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| Foto: Divulgação |
Ele não tem papas na língua... Mas é adorado por todos, tem uma simplicidade ímpar, um grande coração e muito bom senso de humor. Extremamente modesto e com opiniões sempre verdadeiras que, às vezes, resultam em grandes polêmicas, confira as revelações de José Ferreira Neto - mais conhecido como Neto, o eterno Craque Corinthiano - neste bate-papo exclusivo com o Blog Sucesso®.
SL: Neto, como foi seu início no futebol?
NE: Na verdade, tive
uma carreira muito meteórica porque eu joguei pouco tempo nos times de base. Com
15 anos, eu já me tornava titular no Guarani em Campinas, um clube muito focado
neste processo de aprendizagem e aperfeiçoamento dos jogadores. Foi tudo muito
rápido, às vezes, acho até que eu poderia ter me desenvolvido mais... De certa
maneira, isso mostra que eu tinha muito talento e muita força de vontade desde
o início.
SL: Você
continua sendo um dos maiores ídolos do Corinthians, recebendo até o título de “Xodó
da Fiel” e sendo considerado como o melhor cobrador de faltas do Brasil. Em sua
opinião, a que se deve este sucesso?
NE: Houve alguns
fatores relevantes. Posso dizer que o Corinthians ficou praticamente 80 anos
sem conquistar um título e eu integrei a equipe que venceu o Campeonato
Brasileiro em 1990. Isso aconteceu há 24 anos, mas ainda tem grande repercussão
para a torcida. É obvio que o Corinthians já tinha vários ídolos anteriores
como Sócrates, Rivelino, Luizinho, Cláudio, Baltazar, entre outros, mas acho
que eu fui um divisor de águas neste sentido, pela raça que eu jogava, os gols
que eu fazia e o primeiro título brasileiro que eu ajudei a conquistar. Foi a
partir daí que o Corinthians, antes considerado como time regional, acaba se transformando
em um grande clube e uma grande potência no futebol.
SL: Como
você lida com o lado difícil de ser polêmico?
NE: Hoje em dia, muita
gente fala qualquer coisa para que aquilo se transforme em polêmica. Mas no meu
caso, é diferente... Eu apenas dou a minha opinião, só que muitas vezes ela se
torna polêmica. Na televisão e no rádio, algumas pessoas até mentem ou inventam
notícias, o que não é o meu caso. É lógico que, às vezes, a gente acaba sendo
criticado ou mal-interpretado pelas pessoas que não gostam do que você fala,
mas faz parte da minha profissão, sou muito tranqüilo e não me importo com relação
a isso.
SL: Um
momento inesquecível enquanto jogador do Corinthians?
NE: Ah... Foram vários
momentos inesquecíveis! Mas ainda destaco a conquista do Campeonato Brasileiro
em 1990. Acho que foi o título mais importante de toda a minha trajetória, por
ter sido muito aguardado pelo time e pela torcida. Em um âmbito maior, posso
dizer que esta foi uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha
vida.
SL: Hoje,
na visão de torcedor, apresentador e comentarista, como você avalia o seu time
do coração?
NE: Se avaliarmos
apenas este último semestre, tecnicamente o Corinthians não foi bem, aliás, foi
mal ‘para caramba’. Mas acho que a gente não deve analisar o time em uma só
vertente, porque o Corinthians acumulou títulos, foi campeão da Recopa, do
Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores, ganhou o Mundial, enfim,
nos últimos três anos o time ganhou tudo, arrebentou... Temos que lembrar
também que o Corinthians revolucionou a forma de pensamento em termos comerciais
e vendas de camisetas, em breve terá seu próprio estádio e, atualmente, é uma
potência mundial. Reconheço que o time precisa melhorar o desempenho nesta
próxima temporada, mas diante de tudo isso, acho que ele deve ser seguido como
exemplo.
SL: O
que o Corinthians representa para você? De onde se originou tanta paixão?
NE: Originou de berço
(risos). Sou torcedor do Corinthians desde pequenininho, junto com a minha mãe,
lá em Santo Antônio
de Posse. Quem é Corinthiano, sabe... Essa paixão não acaba nunca. Além de ter
sido o time que me ofereceu a oportunidade de elevar a minha carreira como
jogador e que realmente me consagrou no futebol.
SL: E
a experiência de jogar no exterior?
NE: Na verdade, eu
joguei pouco tempo no exterior. Passei pelo Deportivo Italchacao da Venezuela e
pelo Millionários da Colômbia, este último considerado como um grande clube no
país. Mas acho que eu poderia ter gerenciado melhor a minha ida ao exterior. Eu
estava em um momento de transição na minha vida, poderia ter expandido a minha
experiência fora do Brasil, porém, não tive essa oportunidade. Mas também não
me arrependo de nada, porque guardo boas recordações.
SL: E
a passagem pela seleção brasileira na equipe de Paulo Roberto Falcão?
NE: Foi muito
importante para mim. Ser o capitão da Seleção Brasileira na era Falcão, não
necessariamente ter participado da Copa do Mundo ou das fases eliminatórias,
mas disputar a Copa América, conseguir conquistar o vice-campeonato Olímpico e
participar de todas as seleções de base, foram momentos muito grandiosos. Sei
que o meu desempenho na Seleção não foi equivalente aos determinados clubes que
eu passei como o Corinthians ou o Guarani, mas sinto que foi uma passagem prazerosa.
Vestir a camisa da seleção é sempre uma honra, um reconhecimento do seu
trabalho.
SL: Quem
são os seus ídolos no esporte hoje?
NE: Nós temos poucos
ídolos no país atualmente, em todos os segmentos. Uma pessoa que eu admiro
muito na televisão é o jornalista William Bonner, porque ele transmite
credibilidade. Com relação ao esporte, acho que o Andrés Sanchez é
revolucionário, ele implantou o conceito de democracia e mudou a forma de
pensamento dentro do clube. É claro que o Corinthians tem mais de 100 anos de
história e tradição, mas ele foi uma pessoa muito importante para elevar a
grandeza do time durante estes cinco anos e, por isso, é um profissional que eu
tenho uma grande consideração. Não poderia deixar de citar também o Tor Grael,
Hortência, Magic Paula, Nelson Piquet e o Rivelino, todos eles são grandes
ídolos nacionais.
SL: Como
e quando surgiu o convite para se tornar comentarista esportivo?
NE: Comecei na Sportv,
mas há 13 anos sou comentarista na TV Bandeirantes. E já fiz três Copas do
Mundo. É uma função que eu entendo, desempenho com facilidade, conheço as
técnicas de futebol na prática, enfim, é a minha profissão e a minha realização
pessoal. A gente aprende algo novo todos
os dias, pois cada jogo é diferente do outro. Pretendo ficar, pelo menos, mais
duas Copas do Mundo como comentarista, porque acho que estou desempenhando um
papel legal e gosto muito dessa atividade.
SL: No
comando do programa “Os Donos da Bola”, você utiliza sua simpatia e comenta os
fatos do esporte com muita irreverência e inteligência. Para você, qual o
aspecto mais gratificante no programa?
NE: O aspecto mais
gratificante no programa é fazer os ‘merchans’ para ganhar dinheiro (risos).
Brincadeiras à parte, para falar a verdade, eu não me considero como
apresentador ainda. Eu tive uma chance na Band depois que o Datena deixou o
“São Paulo Acontece”, mas acho que estou apenas engatinhando nesta função. O
programa “Os Donos da Bola” está completando dois anos e, para se ter uma
idéia, ele já foi para Curitiba, Bahia, Belo Horizonte, entre outras cidades e
estados brasileiros, fato que nos revela boa aceitação do público e
telespectador. Gostaria muito de continuar comandando o programa, é um cargo
bem diferente de ser comentarista e eu estou me divertindo também. É muito
gratificante dar oportunidade aos ex-jogadores estarem presentes em meu
programa, interagindo com os atuais. São pessoas com grandes níveis de
conhecimento e devem ser respeitadas.
SL: E
a emoção de receber tantas homenagens, o reconhecimento de grandes
personalidades e o carinho ímpar do público?
NE: Acho que as
homenagens são muito válidas, quando baseadas nas conquistas de um profissional
ao longo de sua carreira. Mas confesso
que eu não sou muito ligado a isso. Eu valorizo cada homenagem que eu recebi
até hoje, mas em determinados casos eu até deixo de receber certos títulos,
porque o meu maior reconhecimento está nas ruas da cidade. Procuro buscar nas
pessoas que assistem ao programa e na minha família.
SL: Novidades
para 2014?
NE: Pretendo fazer uma
grande cobertura da Copa do Mundo aqui no Brasil, pelo Grupo Bandeirantes. A
estrutura já está sendo preparada por toda a equipe, nós vamos viajar bastante
para cobrir os jogos da seleção brasileira - com a aguardada estreia contra a
Croácia, o Campeonato Paulista está começando agora no início do ano a todo
vapor... Sei que 2014 será um ano bem ‘puxado’, mas eu espero estar bem e
sempre disposto para ajudar a Band a conseguir alcançar todos os seus
objetivos.
SL: E
para saber mais a respeito de José Ferreira Neto, o eterno craque do Timão?
NE: Todos podem acompanhar o meu trabalho
através das redes sociais no Facebook - Facebook.com/craqueneto, no Twitter - @10neto,
no Instagram Oficial - craqueneto10 e no Blog - blogdoneto.blogosfera.uol.com.br.
SL: Para
finalizar, qual a dica para quem está iniciando no futebol?
NE: Para quem está
começando no futebol, saiba que a dificuldade é enorme, mas você precisa sonhar
e continuar trabalhando muito. Jogador precisa treinar dias e noites, fazer concessões, se desenvolver
rapidamente e corresponder às cobranças contínuas - seja do time, da torcida,
do treinador ou as próprias cobranças internas. Mas se você não desistir do
sonho, pode chegar lá. Obrigado.

O NETO É UMA FIGURAÇA 》》》》》DJ
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