domingo, 19 de janeiro de 2014

PALMAS & REVERÊNCIAS


Foto: Divulgação

Ele não tem papas na língua... Mas é adorado por todos, tem uma simplicidade ímpar, um grande coração e muito bom senso de humor. Extremamente modesto e com opiniões sempre verdadeiras que, às vezes, resultam em grandes polêmicas, confira as revelações de José Ferreira Neto - mais conhecido como Neto, o eterno Craque Corinthiano - neste bate-papo exclusivo com o Blog Sucesso®.




SL: Neto, como foi seu início no futebol?
NE: Na verdade, tive uma carreira muito meteórica porque eu joguei pouco tempo nos times de base. Com 15 anos, eu já me tornava titular no Guarani em Campinas, um clube muito focado neste processo de aprendizagem e aperfeiçoamento dos jogadores. Foi tudo muito rápido, às vezes, acho até que eu poderia ter me desenvolvido mais... De certa maneira, isso mostra que eu tinha muito talento e muita força de vontade desde o início.

SL: Você continua sendo um dos maiores ídolos do Corinthians, recebendo até o título de “Xodó da Fiel” e sendo considerado como o melhor cobrador de faltas do Brasil. Em sua opinião, a que se deve este sucesso?
NE: Houve alguns fatores relevantes. Posso dizer que o Corinthians ficou praticamente 80 anos sem conquistar um título e eu integrei a equipe que venceu o Campeonato Brasileiro em 1990. Isso aconteceu há 24 anos, mas ainda tem grande repercussão para a torcida. É obvio que o Corinthians já tinha vários ídolos anteriores como Sócrates, Rivelino, Luizinho, Cláudio, Baltazar, entre outros, mas acho que eu fui um divisor de águas neste sentido, pela raça que eu jogava, os gols que eu fazia e o primeiro título brasileiro que eu ajudei a conquistar. Foi a partir daí que o Corinthians, antes considerado como time regional, acaba se transformando em um grande clube e uma grande potência no futebol.

SL: Como você lida com o lado difícil de ser polêmico?
NE: Hoje em dia, muita gente fala qualquer coisa para que aquilo se transforme em polêmica. Mas no meu caso, é diferente... Eu apenas dou a minha opinião, só que muitas vezes ela se torna polêmica. Na televisão e no rádio, algumas pessoas até mentem ou inventam notícias, o que não é o meu caso. É lógico que, às vezes, a gente acaba sendo criticado ou mal-interpretado pelas pessoas que não gostam do que você fala, mas faz parte da minha profissão, sou muito tranqüilo e não me importo com relação a isso.

SL: Um momento inesquecível enquanto jogador do Corinthians?
NE: Ah... Foram vários momentos inesquecíveis! Mas ainda destaco a conquista do Campeonato Brasileiro em 1990. Acho que foi o título mais importante de toda a minha trajetória, por ter sido muito aguardado pelo time e pela torcida. Em um âmbito maior, posso dizer que esta foi uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida.

SL: Hoje, na visão de torcedor, apresentador e comentarista, como você avalia o seu time do coração?
NE: Se avaliarmos apenas este último semestre, tecnicamente o Corinthians não foi bem, aliás, foi mal ‘para caramba’. Mas acho que a gente não deve analisar o time em uma só vertente, porque o Corinthians acumulou títulos, foi campeão da Recopa, do Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores, ganhou o Mundial, enfim, nos últimos três anos o time ganhou tudo, arrebentou... Temos que lembrar também que o Corinthians revolucionou a forma de pensamento em termos comerciais e vendas de camisetas, em breve terá seu próprio estádio e, atualmente, é uma potência mundial. Reconheço que o time precisa melhorar o desempenho nesta próxima temporada, mas diante de tudo isso, acho que ele deve ser seguido como exemplo.

SL: O que o Corinthians representa para você? De onde se originou tanta paixão?
NE: Originou de berço (risos). Sou torcedor do Corinthians desde pequenininho, junto com a minha mãe, lá em Santo Antônio de Posse. Quem é Corinthiano, sabe... Essa paixão não acaba nunca. Além de ter sido o time que me ofereceu a oportunidade de elevar a minha carreira como jogador e que realmente me consagrou no futebol.

SL: E a experiência de jogar no exterior?
NE: Na verdade, eu joguei pouco tempo no exterior. Passei pelo Deportivo Italchacao da Venezuela e pelo Millionários da Colômbia, este último considerado como um grande clube no país. Mas acho que eu poderia ter gerenciado melhor a minha ida ao exterior. Eu estava em um momento de transição na minha vida, poderia ter expandido a minha experiência fora do Brasil, porém, não tive essa oportunidade. Mas também não me arrependo de nada, porque guardo boas recordações.

SL: E a passagem pela seleção brasileira na equipe de Paulo Roberto Falcão?
NE: Foi muito importante para mim. Ser o capitão da Seleção Brasileira na era Falcão, não necessariamente ter participado da Copa do Mundo ou das fases eliminatórias, mas disputar a Copa América, conseguir conquistar o vice-campeonato Olímpico e participar de todas as seleções de base, foram momentos muito grandiosos. Sei que o meu desempenho na Seleção não foi equivalente aos determinados clubes que eu passei como o Corinthians ou o Guarani, mas sinto que foi uma passagem prazerosa. Vestir a camisa da seleção é sempre uma honra, um reconhecimento do seu trabalho.
  
SL: Quem são os seus ídolos no esporte hoje?
NE: Nós temos poucos ídolos no país atualmente, em todos os segmentos. Uma pessoa que eu admiro muito na televisão é o jornalista William Bonner, porque ele transmite credibilidade. Com relação ao esporte, acho que o Andrés Sanchez é revolucionário, ele implantou o conceito de democracia e mudou a forma de pensamento dentro do clube. É claro que o Corinthians tem mais de 100 anos de história e tradição, mas ele foi uma pessoa muito importante para elevar a grandeza do time durante estes cinco anos e, por isso, é um profissional que eu tenho uma grande consideração. Não poderia deixar de citar também o Tor Grael, Hortência, Magic Paula, Nelson Piquet e o Rivelino, todos eles são grandes ídolos nacionais.

SL: Como e quando surgiu o convite para se tornar comentarista esportivo?
NE: Comecei na Sportv, mas há 13 anos sou comentarista na TV Bandeirantes. E já fiz três Copas do Mundo. É uma função que eu entendo, desempenho com facilidade, conheço as técnicas de futebol na prática, enfim, é a minha profissão e a minha realização pessoal.  A gente aprende algo novo todos os dias, pois cada jogo é diferente do outro. Pretendo ficar, pelo menos, mais duas Copas do Mundo como comentarista, porque acho que estou desempenhando um papel legal e gosto muito dessa atividade.

SL: No comando do programa “Os Donos da Bola”, você utiliza sua simpatia e comenta os fatos do esporte com muita irreverência e inteligência. Para você, qual o aspecto mais gratificante no programa?
NE: O aspecto mais gratificante no programa é fazer os ‘merchans’ para ganhar dinheiro (risos). Brincadeiras à parte, para falar a verdade, eu não me considero como apresentador ainda. Eu tive uma chance na Band depois que o Datena deixou o “São Paulo Acontece”, mas acho que estou apenas engatinhando nesta função. O programa “Os Donos da Bola” está completando dois anos e, para se ter uma idéia, ele já foi para Curitiba, Bahia, Belo Horizonte, entre outras cidades e estados brasileiros, fato que nos revela boa aceitação do público e telespectador. Gostaria muito de continuar comandando o programa, é um cargo bem diferente de ser comentarista e eu estou me divertindo também. É muito gratificante dar oportunidade aos ex-jogadores estarem presentes em meu programa, interagindo com os atuais. São pessoas com grandes níveis de conhecimento e devem ser respeitadas.

SL: E a emoção de receber tantas homenagens, o reconhecimento de grandes personalidades e o carinho ímpar do público?
NE: Acho que as homenagens são muito válidas, quando baseadas nas conquistas de um profissional ao longo de sua carreira.  Mas confesso que eu não sou muito ligado a isso. Eu valorizo cada homenagem que eu recebi até hoje, mas em determinados casos eu até deixo de receber certos títulos, porque o meu maior reconhecimento está nas ruas da cidade. Procuro buscar nas pessoas que assistem ao programa e na minha família.

SL: Novidades para 2014?
NE: Pretendo fazer uma grande cobertura da Copa do Mundo aqui no Brasil, pelo Grupo Bandeirantes. A estrutura já está sendo preparada por toda a equipe, nós vamos viajar bastante para cobrir os jogos da seleção brasileira - com a aguardada estreia contra a Croácia, o Campeonato Paulista está começando agora no início do ano a todo vapor... Sei que 2014 será um ano bem ‘puxado’, mas eu espero estar bem e sempre disposto para ajudar a Band a conseguir alcançar todos os seus objetivos.

SL: E para saber mais a respeito de José Ferreira Neto, o eterno craque do Timão?
NE: Todos podem acompanhar o meu trabalho através das redes sociais no Facebook - Facebook.com/craqueneto, no Twitter - @10neto, no Instagram Oficial - craqueneto10 e no Blog - blogdoneto.blogosfera.uol.com.br.

SL: Para finalizar, qual a dica para quem está iniciando no futebol?
NE: Para quem está começando no futebol, saiba que a dificuldade é enorme, mas você precisa sonhar e continuar trabalhando muito. Jogador precisa treinar dias e noites, fazer concessões, se desenvolver rapidamente e corresponder às cobranças contínuas - seja do time, da torcida, do treinador ou as próprias cobranças internas. Mas se você não desistir do sonho, pode chegar lá. Obrigado.

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