domingo, 18 de janeiro de 2015

PALMAS & REVERÊNCIAS



Foto: Divulgação
E para abrir a temporada 2015 com chave de ouro, temos a honra de publicar uma entrevista super especial com um grande talento do rádio e da televisão... 

Ele realmente ama sua profissão e todos os seus projetos, desde os mais diversificados, são sinônimos de sucesso. 

Contrariando a regra de que quem faz muitas coisas, acaba não fazendo nenhuma delas bem feito, ele deixa sua marca em tudo o que faz e consolida sua nova legião de fãs que se une à geração anterior. Com vocês, toda a inteligência, a irreverência, o charme, a simplicidade e o carisma ímpar do locutor e apresentador Zé Luiz!!!
  

SL: Zé, como foi o início da sua carreira no rádio?
ZL: Foi muito engraçado. Enquanto estudava jornalismo, acabei encontrando um monte de equipamentos espalhados em uma sala da faculdade. Pertenciam a uma rádio antiga que havia sido desativada. Conversei com os técnicos e resolvemos reativá-la. Assim aconteceu a estreia do meu primeiro programa de rock - na rádio dentro da faculdade. No começo era apenas brincadeira, curiosidade...  Mas, depois disso, eu passei a trabalhar em uma rádio de Americana, interior de SP. E aí não parei mais! Na seqüência... Campinas, Valinhos e outras imediações, até entrar definitivamente na 89FM. Tive uma passagem rápida pela Jovem Pan, mas posso dizer que praticamente toda a minha vivência profissional de rádio ocorreu na 89FM em SP, onde trabalhei de 1988 a 2006 e retornei no ano passado, quando a rádio voltou sua programação exclusivamente ao rock.

SL: Como surgiu o bordão “Zé Luiz lhes diz...”?
ZL: Surgiu como uma brincadeira baseada no estilo do Gil Gomes, uma das maiores figuras emblemáticas do rádio. Sempre achei estranho falar o meu próprio nome nas locuções, então eu procurava uma determinada assinatura para ficar mais interessante e menos óbvia. Fazendo esse link com o Gil Gomes, criei o bordão “Zé Luiz lhes diz”, tirava o volume, soltava a trilha de rock e, então, eu saudava a todos os ouvintes com bom dia. Acho que virou uma de minhas marcas registradas (risos).

SL: Além do rádio, resumidamente, quais os trabalhos que você já desempenhou na publicidade, no teatro e na televisão?
ZL: Na publicidade eu não fiz muitos projetos, mas alguns se prolongaram por muito tempo e, por isso, foram muito significativos para minha carreira também. Tele Sena, Extra Hipermercados e Casas Bahia foram as três campanhas mais fortes onde atuei por quase 10 anos. Nas Casas Bahia, por exemplo, eu permaneci de 6 a 7 anos e isso me gerava preocupação, pois tinha receio da minha imagem ficar muito marcada neste ramo de atividade.  Mas isso não aconteceu porque eu diversifiquei os meus trabalhos e acho que, após o término de cada projeto, não fiquei vinculado a nenhuma das marcas que representei. Com relação ao teatro, trabalhei por 10 anos como ator e foi uma experiência única na minha vida. Na televisão eu comecei no Shop Tour, um dos programas de vendas mais conhecidos. Fiz participações no X-Tudo da TV Cultura, no Zapping da TV Record (com a Virgínia Novick) e, simultaneamente, virei repórter do programa Eliana no Parque. Posteriormente, tornei-me repórter do programa Tempo de Alegria comandado pelo Celso Portiolli no SBT. Mas retornei à Record para fazer reportagens no É Show com a Adriane Galisteu. Foi um programa que eu curti muito, mas mudou o seu formato quando migrou para o SBT e eu acabei saindo do projeto. Atualmente, estou muito feliz e satisfeito em integrar a equipe da Rede TV. Inicialmente comandei o Morning Show, precursor do programa Muito Show. Gosto de testar as minhas habilidades e sou movido a desafios. Amo o que eu faço.
  
