domingo, 15 de setembro de 2013

IT´S...

Foto: Divulgação
Já pensou em desempenhar algum tipo de projeto social e ajudar alguém?  Comece agora mesmo! Este é um exercício de irmandade, pois envolve pessoas para além do seu próprio campo de vivência, permitindo a transposição de barreiras e preconceitos em benefício de seu semelhante. Os projetos sociais permitem a realização pessoal e a conscientização das pessoas perante a sociedade, despertando o sentimento de solidariedade. Atualmente, vários são os projetos desenvolvidos pelo mundo afora com essa finalidade, por meio de contribuições voluntárias onde ações sociais são realizadas para o bem comum. Neste mesmo âmbito, nossa dica de sucesso de hoje fica por conta de Adenilson Medeiros, que desempenha um belíssimo trabalho como palhaço e representa dois projetos muito especiais: a Esquadrilha da Risada e a Operação Arco-Íris. Uma vida dedicada à missão de generosidade e um verdadeiro exemplo de cidadania! Confira!

SL: Quando tudo começou? Inicialmente, de quem partiu a idéia de criar o Palhaço Romão?
AM: Tudo começou em 2005 quando um amigo me convidou para fazer um workshop de “Clown”- Palhaço. Eu não tinha a mínima ideia do que se tratava, mas como meu amigo disse que este workshop tinha a minha cara, resolvi ver o que era. Após este workshop, me apaixonei pela arte do palhaço e quis estudar um pouco mais. O nome Romão surgiu em um dos cursos que eu fiz.

SL: Existe alguma formação específica para atuar como palhaço?
AM: Até onde eu sei, hoje em dia ainda não existe uma formação acadêmica para se tornar um palhaço, mas conheço vários cursos que são ministrados por palhaços profissionais.

SL: Como é a vida de um palhaço nos dias de hoje?
AM: A vida de um palhaço no formato que eu estudo, nos dias de hoje, desenvolve atividades em teatros e empresas. Muitas vezes, fazendo intervenções livres ou dando palestras. Ou falando sobre algum assunto específico sugerido pela empresa.
  
SL: É mito ou verdade que algumas crianças ainda têm medo de palhaço?
AM: É verdade. Algumas crianças e até mesmo alguns adultos têm medo de palhaço (risos). E isso muitas vezes é incentivado pela mídia. Hoje, por exemplo, vi uma reportagem com o jornalista Alexandre Garcia, citando que uma pessoa estava fantasiada de palhaço e a imagem que apareceu foi um dos inimigos do Batman. Lamentável...

SL: Quem são os palhaços que te inspiram?
AM: Quem me inspira atualmente não é um palhaço de circo. Dos famosos, Charles Chaplin é o mestre dos mestres. Os Trapalhões, o Gordo e o Magro e os Três Patetas também são fontes de inspiração.
  
SL: Quais as facilidades e as dificuldades dessa profissão?
AM: Facilidades: ser você mesmo fazendo o que precisa ser feito naquele momento. Dificuldades: viver da arte é muito difícil, principalmente como palhaço, pois muitos ainda não enxergam este trabalho como uma profissão.

SL: Qual a principal diferença entre o palhaço que atua dentro e fora do circo?
AM: Uma das diferenças está na roupa e na maquiagem. O Palhaço de circo precisa usar tudo grande, pois está no centro de um picadeiro e toda a platéia do circo precisa vê-lo. O Palhaço de teatro/empresa/hospital não pode usar coisas extravagantes, pois está muito próximo às pessoas. Tempo cômico, escuta e disponibilidade, essas características ambos possuem.
  
SL: Quando e como surgiram os projetos sociais desempenhados pelas ONGs Esquadrilha da Risada e Operação Arco-Íris?
AM: A Operação Arco-Íris surgiu em 1994, com a idéia de uma pessoa visitar uma criança em um hospital infantil usando roupas de palhaço. Do surgimento até os dias de hoje, o projeto cresceu muito e, atualmente, a ONG conta com cerca de 50 voluntários atuando em quatro hospitais. Essa atividade não tem fins lucrativos. Mas a Esquadrilha da Risada na realidade não é uma ONG. É uma empresa, onde os participantes são remunerados pelo trabalho. Estamos escrevendo projetos de incentivos fiscais para obter patrocínios e desenvolver nosso trabalho.
  
SL: Quais os locais que recebem a visita da Esquadrilha da Risada e da Operação Arco-Íris atualmente? E com qual frequência?
AM: A Operação Arco-Íris visita os hospitais Emilio Ribas, Darcy Vargas, GRAACC e Menino Jesus, duas vezes por semana, às terças-feiras e aos sábados. A Esquadrilha da Risada, por enquanto, visita o Aeroporto de Cumbica. Não estipulamos os dias para as visitas, mas tentamos ir duas vezes por semana, normalmente aos domingos e sextas-feiras.
  
SL: A Operação-Arco Íris recebeu o Prêmio Cultura e Saúde, da Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura. Como foi essa experiência?
AM: Quando a Operação Arco-Íris recebeu este prêmio, eu ainda não fazia parte da ONG. Não sei relatar como foi a experiência do grupo na época. Mas sempre é gratificante o reconhecimento de um trabalho realizado com determinação e alegria.
  
SL: Há trabalhos científicos que comprovam o efeito terapêutico na recuperação das crianças? O grupo realmente consegue mudar o ambiente durante as visitas?
AM: Sim, existem trabalhos científicos que comprovam este efeito na recuperação das crianças. Divulgo um projeto elaborado por uma médica que hoje é voluntária da ONG. É nítida a mudança do ambiente durante as visitas. A euforia é visível tanto nas crianças, quanto nos acompanhantes e nos colaboradores dos hospitais.
  
SL: Qual a lição mais importante que você aprendeu diante desses projetos sociais?
AM: Acredito muito que o palhaço pode mudar o mundo para melhor. Este foi o meu maior aprendizado.
  
SL: Em sua opinião, quais os fatores que poderiam favorecer o incentivo aos projetos culturais e sociais no Brasil?
AM: Eita, esta pergunta é um pouco difícil para responder (risos). Infelizmente existem alguns “picaretas” que utilizam o trabalho social como uma fachada para praticar roubos. Talvez se houvesse uma fiscalização mais séria dos órgãos competentes, sobrariam somente as ONG’s honestas... Daí seria possível - e mais fácil - a captação de recursos financeiros para dar andamento aos projetos.
  
SL: E para saber mais a respeito dos trabalhos que você desempenha?
AM: Ambos os trabalhos são divulgados fortemente nas redes sociais e também possuem sites ou blogs. Contatos da Operação Arco-Íris: www.operacaoarcoiris.org.br, www.facebook.com/operacaoacoiris e http://blogdoarcoiris.blogspot.com.br.
Contatos da Esquadrilha da Risada: www.esquadrilhadarisada.com.br e www.facebook.com/esquadrilhadarisada
  
SL: Para finalizar, quais dicas você daria para quem tem vontade de participar da equipe ou desenvolver outros projetos sociais?
AM: Para ser voluntário da Operação Arco-Íris, é necessário passar por um rigoroso processo seletivo. E a Esquadrilha da Risada, no momento, não está “admitindo” novos “pilotos palhaços”. Mas, de uma forma geral, participar de projetos sociais idôneos é algo muito especial e que eu recomendo, seja qual for. Basta ter vontade de ajudar ao próximo e acreditar que este pequeno gesto pode salvar o mundo! 



3 comentários: