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| Foto: Divulgação |
De
jornalista para jornalista... Nosso post
de março está imperdível! Preparamos uma entrevista super especial com o
jornalista Marcelo
Torres, que conta detalhes das suas aventuras ao redor do mundo como
correspondente internacional e toda sua experiência adquirida à frente dos jornais do SBT. Um profissional sério, competente, talentoso, simpático, dedicado
e que possui uma vivência ímpar e muito interessante. Um grande exemplo para os profissionais da área. Confira, com
exclusividade, aqui no Blog Sucesso.®
SL: Marcelo, como foi o seu início no jornalismo?
MT: Minha carreira começou na época em que eu ainda cursava a Unesp. Fui
estagiário na Editora Alto Astral em Bauru. Quando me formei, fui contratado.
Permaneci por volta de um ano e sete meses, trabalhando ao mesmo tempo no
Jornal da Cidade e, depois, na Rede Globo Oeste Paulista (atual TV Tem). Foi
meu primeiro trabalho como repórter. Em seguida, recebi o convite para
trabalhar na afiliada da TV Globo de Sorocaba e, na sequência, fui para a Globo
Minas, em Belo Horizonte. Mais tarde, cursei mestrado em Londres, trabalhei na
BBC e no SBT.
SL: O que ocasionou sua ida ao exterior? A sua principal motivação foram
os estudos ou você recebeu propostas profissionais para deixar o Brasil?
MT: Fui inicialmente à Inglaterra porque ganhei uma bolsa de estudos do Conselho
Britânico. Existe um programa chamado “Chevening
Awards” que, anualmente, distribui bolsas de estudos para brasileiros.
Quando fui selecionado, fiquei muito animado, pois estava em busca de realizar
o meu mestrado e essa era uma oportunidade única na minha vida. Como consegui
licença da TV Globo, pude estudar e trabalhar em Londres durante todo o período
em que estive por lá. Fiquei seis meses na BBC, voltei de licença e permaneci
mais sete meses na Globo Minas. Surgiu um concurso para uma vaga permanente na
BBC. Fiz os testes sem muitas expectativas, porque a concorrência era
assustadora, com centenas de candidatos, mas, no final, deu tudo certo e eu
consegui a vaga. Foi algo muito inesperado para mim! Dessa forma, retornei à
BBC planejando permanecer por um ano em Londres, mas, por ter entrado depois de
um ano no SBT, acabei ficando mais sete.
SL: No início, foi muito difícil se adaptar com a rotina e a cultura de
outro país? Quais foram os seus maiores desafios?
MT: Sim, com certeza, é sempre um desafio. Londres é uma cidade muito boa,
mas também tem os seus problemas - um inverno bem rigoroso e uma cultura bem
diferente da nossa. Por mais que a cidade seja melhor ou mais desenvolvida em
determinados aspectos – como a questão do transporte, por exemplo – você tem
que lidar com alguns fatores pessoais, como a distância dos seus familiares, da
sua terra e dos seus costumes. Em outras palavras, quando você está em um país
estranho, você é somente mais um na multidão. A grande dificuldade é se adaptar
a essa nova cultura e fazer amigos. E isso pode demorar muito tempo para
acontecer. Graças a Deus, consegui fazer boas amizades por lá.
SL: Antes do SBT, você mencionou que trabalhou na BBC e na Rede Globo.
Como foram estas experiências?
MT: Em cada lugar que trabalhei, aprendi habilidades diferentes. Na Rede
Globo, eu aprendi o ‘beabá’ da
reportagem. A BBC ampliou minha visão do jornalismo internacional e me permitiu
trabalhar em outra língua. Já o SBT me ofereceu oportunidades diversas, como
aprimorar as técnicas do jornalismo internacional, viajar para locais que eu
jamais viajaria se não fosse a trabalho, conhecer a realidade de países muito
distantes e, principalmente, atuar como âncora dos telejornais da emissora.
