partido tem uma boa representatividade no Congresso Nacional, ele consegue a disponibilização de um período de exposição maior, se comparado aos partidos de pequeno porte. Além disso, alguns partidos também priorizam determinados candidatos que já possuem um nome conhecido na mídia, reduzindo assim o tempo destinado ao cidadão comum ainda em anonimato. Todavia, posso afirmar que não existe concorrência explícita entre os candidatos de um mesmo partido, pois todos “vestem a camisa” com os mesmos ideais do partido. É evidente que em partidos opostos a rivalidade está presente, pois certamente os candidatos representam ideologias políticas bem distintas.

SL: Qual o tipo mais adequado de propaganda política? Você acha que a mídia (rádio/TV) possui maior poder influenciador em comparação aos tradicionais folhetos (também conhecidos como santinhos), comícios e shows eleitorais?
GS: Com certeza, a mídia Rádio/TV é ímpar e muito mais forte porque abrange a grande massa de eleitores. Acredito que, devido à resistência das pessoas quanto à Propaganda Eleitoral Gratuita, o tradicional Debate Político possa ser o canal mais indicado, pois permite ao candidato demonstrar claramente as suas propostas e responder as acusações diretas. Acho até que a mídia também deveria abrir espaço para o Poder Legislativo, uma vez que o Poder Executivo respeitará as determinações do Parlamento.

SL: O que você acha do Projeto Cidade Limpa?
GS: Bem, mesmo após o Projeto Cidade Limpa ser instituído na cidade de São Paulo, a divulgação de placas com nomes dos candidatos ainda está autorizada por lei, respeitando alguns critérios e horários. O problema é que esse tipo de divulgação não revela os projetos do candidato, tampouco se ele responde a algum tipo de processo judicial. Por essa razão, não sou a favor desta prática. E também sou contra a distribuição ilegal de brindes de forma a “comprar” os votos do eleitorado.

SL: Neste mesmo contexto, você posiciona-se a favor dos protestos que estão acontecendo atualmente em todo o país?
GS: Sim, desde que não haja violência. Penso que ao invés de reclamar que a vida está difícil, proteste! Por outro lado, de nada adianta exigirmos que os governantes façam milagres em um Estado institucionalmente estruturado para privilegiar os detentores do poder. Isso sem contar os protestos de partidos políticos emergentes que querem aparecer, ou até mesmo, manifestações motivadas apenas por conflitos partidários exigindo queda de determinado governante. Mas a sociedade brasileira deve descobrir que é chegada a hora de acelerar a história, talvez por conta de irregularidades e falta de oportunidades... Acho que o povo está tomando as ruas porque falta ao Brasil um projeto nacional que valorize mais as questões sociais. É por este motivo que eu acredito e confio no eleitorado brasileiro. Isso porque o eleitor está se desenvolvendo a cada dia, através das dificuldades que ele vem enfrentando atualmente, e não se ilude mais com falsas promessas. Ele cresceu junto com a crise e pede mudanças, pois sabe que é a chave principal desta grande festa democrática chamada “eleições”.

SL: Assim como as atividades fundamentais do Marketing, você acredita que a Pesquisa de Mercado, mais conhecida como Pesquisa Eleitoral e/ou Pesquisa de Opinião Pública, pode ser facilmente manipulada nos dias de hoje?
GS: Infelizmente, acredito que sim, ela pode ser fraudada em seus resultados para favorecer determinados interesses políticos.

SL: Em sua opinião, qual seria o diferencial significativo de um candidato realmente preparado a assumir algum cargo político?
GS: Um candidato precisa ter ética e espírito de servidor público, acima de qualquer outra qualidade e/ou habilidade pessoal.
  
SL: Além dos eleitores, como um candidato deve proceder para manter um bom relacionamento com outros grupos que também precisam ser estimulados, tais como o partido político, os contribuintes de campanha eleitoral, a assessoria política e os grupos de interesses alinhados à candidatura?
GS: Ele deve ter diplomacia e articulação política. Ele precisa saber ouvir e apresentar seus projetos, além de manter a flexibilidade e demonstrar uma clara visão política. Jamais se fundamentar na arrogância, na prepotência ou em seu próprio ego.

SL: Geraldo, quais cargos políticos você almeja concorrer futuramente e o que seria prioridade em seu plano de governo?
GS: Pretendo concorrer para o cargo de Deputado Estadual, se esta for a vontade de Deus. E, posteriormente, para o cargo de Vereador. São cargos mais próximos das comunidades de baixa renda, minha total prioridade de governo. Como vivenciei situações de dificuldades financeiras no passado, tenho total experiência no sofrimento da população em todos os problemas encontrados nas diferentes áreas como transporte, educação, saúde, moradia e saneamento básico. Só quem conhece a fome de perto pode descobrir qual a verdadeira gravidade da situação.

SL: E para saber mais a respeito de seus projetos políticos?
GS: Em breve, lançarei um site para divulgação de minhas propostas políticas. Mas se alguém quiser conhecer alguns de meus ideais políticos, sanar dúvidas ou deixar sugestões, meu e-mail de contato é geraldo.phs@hotmail.com. Muito obrigado!

SL: Para finalizar, qual mensagem você direcionaria para quem ainda pretende ser candidato? E ao eleitor que deseja se instruir para não ser induzido ao voto fundamentado na alienação política?
GS: Ao futuro candidato político, deixo meu apelo para que ele não priorize o dinheiro e não busque na política um meio de sobrevivência. Ele precisa sinceramente gostar da política e conhecer as necessidades básicas da população, para melhorar algo em prol do coletivo. Fale primeiramente com a sua consciência e tenha respeito ao seu semelhante. E espero que o eleitor também possa fazer a sua parte, não elegendo ídolos sem preparação política. As pessoas precisam analisar minuciosamente o plano de governo de cada candidato e escolher aquele que apresentar idéias mais coerentes com os anseios da sociedade, discernindo se a proposta lançada poderá ser eficaz aos resultados esperados. Cada voto singular tem a sua importância na contabilização final das eleições. Saiba que você faz a diferença!

2 comentários:

  1. gostei muito, esse é o tema da atualidade, mas pena que o povo nao esta sendo ouvido pois nada mudou

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  2. Realmente uma ótima abordagem,o povo brasileiro esta cansado e continua indo atrás de seus direitos,porém, o buraco negro é tão grande, que ainda acho que estamos longe dos nossos objetivos..

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