domingo, 8 de março de 2015

PALMAS & REVERÊNCIAS



Foto: Divulgação

De jornalista para jornalista... Nosso post de março está imperdível! Preparamos uma entrevista super especial com o jornalista Marcelo Torres, que conta detalhes das suas aventuras ao redor do mundo como correspondente internacional e toda sua experiência adquirida à frente dos jornais do SBT. Um profissional sério, competente, talentoso, simpático, dedicado e que possui uma vivência ímpar e muito interessante. Um grande exemplo para os profissionais da área. Confira, com exclusividade, aqui no Blog Sucesso.®




SL: Marcelo, como foi o seu início no jornalismo?
MT: Minha carreira começou na época em que eu ainda cursava a Unesp. Fui estagiário na Editora Alto Astral em Bauru. Quando me formei, fui contratado. Permaneci por volta de um ano e sete meses, trabalhando ao mesmo tempo no Jornal da Cidade e, depois, na Rede Globo Oeste Paulista (atual TV Tem). Foi meu primeiro trabalho como repórter. Em seguida, recebi o convite para trabalhar na afiliada da TV Globo de Sorocaba e, na sequência, fui para a Globo Minas, em Belo Horizonte. Mais tarde, cursei mestrado em Londres, trabalhei na BBC e no SBT.

SL: O que ocasionou sua ida ao exterior? A sua principal motivação foram os estudos ou você recebeu propostas profissionais para deixar o Brasil?
MT: Fui inicialmente à Inglaterra porque ganhei uma bolsa de estudos do Conselho Britânico. Existe um programa chamado “Chevening Awards” que, anualmente, distribui bolsas de estudos para brasileiros. Quando fui selecionado, fiquei muito animado, pois estava em busca de realizar o meu mestrado e essa era uma oportunidade única na minha vida. Como consegui licença da TV Globo, pude estudar e trabalhar em Londres durante todo o período em que estive por lá. Fiquei seis meses na BBC, voltei de licença e permaneci mais sete meses na Globo Minas. Surgiu um concurso para uma vaga permanente na BBC. Fiz os testes sem muitas expectativas, porque a concorrência era assustadora, com centenas de candidatos, mas, no final, deu tudo certo e eu consegui a vaga. Foi algo muito inesperado para mim! Dessa forma, retornei à BBC planejando permanecer por um ano em Londres, mas, por ter entrado depois de um ano no SBT, acabei ficando mais sete.

SL: No início, foi muito difícil se adaptar com a rotina e a cultura de outro país? Quais foram os seus maiores desafios?
MT: Sim, com certeza, é sempre um desafio. Londres é uma cidade muito boa, mas também tem os seus problemas - um inverno bem rigoroso e uma cultura bem diferente da nossa. Por mais que a cidade seja melhor ou mais desenvolvida em determinados aspectos – como a questão do transporte, por exemplo – você tem que lidar com alguns fatores pessoais, como a distância dos seus familiares, da sua terra e dos seus costumes. Em outras palavras, quando você está em um país estranho, você é somente mais um na multidão. A grande dificuldade é se adaptar a essa nova cultura e fazer amigos. E isso pode demorar muito tempo para acontecer. Graças a Deus, consegui fazer boas amizades por lá.

SL: Antes do SBT, você mencionou que trabalhou na BBC e na Rede Globo. Como foram estas experiências?
MT: Em cada lugar que trabalhei, aprendi habilidades diferentes. Na Rede Globo, eu aprendi o ‘beabá’ da reportagem. A BBC ampliou minha visão do jornalismo internacional e me permitiu trabalhar em outra língua. Já o SBT me ofereceu oportunidades diversas, como aprimorar as técnicas do jornalismo internacional, viajar para locais que eu jamais viajaria se não fosse a trabalho, conhecer a realidade de países muito distantes e, principalmente, atuar como âncora dos telejornais da emissora. Posso dizer que estou em uma fase de aprendizagem intensa e muito satisfeito com essas novas possibilidades.

SL: Como correspondente internacional do SBT em Londres, você já percorreu inúmeros países, incluindo zonas de guerra. Entre todas as coberturas já realizadas, em sua opinião, qual foi a mais impactante?
MT: É muito difícil selecionar apenas uma cobertura específica. Mas algo que me marcou muito foi o fato de ter sido um dos primeiros correspondentes brasileiros a chegar à fronteira durante os conflitos na Líbia. Primeiramente porque o país estava fechado para estrangeiros e, dessa forma, a nossa entrada não foi nada fácil. Nossa equipe teve que entrar de forma clandestina, em uma fronteira leste que estava dominada por rebeldes. Além disso, passamos por momentos de muita tensão. Alguns rebeldes haviam dominado parte das cidades para mostrar que o líder Muamar Khadafi estava prestes a cair. E como nós estávamos na região próxima à fronteira da guerra, quase fomos confundidos como inimigos e alvejados por um avião do Khadafi. O avião soltou uma bomba na estrada a uns dez minutos de onde nós estávamos. Apesar do susto, o lado positivo foi conseguir registrar o calor do conflito com imagens exclusivas, uma das melhores oportunidades que tive de mostrar um fato enquanto ele acontecia ali, em tempo real. Ou seja, fizemos boa parte da cobertura jornalística com as nossas próprias imagens, sem depender das agências de notícias. Assim como ocorreu durante a cobertura da Primavera Árabe no Egito, pois nossa equipe também estava nos momentos cruciais que fizeram Hosni Mubarak cair. Acompanhamos todos os protestos da Tahrir Square, no Cairo. Sem dúvida, foram os dois momentos mais impactantes ao longo da minha carreira.