Posso dizer que estou em uma fase de aprendizagem intensa e muito satisfeito
com essas novas possibilidades.
SL: Como correspondente internacional do SBT em Londres, você já
percorreu inúmeros países, incluindo zonas de guerra. Entre todas as coberturas
já realizadas, em sua opinião, qual foi a mais impactante?
MT: É muito difícil selecionar apenas uma cobertura específica. Mas algo
que me marcou muito foi o fato de ter sido um dos primeiros correspondentes
brasileiros a chegar à fronteira durante os conflitos na Líbia. Primeiramente
porque o país estava fechado para estrangeiros e, dessa forma, a nossa entrada
não foi nada fácil. Nossa equipe teve que entrar de forma clandestina, em uma
fronteira leste que estava dominada por rebeldes. Além disso, passamos por
momentos de muita tensão. Alguns rebeldes haviam dominado parte das cidades
para mostrar que o líder Muamar Khadafi
estava prestes a cair. E como nós estávamos na região próxima à fronteira da
guerra, quase fomos confundidos como inimigos e alvejados por um avião do Khadafi. O avião soltou uma bomba na
estrada a uns dez minutos de onde nós estávamos. Apesar do susto, o lado
positivo foi conseguir registrar o calor do conflito com imagens exclusivas,
uma das melhores oportunidades que tive de mostrar um fato enquanto ele
acontecia ali, em tempo real. Ou seja, fizemos boa parte da cobertura
jornalística com as nossas próprias imagens, sem depender das agências de
notícias. Assim como ocorreu durante a cobertura da Primavera Árabe no Egito,
pois nossa equipe também estava nos momentos cruciais que fizeram Hosni Mubarak cair. Acompanhamos todos
os protestos da Tahrir Square, no
Cairo. Sem dúvida, foram os dois momentos mais impactantes ao longo da minha
carreira.
SL: Provavelmente, a posição de correspondente em Londres é uma das mais
cobiçadas no meio do jornalismo. No exercício da sua profissão, você optaria
por atuar na Capital Britânica - em aparente “tranqüilidade”- ou em uma região
normalmente mais conturbada como, por exemplo, o Oriente Médio?
MT: Apesar dos riscos, você se sente muito útil trabalhando em uma área de
guerra, já que tem a possibilidade de mostrar uma realidade que, muitas vezes,
é difícil de ser divulgada, dado o difícil acesso. Todas as vezes que
consegui chegar às zonas de guerra – como Iraque, Afeganistão e os países da
Primavera Árabe, por exemplo – pude mostrar o sofrimento daquelas pessoas e
sentir na pele as suas aflições. Durante o trabalho de repórter, temos que
aprender a lidar com situações de extremo perigo, manter a calma e saber se
proteger.
SL: Durante as coberturas de guerra, quais privações toda a equipe de
reportagem deve superar? E o que se deve evitar no vídeo?
MT: Depende. Para cada ambiente, uma dificuldade diferente. Por exemplo,
quando eu estava no Afeganistão, fiquei na Base Militar Americana de uma cidade
chamada Ghazni. Essa região era
atacada pelo Talibã todas as noites. Era difícil dormir com o barulho das
metralhadoras dos soldados que ficavam nas torres de controle. Não podíamos
acender as luzes do quarto para não virarmos alvos mais fáceis dos rebeldes que
estavam do lado de fora. Às vezes, tínhamos que levar garrafas de plástico para
o quarto, para improvisar como banheiro, evitar o deslocamento e a
possibilidade de levarmos um tiro durante a noite. O comando americano não
impôs nenhum tipo de censura às nossas imagens.
SL: Com relação às reportagens realizadas sobre o famoso personagem
“Harry Potter”, como você analisa esta temática mais voltada para o
entretenimento?
MT: Acho muito bacana. Tenho um carinho muito especial pelo Harry Potter. Fiz a cobertura da série
de filmes durante tantos anos consecutivos que acabei vendo toda aquela
turminha crescer. Em um dos filmes - Harry Potter e a Ordem da Fênix - acompanhei
a gravação por três dias e o elenco já até me chamava pelo nome. Claro que hoje
nem devem se lembrar mais de mim (risos), mas foi uma experiência
marcante.
