Com GERALDO SILVA
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A política é uma das
formas mais eficazes de interferirmos na realidade e construirmos uma nova
sociedade. Cada vez que somos chamados às urnas, reafirmamos nosso ponto de
vista acima de qualquer obrigação como cidadãos. Se não nos interessarmos pela
política, ela acaba sendo usada por pessoas que não se preocupam com o bem
comum, mas com seus interesses particulares, o que inevitavelmente gera
corrupção... E o que estamos vendo ultimamente? Após anos e décadas de
letargia, o povo brasileiro está saindo às ruas para protestar. Não falo aqui
dos protestos que terminam em vandalismo, mas sim, dos protestos contra uma
série de situações que não estão agradando a população. As manifestações e
protestos, quando pacíficos e com fundamento, são legítimos e importantes para
o futuro de uma sociedade, pois o país não pode permanecer na estagnação. É
fato que o povo está exigindo mudança em diferentes áreas e assuntos
relacionados ao governo e à política brasileira. Para
compreender melhor este universo, o polêmico consultor Geraldo Silva faz uma
reflexão de todo este novo contexto social e revela, em entrevista exclusiva
para o Blog Sucesso, os segredos de uma política dotada dos
conceitos de comunicação, imagem, divulgação e marketing, de forma a apresentar
o candidato (produto) mais preparado aos olhos do eleitor (consumidor). Afinal,
assim como o sucesso, a Política também é para todos!
SL: Geraldo, quando e
como ocorreu a sua iniciação no ramo da política?
GS: Tudo começou em meados de 1980, com a minha
participação em movimentos sociais. Por intermédio destes movimentos, percebi
as falhas que despertaram meus desejos de mudança política. Criei projetos
partindo de meus próprios ideais, no sentido de servir o coletivo, jamais aos
interesses próprios. Nunca busquei na política um meio de sobrevivência, sempre
busquei uma causa maior.
SL: Existem critérios
e/ou pré-requisitos para se candidatar a algum cargo político?
GS:
Apesar de ser um direito de
qualquer cidadão, posso dizer que existem
alguns critérios básicos para se candidatar a um cargo político. O futuro
candidato precisa ter nacionalidade brasileira, ser alfabetizado e ter atingido
a maioridade. Isso se procede independente do sexo e da classe social. Basta
que ele conheça o âmbito político ao qual pretende se candidatar e tenha o
desejo de mudar uma realidade. Ele não precisa ser uma celebridade, nem estar
na mídia. A formação acadêmica também não é exigida. Entretanto, é exigência do
Partido e da Justiça Eleitoral a apresentação do comprovante de voto nas
eleições anteriores, bem como os demais documentos de identificação do
interessado.
SL: Como é feita a
escolha / afiliação do partido?
GS:
Primeiramente, o candidato deve
participar de reuniões no partido ao qual ele perceba que possui interesses
comuns. O militante precisa conhecer todo o estatuto do partido coerente aos
seus ideais políticos. É importante saber se o partido agrega imagem positiva
ao candidato e vice-versa. Se você gosta de política, procurar um partido para
se afiliar é o primeiro passo, seja na esfera municipal, estadual ou federal. Infelizmente,
no processo de afiliação, não é exigida a apresentação de uma proposta
política. Na ficha de afiliação o candidato deve apenas mencionar quais são as
suas pretensões, para que possam ser avaliadas pelo partido. Porém, nunca
presenciei nenhum caso de recusa de afiliação até os dias atuais.
SL: Como um candidato
planeja formalmente a sua estratégia de campanha?
GS:
Em minha opinião, o candidato
deve planejar sua estratégia de campanha por intermédio de reuniões e palestras
diretas com o seu eleitorado para divulgar seus projetos sociais, além de
identificar os principais problemas da população. Essa é, de fato, a melhor
estratégia.
SL: Resumidamente, como
funciona o Marketing Político durante as campanhas eleitorais?
GS: Marketing Político é a propaganda feita de um
político para garantir-lhe uma boa imagem pública. Mas o candidato precisa
dispor de recursos para investir em imagem e divulgação. Para um político de
pequeno porte isso é muito difícil porque ele não tem uma estrutura para montar
uma logística de Marketing, com assessores e secretários que possam auxiliá-lo na
elaboração de seus discursos e demais atividades. Ele sozinho precisa se
organizar e defender o seu projeto diante da comunidade, uma vez que seus
orçamentos sejam limitados. Já o candidato que possui uma melhor estrutura
financeira tem a possibilidade de montar toda esta equipe funcional, incluindo
inclusive as agências de publicidade.
SL: Quais os princípios
básicos para o sucesso de uma campanha eleitoral?
GS: O princípio básico é a verdade sobre aquilo que você
defende. Mas nunca deter a verdade absoluta, apenas apresentar um projeto real
à população, que possa ser cumprido e honrado posteriormente. Ter
transparência, honestidade, ética, lealdade e caráter. Essas qualidades são
primordiais ao candidato e, consequentemente, ao sucesso de sua campanha.
SL: Em sua opinião, como
as propagandas eleitorais poderiam ser mais objetivas e coerentes na divulgação
das propostas políticas de cada candidato?
GS: Primeiramente,
os candidatos devem se conscientizar que: tumultuar a mente do eleitor ou
se focar em agressões morais aos seus adversários não são atitudes favoráveis
durante as propagandas eleitorais. Acho também que a Justiça Eleitoral deveria
manter um maior controle do conteúdo das propagandas, pois presenciei casos
onde candidatos ao cargo de vereador estavam realizando promessas sem
fundamento, correspondentes às esferas estaduais e federais. Ou seja, eles
enganam os eleitores com promessas que jamais serão cumpridas! E isso reflete
negativamente à imagem de todos os outros candidatos. Deveria haver um
regulamento com critérios a serem respeitados por todos, permitindo apenas as
informações concretas e objetivas de cada proposta de governo.
SL: Quem determina o
tempo individual de cada candidato durante o Horário Eleitoral veiculado nas
emissoras de televisão? Como é estimulada a relação da concorrência entre os
candidatos e partidos?
GS:
Se o partido tem uma boa
representatividade no Congresso Nacional, ele consegue a disponibilização de um
período de exposição maior, se comparado aos partidos de pequeno porte. Além
disso, alguns partidos também priorizam determinados candidatos que já possuem
um nome conhecido na mídia, reduzindo assim o tempo destinado ao cidadão comum
ainda em anonimato. Todavia, posso afirmar que não existe concorrência
explícita entre os candidatos de um mesmo partido, pois todos “vestem a camisa”
com os mesmos ideais do partido. É evidente que em partidos opostos a
rivalidade está presente, pois certamente os candidatos representam ideologias
políticas bem distintas.
SL: Qual o tipo mais
adequado de propaganda política? Você acha que a mídia (rádio/TV) possui maior
poder influenciador em comparação aos tradicionais folhetos (também conhecidos como
santinhos), comícios e shows eleitorais?
GS: Com certeza, a
mídia Rádio/TV é ímpar e muito mais forte porque abrange a grande massa de
eleitores. Acredito que, devido à resistência das pessoas quanto à Propaganda
Eleitoral Gratuita, o tradicional Debate Político possa ser o canal mais
indicado, pois permite ao candidato demonstrar claramente as suas propostas e
responder as acusações diretas. Acho até que a mídia também deveria abrir espaço
para o Poder Legislativo, uma vez que o Poder Executivo respeitará as
determinações do Parlamento.
SL: O que você acha do
Projeto Cidade Limpa?
GS: Bem, mesmo após o Projeto Cidade Limpa ser instituído
na cidade de São Paulo, a divulgação de placas com nomes dos candidatos ainda
está autorizada por lei, respeitando alguns critérios e horários. O problema é
que esse tipo de divulgação não revela os projetos do candidato, tampouco se
ele responde a algum tipo de processo judicial. Por essa razão, não sou a favor
desta prática. E também sou contra a distribuição ilegal de brindes de forma a
“comprar” os votos do eleitorado.
SL: Neste mesmo contexto,
você posiciona-se a favor dos protestos que estão acontecendo atualmente em
todo o país?