SL: Sua voz sempre foi uma das marcas registradas da 89FM - a eterna rádio rock - que fez parte da história de vida de muitos ouvintes. Como foi sua despedida naquele momento em que a rádio estava sofrendo reformulações no perfil de sua programação?  Parecia ser o fim de um sonho?
ZL: Sim, porque foi algo muito inesperado. Isso aconteceu em 2006, eu estava no ar e finalizei o programa normalmente com meu bordão “Zé Luiz lhes diz... Até amanhã”. Depois que o programa acabou, romperam o meu contrato alegando que a rádio havia decidido mudar o perfil de audiência e investir em um público mais novo. Eu fiquei muito chateado porque não pude me despedir dos ouvintes. Mas eu compreendo, é assim que acontece em todas as emissoras. A partir daí, a 89FM passou a seguir uma linha mais comercial, mais pop, que eles achavam ser mais fácil de trabalhar na época. Acho que hoje eles entenderam que nem sempre é assim, pois se você souber trabalhar bem um perfil diferenciado de público-alvo, pode acabar faturando mais. Comercialmente, a 89FM tem um melhor desempenho hoje, retornando às origens do rock, do que permanecendo no mercado pop, com uma competição mais acirrada e um público de faixa etária menos consumidora, por exemplo. Os ouvintes se identificam mais com o perfil da rádio rock. A maior prova disso é que ela permaneceu um tempo fora do mercado e voltou comercialmente ainda mais forte.

SL: Após o renascimento da rádio e, atualmente, no comando do programa “Do balacobaco 2.Zé” da 89FM, um dos maiores líderes de audiência, o que significou esse retorno às raízes? Uma possível realização plena?
ZL: Sim, principalmente porque retornei ao mesmo programa que eu sempre curti fazer. Na verdade, a 89FM voltou a ser rádio rock no final de 2012 e eu já tinha recebido o convite para retornar à emissora. Mas na época eu estava desenvolvendo outros projetos e não pude abandoná-los. Quando entrei na Rede TV, inicialmente meu programa seria na parte da manhã e, assim, não poderia conciliar os horários com a rádio, que também planejava o mesmo período como estratégia de audiência. Assim que consegui mudar meus horários na televisão, voltei para a 89FM. Agora costumo passar as minhas manhãs no rádio e o resto do dia na TV. Esse retorno a 89FM foi mágico, pois o público antigo ainda acompanha a programação e eu recebo visitas de ouvintes de várias gerações. A internet ampliou o alcance da rádio e hoje disputamos audiência via aplicativo, via site, fora de SP e até mesmo em outros países. Tudo isso é muito gratificante para nós.

SL: Quais foram os momentos mais marcantes em sua vida profissional?
ZL: Ahhhh... Vários. Posso citar um show da 89FM que consistia em uma campanha pela paz e pelo desarmamento. Preparamos várias vinhetas e esquetes sobre o tema e encerraríamos no fim de semana com um show dos Titãs no Pacaembu. A emissora ficava na Praça Oswaldo Cruz, local onde colocamos um trio elétrico que seguiria com a banda até o Pacaembu. A gente estimava umas cinco mil pessoas no evento, mas apareceram trinta mil (risos). Ou seja, paramos a avenida Paulista! (risos) Foi algo inesquecível, assim como algumas entrevistas que eu realizei com pessoas memoráveis como a Cássia Eller, por exemplo. E na televisão, me emocionei muito durante um especial do dia dos pais no programa da Galisteu, onde as minhas filhas fizeram uma linda homenagem para mim. Esses momentos são sempre especiais.

SL: O que você acha das novas tendências na área da comunicação, como por exemplo, as web rádios?
ZL: Acho que são muito válidas, pois é uma forma de se democratizar este tipo de trabalho. Muitos profissionais buscam seu espaço e acredito que quem for realmente bom vai chegar lá. É uma boa forma de exercício e quem se destaca, geralmente, consegue entrar em alguma emissora consagrada ou faz a própria emissora web crescer. Independente de ser rádio ou TV, de uma maneira geral, na web existe total liberdade de expressão e de opinião, características que eu aprecio muito.

SL: Diante das suas próprias experiências, você acha que ocorreram mudanças significativas no modo de se fazer rádio ao longo dos anos?
ZL: Acho que sim, mas é algo um pouco complexo para se analisar. Com relação ao avanço tecnológico, distribuição de tarefas, equipes, organogramas e principais sistemas, as emissoras estão em constante movimento. É necessário se informar e reciclar conhecimentos sempre. Com relação à programação, basicamente uma emissora precisa de dois fatores primordiais: audiência e retorno financeiro.  E hoje, se você analisar somente a questão da audiência, uma rádio popular tem muito mais ouvintes do que as rádios segmentadas como a rádio rock ou as rádios de público mais adulto como a Nova Brasil, a Alpha e a Antena 1, por exemplo. Em contrapartida, estas últimas podem obter um maior faturamento do que as sete primeiras colocadas que são populares, pois a concorrência comercial automaticamente é menor entre elas. A rádio popular não disputa veiculações diretamente com as rádios segmentadas ou de público adulto. Por exemplo, a 89FM aparece por volta do décimo lugar, só que as sete primeiras são rádios populares, com um público que necessariamente não ouve a 89FM. E vice-versa. Então a forma mais correta de se analisar seria considerando apenas as posições de suas concorrentes diretas, o que revela a rádio rock em uma ótima posição no ranking. Uma rádio pode ser segmentada e ter um feedback promissor, desde que tenha um departamento comercial atuante e que se posicione corretamente no mercado com ideias inovadoras. Afinal, uma emissora de rádio não é simplesmente o que ela toca, mas sim, quem fala, a produção do programa, a qualidade de plástica e som, a criatividade das vinhetas e assim por diante...
  