SL: Quanto tempo você permaneceu longe do Brasil? E quais lições ou
bagagens profissionais você trouxe do exterior?
MT: Ao todo, foram nove anos. Quando você mora fora do Brasil por um
determinado período, você entende qual é a dor de um estrangeiro. Vejo tanta
gente criticando os estrangeiros que chegam ao Brasil, principalmente os
haitianos, e isso me toca muito. Porque eu tenho certeza que esses mesmos haitianos
estão sofrendo muito por aqui, enfrentando uma situação de vida muito difícil.
Eles não vieram a passeio. Pelo contrário, estão tentando uma vida melhor. No
meu caso, não migrei em busca de dinheiro, pois estava apenas procurando novos
desafios profissionais. Mesmo assim, não deixei de compartilhar o sentimento de
ser estrangeiro lá fora, porque as dificuldades são semelhantes e, muitas
vezes, você sente que não faz sentido para eles. Com o passar do tempo e muita
paciência, você aprende a se comportar de uma maneira a ser mais bem aceito
pela sociedade. Mas é uma tarefa difícil.
SL: Por méritos próprios e diante do afastamento do jornalista Carlos
Nascimento - em decorrência de problemas de saúde - você tornou-se âncora do
Jornal do SBT Noite por um determinado período na emissora. Como você avalia
este momento em sua carreira?
MT: Posso dizer que, de uma maneira geral, está sendo muito bacana a
oportunidade de ancorar jornais aqui no SBT. Fiquei muito triste quando o
Carlos Nascimento ficou doente. Ele é uma pessoa muito querida e sempre me
apoiou ao longo da minha carreira. Ter tido a oportunidade de substituí-lo
durante o tratamento foi algo que abracei com muita humildade e esforço. Hoje,
graças a Deus, ele está ótimo e voltou à rotina normal. O período em que fiquei
à frente do Jornal do SBT foi maravilhoso. Fiz grandes amigos e aprendi muito.
SL: Novos projetos para 2015? No âmbito profissional, quais sonhos ainda
estão por vir?
MT: Estou terminando de revisar um livro, mas é um projeto muito pessoal.
Estou em fase de revisão e, posteriormente, terei um agente literário para me
auxiliar nas outras etapas, ou seja, finalizarei o projeto em longo prazo. Não
sei se conseguirei publicá-lo ainda neste ano. No SBT, pretendo continuar
colaborando com tudo o que puder no Departamento de Jornalismo, fazendo
reportagens e ancorando os telejornais da casa sempre que for chamado. O SBT
vive um momento muito promissor, pois conseguiu consolidar a imagem de seus
telejornais, com um público muito fiel e uma equipe muito dedicada. Participar
de todo este trabalho está sendo uma grande honra para mim.
SL: E para saber mais a respeito de Marcelo Torres? Como encontrá-lo nas
redes sociais?
MT: As pessoas podem me achar no meu meu Twitter - @o_marcelotorres. E tenho um blog
no site do SBT - http://www.sbt.com.br/jornalismo/blogmarcelotorres. Está um pouco
desatualizado, infelizmente, mas pretendo retomá-lo em breve.
SL: Para finalizar, qual a notícia que você gostaria de divulgar nos
próximos anos?
MT: Gostaria de noticiar que todos os reservatórios aqui de São Paulo estão
com 80% da capacidade (risos). Queria também dar a notícia da cura da Aids e do
câncer, da evolução das pesquisas com células-tronco para curar o mal de
Alzheimer e outras doenças degenerativas, entre outras notícias que eu ainda
espero divulgar algum dia.



Grande Marcelo Torres! Exímio jornalista!
ResponderExcluirbom e imparcial, acho que ele merece um jornal exclusivo pra ele, alo sbt!
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