GS:
Sim, desde que não haja
violência. Penso que ao invés de reclamar que a vida está difícil,
proteste! Por outro lado, de nada adianta exigirmos que os governantes façam
milagres em um Estado
institucionalmente estruturado para privilegiar os detentores do poder. Isso sem
contar os protestos de partidos políticos
emergentes que querem aparecer, ou até mesmo,
manifestações motivadas apenas por conflitos partidários exigindo queda de
determinado governante. Mas a sociedade brasileira deve descobrir que é chegada a hora de acelerar a
história, talvez por conta de irregularidades e falta de
oportunidades... Acho que o povo
está tomando as ruas porque falta ao Brasil um projeto nacional
que valorize mais as questões sociais. É por este motivo que eu acredito e
confio no eleitorado brasileiro. Isso porque o eleitor está se desenvolvendo a
cada dia, através das dificuldades que ele vem enfrentando atualmente, e não se
ilude mais com falsas promessas. Ele cresceu junto com a crise e pede mudanças,
pois sabe que é a chave principal desta grande festa democrática chamada “eleições”.
SL: Assim como as
atividades fundamentais do Marketing, você acredita que a Pesquisa de Mercado,
mais conhecida como Pesquisa Eleitoral e/ou Pesquisa de Opinião Pública, pode
ser facilmente manipulada nos dias de hoje?
GS: Infelizmente, acredito que sim, ela pode ser fraudada
em seus resultados para favorecer determinados interesses políticos.
SL: Em sua opinião, qual
seria o diferencial significativo de um candidato realmente preparado a assumir
algum cargo político?
GS:
Um candidato precisa ter ética e
espírito de servidor público, acima de qualquer outra qualidade e/ou habilidade
pessoal.
SL: Além dos eleitores,
como um candidato deve proceder para manter um bom relacionamento com outros
grupos que também precisam ser estimulados, tais como o partido político, os
contribuintes de campanha eleitoral, a assessoria política e os grupos de
interesses alinhados à candidatura?
GS: Ele deve ter diplomacia e articulação política. Ele
precisa saber ouvir e apresentar seus projetos, além de manter a flexibilidade
e demonstrar uma clara visão política. Jamais se fundamentar na arrogância, na
prepotência ou em seu próprio ego.
SL: Geraldo, quais cargos
políticos você almeja concorrer futuramente e o que seria prioridade em seu
plano de governo?
GS: Pretendo concorrer para o cargo de Deputado Estadual,
se esta for a vontade de Deus. E, posteriormente, para o cargo de Vereador. São
cargos mais próximos das comunidades de baixa renda, minha total prioridade de governo.
Como vivenciei situações de dificuldades financeiras no passado, tenho total
experiência no sofrimento da população em todos os problemas encontrados nas
diferentes áreas como transporte, educação, saúde, moradia e saneamento básico.
Só quem conhece a fome de perto pode descobrir qual a verdadeira gravidade da
situação.
SL: E para saber mais a
respeito de seus projetos políticos?
GS: Em breve, lançarei um site para divulgação de minhas
propostas políticas. Mas se alguém quiser conhecer alguns de meus ideais
políticos, sanar dúvidas ou deixar sugestões, meu e-mail de contato é geraldo.phs@hotmail.com. Muito obrigado!
SL: Para finalizar, qual
mensagem você direcionaria para quem ainda pretende ser candidato? E ao eleitor
que deseja se instruir para não ser induzido ao voto fundamentado na alienação
política?
GS: Ao futuro candidato político, deixo meu apelo para
que ele não priorize o dinheiro e não busque na política um meio de
sobrevivência. Ele precisa sinceramente gostar da política e conhecer as
necessidades básicas da população, para melhorar algo em prol do coletivo. Fale
primeiramente com a sua consciência e tenha respeito ao seu semelhante. E
espero que o eleitor também possa fazer a sua parte, não elegendo ídolos sem
preparação política. As pessoas precisam analisar minuciosamente o plano de
governo de cada candidato e escolher aquele que apresentar idéias mais
coerentes com os anseios da sociedade, discernindo se a proposta lançada poderá
ser eficaz aos resultados esperados. Cada voto singular tem a sua importância
na contabilização final das eleições. Saiba que você faz a diferença!
gostei muito, esse é o tema da atualidade, mas pena que o povo nao esta sendo ouvido pois nada mudou
ResponderExcluirRealmente uma ótima abordagem,o povo brasileiro esta cansado e continua indo atrás de seus direitos,porém, o buraco negro é tão grande, que ainda acho que estamos longe dos nossos objetivos..
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