SL: Alguma nova banda de rock chamou sua atenção de um modo especial?
ZL: Adoro ouvir rádio web de som alternativo americano. É diferente porque lá fora você encontra um mercado muito maior, que movimenta mais retorno financeiro ao artista e aos produtores. Dessa forma, criam-se mais oportunidades e aumentam-se as possibilidades, desde as bandas mais antigas às atuais como Strokes, Arctic Monkeys, Foster The People, Lorde, entre outras. No Brasil, atualmente não temos uma cena como nós tínhamos no final dos anos 80, com a explosão das bandas de rock como Titãs, Paralamas do Sucesso, Ira, Capital Inicial, Engenheiros e Legião Urbana, por exemplo. Nos anos 90, foi a vez das bandas de Seattle como Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam, entre outros. Algumas bandas novas me chamaram a atenção como Vespas Mandarinas e Snipers, mas ainda acho que falta uma cena que possa elevar o rock nacional nos dias de hoje.

SL: E para que isso aconteça, você acha que existe espaço suficiente para as bandas de rock independentes no cenário da música atual?
ZL: Sim e não (risos). Em minha opinião, espaço existe, mas não o suficiente. Algumas casas de shows até recebem essas bandas independentes, mas falta divulgação por exemplo. Os músicos que vivem dos shows dependem dos contratantes. É um fator compreensível que, saindo do eixo Rio-SP, o contratante prefira contratar um DJ ou uma dupla sertaneja a uma banda de rock, que possui um custo muito maior de deslocamento por uma questão de recursos, equipamentos, integrantes etc. Acho que hoje existe muita demanda de sertanejo e funk... E falta uma cena de rock ou pop. Desacredito um pouco destes programas de ‘reality' musical, pois o programa é sempre líder de audiência, alguns músicos alcançam a fama momentânea, conquistam a repercussão pública, mas infelizmente ficam rotulados e não conseguem prosseguir na carreira por muito tempo. É muito importante que as pessoas saibam que cantar bem não significa, necessariamente, fazer sucesso ou agradar à massa. Fatores como carisma, atitude, identidade, criatividade, inovação, figurino, origens, influências, linguagens e presença de palco contam muitos pontos e são diferenciais para se fazer história.

SL: Em sua opinião, quais os principais clássicos do rock que jamais poderíamos esquecer?
ZL: Em minha modesta opinião, acima de tudo, Rolling Stones, Beatles, Led Zeppelin e The Who. É engraçado, sou meio avesso ao som muito pesado e alguns clássicos como Pink Floyd e Genesis, por exemplo, apesar de respeitar os seus legados na música. Mas acho que todas as bandas que eu citei primeiramente são atemporais (risos).

SL: Como está sendo sua experiência no comando do programa “Muito Show” na Rede TV?
ZL: Ótima! Foi a minha chance de mostrar que eu poderia ir além do rádio e conquistar o meu espaço também na televisão. Estou tendo um feedback positivo das pessoas nas ruas e isso me deixa extremamente feliz. No começo não parecia ser uma tarefa tão fácil... Um apresentador tem que falar de A a Z porque a TV aberta não é segmentada, aspecto bem diferente do que se pratica no rádio. Mas acho que este projeto realmente deu certo, porque já estou quase completando 2 anos de emissora. Gosto muito da minha equipe de trabalho e, aproveitando a oportunidade, gostaria de mandar forças para a Andressa Urach em sua recuperação. Costumo brincar dizendo que “estou” apresentador, porque amanhã o dono da emissora acorda de mau humor e eu perco o meu emprego (risos). Mas acho que faz parte da vida, aconteça o que acontecer nos próximos anos, sei que adquiri uma maturidade muito grande e um maior entendimento sobre televisão, lições que vou carregar por toda a minha vida.