SL: Provavelmente, a posição de correspondente em Londres é uma das mais cobiçadas no meio do jornalismo. No exercício da sua profissão, você optaria por atuar na Capital Britânica - em aparente “tranqüilidade”- ou em uma região normalmente mais conturbada como, por exemplo, o Oriente Médio?
MT: Apesar dos riscos, você se sente muito útil trabalhando em uma área de guerra, já que tem a possibilidade de mostrar uma realidade que, muitas vezes, é difícil de ser divulgada, dado o difícil acesso.  Todas as vezes que consegui chegar às zonas de guerra – como Iraque, Afeganistão e os países da Primavera Árabe, por exemplo – pude mostrar o sofrimento daquelas pessoas e sentir na pele as suas aflições. Durante o trabalho de repórter, temos que aprender a lidar com situações de extremo perigo, manter a calma e saber se proteger.

SL: Durante as coberturas de guerra, quais privações toda a equipe de reportagem deve superar? E o que se deve evitar no vídeo?
MT: Depende. Para cada ambiente, uma dificuldade diferente. Por exemplo, quando eu estava no Afeganistão, fiquei na Base Militar Americana de uma cidade chamada Ghazni. Essa região era atacada pelo Talibã todas as noites. Era difícil dormir com o barulho das metralhadoras dos soldados que ficavam nas torres de controle. Não podíamos acender as luzes do quarto para não virarmos alvos mais fáceis dos rebeldes que estavam do lado de fora. Às vezes, tínhamos que levar garrafas de plástico para o quarto, para improvisar como banheiro, evitar o deslocamento e a possibilidade de levarmos um tiro durante a noite. O comando americano não impôs nenhum tipo de censura às nossas imagens.

SL: Com relação às reportagens realizadas sobre o famoso personagem “Harry Potter”, como você analisa esta temática mais voltada para o entretenimento?
MT: Acho muito bacana. Tenho um carinho muito especial pelo Harry Potter. Fiz a cobertura da série de filmes durante tantos anos consecutivos que acabei vendo toda aquela turminha crescer. Em um dos filmes - Harry Potter e a Ordem da Fênix - acompanhei a gravação por três dias e o elenco já até me chamava pelo nome. Claro que hoje nem devem se lembrar mais de mim (risos), mas foi uma experiência marcante. 

SL: Quanto tempo você permaneceu longe do Brasil? E quais lições ou bagagens profissionais você trouxe do exterior?
MT: Ao todo, foram nove anos. Quando você mora fora do Brasil por um determinado período, você entende qual é a dor de um estrangeiro. Vejo tanta gente criticando os estrangeiros que chegam ao Brasil, principalmente os haitianos, e isso me toca muito. Porque eu tenho certeza que esses mesmos haitianos estão sofrendo muito por aqui, enfrentando uma situação de vida muito difícil. Eles não vieram a passeio. Pelo contrário, estão tentando uma vida melhor. No meu caso, não migrei em busca de dinheiro, pois estava apenas procurando novos desafios profissionais. Mesmo assim, não deixei de compartilhar o sentimento de ser estrangeiro lá fora, porque as dificuldades são semelhantes e, muitas vezes, você sente que não faz sentido para eles. Com o passar do tempo e muita paciência, você aprende a se comportar de uma maneira a ser mais bem aceito pela sociedade. Mas é uma tarefa difícil.

SL: Por méritos próprios e diante do afastamento do jornalista Carlos Nascimento - em decorrência de problemas de saúde - você tornou-se âncora do Jornal do SBT Noite por um determinado período na emissora. Como você avalia este momento em sua carreira?
MT: Posso dizer que, de uma maneira geral, está sendo muito bacana a oportunidade de ancorar jornais aqui no SBT.  Fiquei muito triste quando o Carlos Nascimento ficou doente. Ele é uma pessoa muito querida e sempre me apoiou ao longo da minha carreira. Ter tido a oportunidade de substituí-lo durante o tratamento foi algo que abracei com muita humildade e esforço. Hoje, graças a Deus, ele está ótimo e voltou à rotina normal. O período em que fiquei à frente do Jornal do SBT foi maravilhoso. Fiz grandes amigos e aprendi muito.

SL: Novos projetos para 2015? No âmbito profissional, quais sonhos ainda estão por vir?
MT: Estou terminando de revisar um livro, mas é um projeto muito pessoal. Estou em fase de revisão e, posteriormente, terei um agente literário para me auxiliar nas outras etapas, ou seja, finalizarei o projeto em longo prazo. Não sei se conseguirei publicá-lo ainda neste ano. No SBT, pretendo continuar colaborando com tudo o que puder no Departamento de Jornalismo, fazendo reportagens e ancorando os telejornais da casa sempre que for chamado. O SBT vive um momento muito promissor, pois conseguiu consolidar a imagem de seus telejornais, com um público muito fiel e uma equipe muito dedicada. Participar de todo este trabalho está sendo uma grande honra para mim.

SL: E para saber mais a respeito de Marcelo Torres? Como encontrá-lo nas redes sociais?
MT: As pessoas podem me achar no meu meu Twitter - @o_marcelotorres. E tenho um blog no site do SBT - http://www.sbt.com.br/jornalismo/blogmarcelotorres. Está um pouco desatualizado, infelizmente, mas pretendo retomá-lo em breve.

SL: Para finalizar, qual a notícia que você gostaria de divulgar nos próximos anos?
MT: Gostaria de noticiar que todos os reservatórios aqui de São Paulo estão com 80% da capacidade (risos). Queria também dar a notícia da cura da Aids e do câncer, da evolução das pesquisas com células-tronco para curar o mal de Alzheimer e outras doenças degenerativas, entre outras notícias que eu ainda espero divulgar algum dia.


























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