SL: Novos projetos à vista? O que ainda está prestes a ser conquistado?
ZL: Preciso ser franco... Não costumo fazer planos porque todos aqueles que eu fiz acabaram mudando no decorrer do tempo (risos). A curto prazo, pretendo continuar comandando o programa Do balacobaco 2.Zé na 89FM (que eu amo fazer), prosseguir com meus projetos de locução na Fox Life e permanecer na Rede TV de uma forma positiva a todos, agradando ao público, ao contratante e a mim mesmo. Estou muito feliz com esse momento que estou vivendo e desejo me aprimorar cada vez mais.

SL: Qual a principal dica que você deixaria para quem está ingressando no meio artístico?
ZL: Se é o que você quer, não desista nunca. A internet é um instrumento facilitador para divulgação do seu trabalho, então aproveite-a da melhor forma possível. Hoje em dia dá para fazer até programa para iPhone. Crie coisas, coloque no ar, se exercite mesmo que não dê muita audiência em um primeiro momento. Portas dos Fundos alcançou mais de 9 milhões de acessos, mas eles começaram sem essa garantia de sucesso, era apenas um bando de amigos tentando realizar um objetivo comum. Então pode dar certo, basta confiar em seu potencial e ir à luta! Quando eu converso com universitários, costumo brincar dizendo que todo mundo recebe “não”, atores já consagrados como Antônio Fagundes, exímios jornalistas como William Bonner, radialistas famosos, enfim, talvez o único que não receba “não” seria o Silvio Santos, porque ele é dono da emissora (risos). Mas acredito que até ele receba “não” em determinados momentos. Então o “não” faz parte e não se pode fugir dele. O importante é superar isso e qualquer outra dificuldade que surgir em seu caminho. Se você se dedicar de verdade, certamente conseguirá chegar aonde deseja.

SL: E para saber mais sobre Zé Luiz, como encontrá-lo nas redes sociais?
ZL: Confesso que sou um pouco desorganizado para essas coisas (risos), mas eu tenho o Twitter - @zeluizlhesdiz, Facebook - Zé Luiz Lhes Diz - e Instagram - @zeluiz. Devido à falta de tempo, não divulgo diariamente o meu trabalho, mas tento responder todas as mensagens com o maior carinho.  Na 89FM, todos podem interagir de segunda a sexta, das 10h ao meio-dia, com edição especial aos sábados - http://www.radiorock.com.br/do-balacobaco. Acompanhem meu trabalho na página da Rede TV - http://www.redetv.uol.com.br/muitoshow - e confiram minhas locuções na Fox Life. Por enquanto, é isso aí!

SL: Para finalizar com seu estilo único do bom-humor - temos mesmo que finalizar esta entrevista? (risos) - você se lembra de alguma situação engraçada ocorrida em alguma emissora de rádio?
ZL: Vááárias (risos). Principalmente na época do rádio em que se usava disco de vinil. Uma destas histórias engraçadas aconteceu quando eu trabalhava na rádio Independência, em Valinhos, interior de SP. Na época eu tinha um buggy branco com documentação irregular e, por isso, todos os dias eu viajava de Campinas a Valinhos pela estrada de terra (risos).  Eu rendia meu colega na rádio às 6h da manhã, então eu acompanhava a programação da rádio durante a viagem. Até que um belo dia, eu estava ouvindo a música Shout do Tears For Fears, uma música de 8 a 9 minutos, uma das mais longas que nós tínhamos disponível na rádio. A música foi terminando, abaixando, abaixando, abaixou, silêncio total, não entrou vinheta e ficou aquele barulho de agulha pulando no ar (risos). Eu já estava em frente à emissora, buzinei e o porteiro veio correndo abrir o portão, dizendo que a rádio estava fora do ar e o locutor havia sumido. Ninguém entendeu o que tinha acontecido, afinal éramos apenas nós três que estaríamos na rádio naquele horário. Corri para programar a próxima música na vitrola, normalizei a situação da rádio e abaixei o volume. Aí ouvi alguém batendo na porta do banheiro, desesperado, pedindo ajuda. Coitado, o outro locutor foi usar o banheiro, a porta travou e ele ficou preso lá dentro (risos). Nossa! Tem várias outras histórias que nem dá para contar aqui (risos). Mas eu lembro de coisas básicas como esquecer o microfone aberto e falar bobagem no ar, ou gente que entra falando alto no estúdio sem perceber que estamos ao vivo, enfim, acho que dá para fazer um livro reunindo todas essas recordações (risos).




3 comentários:

  1. o Zé é referencia pra todos que cursam areas de comunicacao pois é um verdadeiro exemplo de talento e simpatia, parabens ze luiz

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  2. grande ze luiz lhes dizzzzzzz, a voz da radio rock, entrevista do caralh******

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